O que Flávio Bolsonaro ainda precisa esclarecer sobre 'Dark Horse' — e por que o filme não sai antes das eleições

Um homem de expressão séria, o ator Jim Caviezel, aparece em primeiro plano usando terno escuro e faixa presidencial verde e amarela, interpretando Jair Bolsonaro, diante de um céu carregado de nuvens escuras.

Crédito, Divulgação

Legenda da foto, Detalhe do cartaz de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, que é interpretado pelo ator americano Jim Caviezel
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A delação de um operador financeiro e a pressão da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo fim do sigilo deste depoimento recolocaram Dark Horse no centro da disputa eleitoral. O filme conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O movimento ocorre a menos de um mês do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e no momento em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) se recupera nas pesquisas de intenção de voto. Segundo o agregador da BBC News Brasil, Flávio aparece à frente de Lula em um eventual segundo turno. Flávio teria 45% dos votos contra 44% de Lula.

Em maio, o site The Intercept Brasil revelou que Flávio teria pedido a Vorcaro US$ 24 milhões, o equivalente a R$ 134 milhões, para financiar a produção do filme. O banqueiro, que está preso desde novembro de 2025, é suspeito de fraudar R$ 12 bilhões do sistema financeiro.

Flávio afirmou ao Jornal Nacional, em agosto, que o caso é uma "página virada". Disse que se tratou de uma transação privada e que a produtora já prestou contas sobre o uso dos recursos. Mas tanto para seus adversários quanto para a Polícia Federal (PF) ainda há perguntas sem resposta.

O caso voltou à tona após Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, ter fechado um acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que foi homologado pelo ministro André Mendonça, relator da investigação do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).

Mineiro é dono da Entre Investimentos e Participações e apontado como principal operador financeiro de Vorcaro.

Segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, em sua delação, ele afirmou ter feito, a pedido de Vorcaro, sete pagamentos para o fundo Havengate, que tem sede nos Estados Unidos e ligação com um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Os repasses somaram US$ 12,3 milhões, o equivalente a cerca de R$ 69 milhões na cotação da época.

Os últimos repasses, contrariando o que Flávio havia dito à GloboNews, teriam ocorrido em setembro e outubro, segundo apurou a revista Piauí. Isto é, às vésperas da prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.

A apuração da revista coincide com o que o The Intercept havia revelado a partir de áudios trocados entre os dois: as cobranças pelos pagamentos seguiram até dias antes da prisão, quando as suspeitas sobre o banqueiro e o Master já eram públicas.

A relação com Vorcaro é um ponto sensível para os dois lados da disputa eleitoral no momento. O banqueiro enviou mensagens a um contato atribuído ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, conforme revelou a PF em um relatório tornado público na última semana. Para analistas ouvidos pela BBC News Brasil, a divulgação das mensagens consolidam um cenário de pessimismo e prejudicam a 'pauta positiva' do governo Lula.

Flávio negou qualquer irregularidade e disse ao Jornal Nacional que o tema está "mais que esclarecido" e é um "livro fechado, ressignificado e na prateleira".

Veja abaixo, em cinco pontos, o que falta Flávio esclarecer sobre Dark Horse e sua relação com Vorcaro.

A imagem mostra um homem de terno escuro usando a faixa presidencial e segurando uma bandeira do Brasil junto ao peito, com a cabeça baixa. Ao fundo, aparecem o Congresso Nacional, em Brasília, além de faixas com as frases “Você não está sozinho, capitão!” e “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Crédito, Reprodução

Legenda da foto, O ator Jim Caviezel em imagem do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro

1. Para que o dinheiro dado por Vorcaro foi usado nos EUA?

Esta é a principal investigação da PF. Isso porque o dinheiro de Vorcaro foi repassado pela Entre Investimentos e Participações para o fundo de investimentos Havengate Development Fund LP, que tem sede nos Estados Unidos.

O fundo tem ligação com um advogado que atua para o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Eduardo está nos EUA desde fevereiro de 2025 e é considerado foragido da Justiça brasileira.

Segundo a Procuradoria-Geral da República e o STF, Eduardo Bolsonaro teria atuado junto ao governo de Donald Trump para pressionar o Brasil e ministros do Supremo, defendendo sanções contra eles, com o objetivo de interferir no processo que levaria seu pai à prisão.

Eduardo é tido como foragido porque, mesmo após ser condenado pelo STF no último mês de junho a 4 anos e 2 meses de prisão, por coação no curso do processo, não se apresentou à Justiça. A condenação está sujeita a recurso, e a pena não começou a ser cumprida.

