Copa do Mundo com 64 seleções? Entenda por que a Fifa avalia expandir ainda mais o torneio

Gianni Infantino, um homem careca de meia idade, mantém os braços abertos com as palmas das mãos para cima e sorri, vestindo um paletó escuro abotoado, com a inscrição "FIFA" no bolso do peito.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Infantino é presidente da Fifa desde 2016
    • Author, Alex Brotherton
    • Role, BBC Sport
  • Published
  • Tempo de leitura: 4 min

Planos para uma Copa do Mundo masculina com 64 seleções deverão ser avaliados em detalhes após o torneio de 2026. O presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Gianni Infantino, diz que o evento precisa ser "para o mundo todo".

A proposta de um torneio expandido foi apresentada no ano passado, e Infantino afirma que o sucesso do torneio expandido com 48 equipes significa que a Fifa deve analisar como uma Copa do Mundo com 64 equipes poderia funcionar.

"Essa é definitivamente uma questão que será examinada e discutida nos comitês competentes após esta Copa do Mundo", disse Infantino à emissora suíça Blue Sport, quando questionado se o torneio poderia ser ampliado para 64 equipes.

"Ao organizar uma Copa do Mundo, é importante organizá-la para o mundo todo – não apenas para a Europa e a América do Sul, mas efetivamente para o mundo inteiro. Todas as nações deveriam ter a oportunidade de sonhar em participar da Copa do Mundo."

"É possível perceber que a qualidade das equipes é extremamente alta e está aumentando cada vez mais em todo o mundo. Se não dermos aos países menores a chance de participar da Copa do Mundo, eles não terão incentivo para continuar melhorando."

Infantino afirmou que a primeira Copa do Mundo com 48 equipes foi "um enorme sucesso", citando a classificação de nove das dez seleções africanas para as fases eliminatórias.

"Na última Copa do Mundo, havia apenas cinco seleções da África", disse ele. "Isso só demonstra a importância de incluir todas as equipes e dar a elas a oportunidade de participar."

Pessoas carregam bandeiras de diferentes países durante a cerimônia de abertura da Copa do Mundo da FIFA 2026, na Cidade do México, em 11 de junho de 2026.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Copa do Mundo de 2026 foi a primeira com 48 seleções (antes, eram 32)

Em 2017, o conselho da Fifa aprovou a expansão da Copa do Mundo de 32 para 48 seleções.

Em abril de 2025, uma proposta oficial para aumentar o número de equipes na Copa do Mundo de 2030 para 64 foi apresentada pela Conmebol, entidade que comanda o futebol sul-americano, mas nenhuma decisão foi tomada.

A edição de 2030 será sediada principalmente por Espanha, Portugal e Marrocos, com os três jogos de abertura a serem disputados na Argentina, Uruguai e Paraguai, para celebrar o centenário da competição. O Uruguai sediou a primeira Copa do Mundo, em 1930.

O presidente da União das Associações Europeias de Futebol (Uefa), Aleksander Ceferin, está entre os que rejeitaram a proposta de 64 equipes, afirmando que é uma "má ideia" tanto para o torneio em si, quanto para o processo de qualificação.

O presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), Sheikh Salman bin Ibrahim Al Khalifa, concordou, afirmando que uma expansão adicional traria "caos".

Victor Montagliani, presidente da Concacaf, entidade que rege o futebol na América do Norte, Central e Caribe, afirmou que a sugestão "não parece correta" e acredita que a expansão prejudicaria "o ecossistema do futebol em geral".

No entanto, Andrew Giuliani, diretor executivo da força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, disse que os Estados Unidos poderiam considerar candidatar-se para sediar a Copa do Mundo de 2038 e seriam capazes de "lidar com ela" se o número de participantes fosse expandido para 64 equipes.

A posição oficial da Fifa sempre foi a de que discutirá ideias de expansão com as partes interessadas e que tem a obrigação de considerar quaisquer propostas dos membros do conselho.

O conselho da Fifa tomará a decisão final, mas não há indícios de que isso deva acontecer em breve.

Análise: Expansão representaria desafio para anfitriões

Por Dale Johnson, especialista em futebol da BBC Sport

Quando Infantino foi eleito pela primeira vez em 2016, parte de seu programa eleitoral era aumentar o número de equipes na Copa do Mundo de 32 para 40.

Em menos de um ano, esse número subiu para 48 e foi aprovado pelo conselho da Fifa, entrando em vigor a partir da edição de 2026.

Desde então, nunca cessaram as especulações de que a Fifa gostaria de ir mais longe e mais rápido.

A possibilidade de aumentar o número de equipes foi discutida em 2022, mas concluiu-se que o Catar não teria condições de sediar um torneio desse porte sozinho.

E esse é o problema: quanto maior a Copa do Mundo, mais desafiador se torna sediá-la.

Este ano, o torneio foi realizado em três países, abrangendo uma vasta área. Em 2030, as partidas serão disputadas em seis países: Marrocos, Portugal, Espanha, além da Argentina, Paraguai e Uruguai, que sediarão as comemorações do centenário.

Não se sabe ao certo como a Arábia Saudita conseguiria lidar com um torneio de 64 equipes, com 128 jogos, em 2034.

Apesar disso, a proposta é um grande trunfo eleitoral para Infantino por duas razões.

Em primeiro lugar, isso dá a mais países a oportunidade de jogar uma Copa do Mundo. De fato, um Mundial com 64 seleções faria com que quase um terço dos 211 países filiados à Fifa se classificassem.

Uma Copa do Mundo maior também significa mais receita para ser distribuída às associações membros.