Copa do Mundo de 2026 já é a melhor da história? O que dizem os números

Montagem mostra Youri Tielemans, Lionel Messi e Vozinha.

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Legenda da foto, O belga Youri Tielemans, o argentino Lionel Messi e o cabo-verdiano Vozinha protagonizaram alguns dos jogos mais dramáticos da Copa do Mundo
    • Author, Michael Emons
    • Role, BBC Sport
    • Author, Mohamed Moallim
    • Role, BBC News
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  • Tempo de leitura: 8 min

Golaços, viradas históricas, drama nos minutos finais e resultados surpreendentes. Que Copa do Mundo estamos vivendo!

Com 48 seleções pela primeira vez na história e sediada por três países — Canadá, México e Estados Unidos — não há dúvidas de que este é o maior Mundial dos 23 realizados até hoje.

Mas será que também podemos considerar esta a melhor Copa do Mundo?

A resposta é subjetiva, já que cada Mundial significa algo diferente para cada pessoa. Para alguns, a melhor Copa será sempre a primeira que acompanharam. Para outros, tudo depende da campanha feita pela sua seleção.

As estatísticas, no entanto, indicam que, ao menos dentro de campo, esta edição da Copa do Mundo está entre as melhores da história.

Toda Copa precisa de emoção — e isso não faltou até aqui.

Lionel Messi comemorando a classificação da Argentina para as quartas de final

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Legenda da foto, A Copa do Mundo de 2026 já supera a média de gols por partida da Copa de 1970, disputada no México

Nos 96 dos 104 jogos disputados até a última terça-feira (7/9), quando se encerrou a rodada das oitavas de final, 280 gols foram marcados. A média é de 2,92 gols por partida, a maior desde a Copa do Mundo de 1970, no México, quando foram marcados 95 gols em 32 jogos, uma média de 2,97 por confronto.

Para efeito de comparação, a média de gols foi de 2,69 por partida no Catar 2022, de 2,64 na Rússia 2018, de 2,67 no Brasil 2014 e de 2,27 na África do Sul 2010.

O jogo com mais gols até agora foi a goleada da Alemanha por 7 a 1 sobre Curaçao. Além disso, outras sete partidas terminaram com seis gols, enquanto 13 tiveram cinco gols marcados.

Outro indicativo do caráter ofensivo desta Copa é que 74,6% dos gols saíram com a bola rolando, uma das maiores proporções da história dos Mundiais. Em contrapartida, apenas 5% dos gols foram marcados em cobranças de pênalti, o menor percentual já registrado.

Jogos emocionantes

A quantidade de gols marcados nos minutos finais também ajuda a explicar por que esta Copa tem sido tão emocionante.

Das 24 partidas de mata-mata disputadas até aqui, oito tiveram o gol da vitória marcado depois dos 40 minutos do segundo tempo.

A Argentina precisou da prorrogação para superar Cabo Verde, considerado um adversário tecnicamente inferior, enquanto outros quatro confrontos foram decididos nos pênaltis.

O gol de Enzo Fernández contra o Egito, por exemplo, foi o décimo gol marcado aos 90 minutos ou depois que deu a vitória a uma equipe nesta Copa do Mundo, um novo recorde na história do torneio.

Só neste mês, ao menos três partidas já entraram para a memória dos torcedores: as vitórias por 3 a 2 de Bélgica, Argentina e Inglaterra sobre Senegal, Egito e México, respectivamente.

Bélgica e Argentina protagonizaram viradas históricas ao reverter uma desvantagem de dois gols nos minutos finais das partidas. É a primeira vez desde 1970 que esse tipo de reação acontece mais de uma vez em uma mesma edição da Copa do Mundo.

Já a Inglaterra venceu mesmo jogando por cerca de 40 minutos com um jogador a menos, após a expulsão de Jarell Quansah, e resistiu à pressão da torcida do México no histórico Estádio Azteca.

Esta Copa também registra oito empates sem gols, um recorde na história dos Mundiais. Mas isso é necessariamente algo negativo? Ou seria um sinal de maior equilíbrio entre as seleções?

Festa da torcida

Havia uma preocupação compreensível sobre como seria o ambiente nos jogos.

Os preços elevados dos ingressos, somados às longas distâncias que muitos torcedores precisaram percorrer para assistir à próxima partida, alimentaram o temor de que as partidas fossem disputadas diante de arquibancadas vazias.

Mas não foi o que aconteceu.

Alvo de críticas pelos altos preços dos ingressos, a Fifa informou que 99,7% dos lugares disponíveis foram ocupados. Ao todo, mais de 4,4 milhões de torcedores acompanharam os jogos da fase de grupos. Considerando as duas primeiras fases do mata-mata, esse número chega a 6,2 milhões de espectadores.

Isso representa uma média de pouco mais de 65 mil pessoas por partida, a segunda maior da história das Copas do Mundo, atrás apenas da edição de 1994, nos Estados Unidos, que registrou uma média de quase 69 mil torcedores por jogo.

Erling Haaland, de Noruega, de braços abertos comemorando um gol.

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Legenda da foto, Erling Haaland comemorando seu segundo gol sobre o Brasil na partida que classificou a Noruega para as quartas de final

Mas não são apenas os torcedores que têm dado um show no estádio. As estrelas dentro de campo também têm brilhado.