Eduardo Bolsonaro fala ao microfone.

Crédito, AFP via Getty Images

Legenda da foto, Eduardo Bolsonaro mora nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025

A dúvida sobre para que o dinheiro foi usado nos Estados Unidos ganhou força nos últimos dias porque a PGR fechou um acordo de delação premiada com Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro.

Mineiro é dono da Entre Investimentos e Participações e apontado como principal operador financeiro de Vorcaro.

O conteúdo integral da delação não veio a público, mas o jornal O Globo apurou que o dono da Entre teria afirmado ter feito sete repasses, inclusive em dinheiro vivo, transportado em malas, a pedido de Vorcaro. Ele teria afirmado que não sabia qual seria a finalidade do dinheiro nem se os valores seriam destinados a Dark Horse.

Em maio, o The Intercept revelou que Eduardo assinou um contrato como produtor do filme, no qual teria responsabilidades sobre a gestão financeira de Dark Horse. Foi então que a PF passou a investigar a possibilidade de que o dinheiro de Vorcaro possa ter tido o objetivo de financiar a permanência do ex-deputado nos EUA.

Eduardo gravou um vídeo admitindo ter assinado o contrato e investido R$ 350 mil no filme, mas acrescentou que teria recebido o dinheiro de volta após a obra ter obtido outros patrocinadores.

"Quem fala que Eduardo Bolsonaro recebeu dinheiro de Vorcaro é mentiroso. Quem fala que Eduardo Bolsonaro recebeu dinheiro desse fundo que foi criado nos EUA está mentindo", disse, em vídeo publicado nas redes sociais.

2. Quanto Vorcaro pagou à produção do filme?

O The Intercept publicou que Flávio teria pedido US$ 24 milhões, o equivalente a R$ 134 milhões, a Vorcaro. Na ocasião, o site informou que o banqueiro havia repassado US$ 10,6 milhões.

A revista Piauí revelou, no entanto, que houve ao menos mais dois repasses: um de US$ 1,66 milhão e outro de valor não identificado, em setembro e outubro de 2025. Com isso, o montante pago teria chegado a US$ 12,3 milhões.

Isso chamou atenção porque Flávio havia dito à GloboNews que o último pagamento tinha sido feito em maio de 2025, quando os repasses teriam continuado até as vésperas da prisão do banqueiro, em novembro.

Flávio não quis comentar o caso à BBC News Brasil. Sua assessoria de imprensa disse que os responsáveis pelo filme são a produtora GoUp Entertainment.

A BBC procurou a empresa para obter um posicionamento, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. À Folha de S.Paulo, a GoUp confirmou o repasse de mais uma parcela, em setembro de 2025, e negou que tenha havido outra em outubro.

Entre as contradições que se acumulam, não se sabe, portanto, quanto de fato Vorcarou doou para a produção do filme.

Tela de celular mostra logo do Banco Master.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Fraude do Banco Master investigada pela Polícia Federal é estimada em cerca de R$ 12 bilhões

3. Até quando os pagamentos de Vorcaro a Flávio foram feitos?

As primeiras dúvidas do Banco Central sobre as carteiras de crédito do Master surgiram internamente em janeiro de 2025, declarou o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, em fevereiro de 2026, durante um evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC).

Mas antes de as suspeitas do Banco Central terem se tornado públicas já havia indícios de problemas envolvendo o Master.

Em abril de 2025, a Folha de S.Paulo revelou casos de servidores que eram cobrados por empréstimos consignados que afirmavam nunca ter contratado. Os contratos faziam parte de carteiras de crédito que o BRB havia comprado do Master.

Em 3 de setembro de 2025, o Banco Central rejeitou a compra do Master pelo BRB. Quando a decisão foi noticiada, as reportagens já traziam questionamentos sobre a situação financeira do banco e a lisura de suas operações, principalmente em razão das dificuldades que o Master tinha para captar recursos e do fato de ainda não ter divulgado o balanço de 2024.

Cinco dias depois, em 8 de setembro, Flávio enviou a Vorcaro um áudio cobrando parcelas atrasadas de US$ 1,6 milhão para financiar Dark Horse, segundo reportagem do The Intercept. A mensagem foi a primeira cobrança direta do senador ao banqueiro.

Segundo a revista Piauí, oito dias após a cobrança, Vorcaro transferiu US$ 1,6 milhão para o fundo americano que administrava os recursos do filme. Em 22 de outubro, de acordo com o The Intercept, Flávio voltaria a cobrá-lo.

O Banco Central só decretou a liquidação extrajudicial do Master em 18 de novembro de 2025. Quando Flávio fez as cobranças de setembro e outubro, portanto, o banco ainda não havia sido liquidado, mas já enfrentava o escrutínio público.

A declaração de Flávio à GloboNews de que o último pagamento havia ocorrido em maio de 2025 foi contrariada por um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que registrou um repasse de US$ 1,6 milhão em setembro, conforme revelou a revista Piauí na última semana.

A própria GoUp Entertainment, produtora do filme, confirmou que o aporte de setembro foi recebido, embora tenha negado que outro repasse tenha sido efetivado em outubro.

A relação entre Flávio e Vorcaro continuou após a prisão do banqueiro.

Em maio de 2026, Flávio disse, em entrevista coletiva após uma reunião com dirigentes e parlamentares do PL, que havia visitado Vorcaro em sua casa, em São Paulo, no fim de 2025, quando o empresário estava solto e usava tornozeleira eletrônica — ele voltaria à prisão em março de 2026. Segundo o senador, ele foi ao encontro do banqueiro para "botar um ponto final nessa história".

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou, no entanto, que o senador foi até Vorcaro para "ver se conseguia o restante do dinheiro" prometido pelo banqueiro para a produção de Dark Horse.

Flávio Bolsonaro, de terno e gravata azul, em pé, ao telefone.

Crédito, Adriano Machado/Reuters

Legenda da foto, Para analistas políticos, Flávio Bolsonaro explicou mal sua ligação com Vorcaro no caso Dark Horse

4. Como Vorcaro entrou no financiamento — e por que a GoUp foi escolhida para produzir o filme?

Daniel Vorcaro entrou no financiamento de Dark Horse em 2024, segundo Karina Ferreira da Gama, dona da GoUp Entertainment e produtora da obra.

Em entrevista ao portal R7, ela afirmou que o banqueiro passou a tratar do projeto diretamente com Flávio e Eduardo Bolsonaro.

Karina disse ter considerado natural o interesse do banqueiro, sob o argumento de que ele era conhecido por investir no setor audiovisual. "Daniel era conhecido por patrocinar programas de TV, Fórmula 1, já tinha patrocinado os filmes do Lula e do Temer, e achei normal o interesse no filme", afirmou.

A declaração, no entanto, precisa ser vista com cautela.

O produtor Elsinho Mouco confirmou à revista Veja que o Fundo Moriah Asset, ligado à família Vorcaro, adquiriu, no fim de 2023, uma cota de R$ 1 milhão de 963 Dias — A História de um Presidente que Recolocou o Brasil nos Trilhos, dirigido por Bruno Barreto e baseado na trajetória de Michel Temer.

Mas o diretor Oliver Stone e os produtores do documentário Lula, que mostra a trajetória do presidente, incluindo sua prisão e retorno ao poder, negaram à Folha de S.Paulo ter recebido recursos de Vorcaro, do Master ou de empresas e fundos ligados a ele.

As mensagens obtidas pelo The Intercept também indicam que havia preocupação em manter o filme em sigilo. Em 1º de agosto de 2025, depois que o Portal Leo Dias publicou uma nota revelando a existência de Dark Horse, o banqueiro questionou o empresário Thiago Miranda, sócio do portal de notíciase apontado como intermediador entre Flávio e Vorcaro.

"Achei que divulgar que tá fazendo o filme muito ruim, não acha?", questionou Vorcaro. Miranda respondeu que, como já haviam começado "as gravações e testes", a notícia acabou vazando. "Mas não vai aparecer nome de ninguém. Eles me garantiram isso", disse. "Já mandei deletar."

A troca mostra que o banqueiro estava preocupado com a divulgação de que o filme estava sendo produzido. Ela não esclarece, porém, se o objetivo do sigilo era especificamente esconder o envolvimento financeiro do banqueiro no filme.

Flávio não esclareceu nem por que o empresário foi escolhido para financiar Dark Horse nem quais critérios levaram à contratação da GoUp como produtora.

A empresa não tinha experiência conhecida em produções cinematográficas de grande porte. Karina contratou profissionais americanos que já atuavam no setor, mas ela própria mantinha empresas e organizações sem qualquer relação conhecida com o setor audiovisual.