A disputa pela Chuteira de Ouro promete entrar para a história. O argentino Lionel Messi lidera a artilharia com oito gols, seguido pelo francês Kylian Mbappé e pelo norueguês Erling Haaland, ambos com sete. Logo atrás aparece o inglês Harry Kane, com seis gols.

É a primeira vez na história das Copas do Mundo que três jogadores marcam sete ou mais gols em uma mesma edição do torneio.

Antes da competição, havia o receio de que o grande número de seleções resultasse em muitos confrontos desequilibrados. Mas times considerados azarões protagonizaram algumas das partidas mais marcantes desta Copa.

Curaçao, o menor país a se classificar para um Mundial, se recuperou da goleada por 7 a 1 sofrida para a Alemanha e arrancou um empate contra o Equador. Já o Catar, que perdeu por 6 a 0 para o Canadá, também conseguiu empatar por 1 a 1 com a Suíça, que avançou às quartas de final.

Cabo Verde, por sua vez, escreveu um dos capítulos mais surpreendentes do torneio. Com o goleiro Vozinha, de 40 anos, como principal destaque, a seleção empatou com Espanha, Uruguai e Arábia Saudita para avançar ao mata-mata. Nas oitavas de final, ainda deu um enorme susto na atual campeã Argentina, antes de ser derrotada por 3 a 2 na prorrogação.

Pausas para hidratação e acusações de interferência

Apesar de inúmeros pontos positivos, a Copa do Mundo 2026 também foi marcada por controvérsias e críticas.

As pausas para hidratação foram bem recebidas quando as condições climáticas eram extremas. No entanto, passaram a ser alvo de vaias quando ocorreram sob chuva ou em estádios com ar-condicionado e teto fechado, onde muitos torcedores questionaram sua real necessidade.

Para parte do público, o formato ampliado da Copa tornou o torneio longo demais. A competição começou em 11 de junho e a final será disputada em 19 de julho. Nesse período, houve jogos em todos os dias, com exceção de apenas quatro.

Também houve críticas ao nível da arbitragem e ao impacto do calendário sobre os jogadores.

Além do aumento no número de partidas, as longas viagens entre as sedes levantaram preocupações sobre o desgaste físico dos atletas. A temporada da Premier League, por exemplo, começa em 21 de agosto, pouco mais de um mês após a final da Copa do Mundo.

Donald Trump e Gianni Infantino conversando

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Legenda da foto, O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, junto ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, durante o sorteio da Copa do Mundo em dezembro

A maior controvérsia da Copa, porém, envolveu o fair play.

O atacante americano Folarin Balogun foi expulso na partida contra a Bósnia. No entanto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter telefonado para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para discutir a punição aplicada ao jogador.

Balogun acabou liberado para atuar contra a Bélgica, nas oitavas de final — os EUA perderam por 4 a 1. Para justificar a decisão, a Fifa citou o artigo 27 do Código Disciplinar, que permite que a suspensão de uma partida seja convertida em um período de um ano.

Ao longo da história das Copas do Mundo, 189 cartões vermelhos já foram distribuídos. Apenas dois jogadores, porém, deixaram de cumprir suspensão após serem expulsos.

Balogun foi o primeiro desde 1962, quando o brasileiro Garrincha escapou da punição porque as suspensões automáticas ainda não existiam, em um episódio cercado por acusações de interferência política.

A decisão provocou críticas de diferentes setores do futebol. A Uefa, a Bélgica e o técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel, estiveram entre os que contestaram a medida. Posteriormente, jogadores da seleção belga disseram que o caso serviu como motivação extra para a equipe.

Uma final gloriosa

De modo geral, a Fifa pode considerar esta Copa do Mundo um grande sucesso, com jogos emocionantes disputados em estádios lotados e torcedores de todo o mundo que fizeram o possível para criar uma atmosfera inesquecível.

Ainda faltam 10 dias para o fim do torneio, e a expectativa é de que esse cenário se mantenha, apesar dos altos preços dos ingressos e do fato de que os três países-sede já saíram da competição.

No entanto, a percepção que uma Copa do Mundo deixa a longo prazo depende, em grande parte, do que acontecer nas últimas partidas.

Roberto Baggio, da Itália, cobra o pênalti por cima do travessão, garantindo o título do Brasil na final da Copa do Mundo de 1994

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Legenda da foto, A emocionante Copa do Mundo de 1994 terminou com um decepcionante 0 a 0 na final entre Itália e Brasil, seguida por uma disputa de pênaltis

Finais desastrosas ofuscaram o brilho das Copas do Mundo de 1990 e 1994, enquanto uma final sensacional no Catar, há quatro anos, ajudou a melhorar a imagem daquele torneio.

Com as quatro primeiras seleções do ranking mundial — Argentina, Espanha, França e Inglaterra — em grande fase e disputando suas respectivas quartas de final, algumas partidas incríveis podem terminar de transformar esta Copa na melhor da história.

Independentemente do que aconteça, assim como ocorreu no último mês, será impossível não acompanhar.

As estatísticas deste artigo foram fornecidas por Mohamed Moallim, da BBC Sport