5. Quando o filme será lançado?

O filme não será lançado antes das eleições — isto é, antes de ao menos o início de outubro, para quando está marcado o primeiro turno —, contrariando a promessa do ator Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente e havia dito que o longa-metragem chegaria aos cinemas em setembro.

À BBC News Brasil, o diretor-geral da distribuidora Europa Filmes, Wilson Feitosa, afirmou que o filme será exibido primeiro nos cinemas, antes de ir para televisão ou para plataformas de streaming, mas acrescentou que ainda não há uma data definida para o lançamento.

"Somente depois das eleições, mas ainda não tenho a data cravada", disse Feitosa, por email. "Acho que contamina, e poderemos ter problemas de judicialização no Brasil, por pensarem que seja propaganda política."

Feitosa, que soma mais de três décadas de carreira, foi responsável pelo lançamento nas extintas mídias físicas (VHS e DVD) de filmes como Central do Brasil, indicado ao Oscar, e Lula, O Filho do Brasil, cinebiografia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ele, porém, não quis informar à BBC uma previsão do lançamento de Dark Horse. Já a assessoria de imprensa de Flávio disse que assuntos ligados ao filme são de responsabilidade da produtora GoUp Entertainment, que, por sua vez, não respondeu aos questionamentos da BBC, enviados por email.

Também não se sabe nada sobre o lançamento do longa-metragem nos Estados Unidos e em outros países, como integrantes da família Bolsonaro haviam dito que aconteceria, ao justificar o investimento que supera os de obras que já foram até indicadas ao Oscar, como Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto.

Dark Horse não consta das listas de lançamentos previstos nos maiores sites da indústria cinematográfica americana, como Box Office Mojo e IMDB.

Apesar de ter cenas gravadas no Brasil, Dark Horse é considerado um filme estrangeiro. A maior parte do elenco, do diretor e da equipe de produção do longa-metragem é americana.

Além disso, sua produtora, a Go Up Entertainment, fica nos EUA. A sede da empresa funcionava até o início de junho na casa de um de seus sócios, no subúrbio da cidade americana de Raleigh, na Carolina do Norte. Dias após uma visita da reportagem da BBC News Brasil ao endereço, a sede foi transferida para um prédio comercial, na mesma cidade.

Imagem mostra fachada de uma casa branca, com dois andares, dois carros, um preto e outro branco, em frente à casa.

Crédito, Googler Street View/Reprodução

Legenda da foto, Casa nos subúrbios da cidade de Raleigh, na Carolina do Norte, foi sede oficial de produtora do filme

Para um filme estrangeiro ser lançado no Brasil, é preciso obter uma série de registros junto à Agência Nacional do Cinema (Ancine).

O primeiro deles é o Registro de Obra Estrangeira, conhecido pela sigla ROE, emitido em 7 de agosto.

O segundo é o Certificado de Registro de Título (CRT), também exigido para obras brasileiras e cujo prazo de obtenção é de até 30 dias.

Esse processo, porém, nem sequer foi iniciado pela Europa Filmes, informou a Ancine à BBC na última sexta-feira (4/9). A agência não respondeu aos novos questionamentos da reportagem feitos na terça-feira (8/9).

A imagem mostra Flávio Bolsonaro, de camiseta amarela com as cores do Brasil, cercado por apoiadores durante um evento. Ele aparece em primeiro plano diante de uma grade, enquanto pessoas ao redor levantam celulares e câmeras para registrar o momento; ao fundo, há uma grande multidão vestida de amarelo e verde, com bandeiras do Brasil.

Crédito, Pilar Olivares/Reuters

Legenda da foto, Flávio Bolsonaro interage com apoiadores em ato em Copacabana, no Rio de Janeiro

A terceira etapa seria obter, junto ao Ministério da Justiça, a classificação indicativa do longa-metragem, processo que pode levar até outros 30 dias.

Em alguns casos raros, o segundo e o terceiro passos podem ocorrer simultaneamente. Ainda assim, a um mês do primeiro turno das eleições, é improvável que haja tempo hábil para o lançamento, mesmo que os envolvidos voltem atrás na decisão de levar a obra aos cinemas apenas após o pleito.

Há ainda outro porém. A produtora de Dark Horse é alvo de um processo administrativo na Ancine por ter filmado cenas no Brasil sem comunicar à agência, procedimento obrigatório no setor. Isso também pode complicar o lançamento.

"Os resultados da apuração serão divulgados publicamente após a conclusão do processo, garantida a ampla defesa e o contraditório", afirmou a Ancine à BBC.