'Pesadelo da Alemanha' e Holanda dominada por sensação africana: a noite da queda de dois grandes na Copa

Jogadores da Alemanha tristes após eliminação

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Legenda da foto, Alemanha não chega a uma oitava de final de Copa desde 2014
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A segunda-feira (29/06) foi de surpresas na Copa do Mundo com a eliminação de duas potências do futebol mundial na primeira rodada do mata-mata da Copa.

A tetracampeã mundial Alemanha foi eliminada pelo Paraguai nos pênaltis, após um empate em 1 a 1 no tempo normal e prorrogação. A Holanda caiu para o Marrocos da mesma forma: empate em 1 a 1 e derrota nos pênaltis.

Entre as potências que entraram em campo na segunda-feira, só o Brasil conseguiu a vaga nas oitavas de final, ao vencer o Japão de virada por 2 a 1 no primeiro jogo do dia.

A capa do jornal alemão Bild de terça-feira resumiu a situação alemã em uma manchete: "O pesadelo do futebol alemão".

A Alemanha sempre é vista como um dos times fortes em Copas.

Somando o período em que competiu como Alemanha Ocidental, a seleção alemã conquistou a Copa do Mundo quatro vezes e foi vice-campeã em outras quatro ocasiões, além de ter vencido três das seis finais de Eurocopa que disputou.

Mas esses tempos de glória ficaram no passado.

Desde sua conquista mais recente na Copa do Mundo, em 2014 no Brasil, a Alemanha não conseguiu passar da fase de grupos em duas ocasiões — 2018 e 2022 — e agora foi eliminada logo na primeira partida de mata-mata que disputou em 2026.

No início da competição, o Paraguai ocupava a 41ª posição no ranking mundial da FIFA, enquanto a Alemanha estava em 10º lugar. No entanto, isso não impediu os sul-americanos de infligirem à Alemanha sua primeira derrota em disputas de pênaltis na história da Copa do Mundo.

Na partida realizada em Boston, apesar de deter 75% da posse de bola, a Alemanha teve dificuldades para superar uma seleção do Paraguai bem organizada e resiliente — embora tecnicamente limitada —, que surpreendeu ao abrir o placar com Julio Enciso.

O alemão Kai Havertz, do Arsenal, empatou o jogo com um desvio de cabeça logo no início do segundo tempo. Pouco depois, um gol de cabeça de Jonathan Tah foi anulado de forma polêmica devido a uma falta cometida por um companheiro de equipe segundos antes.

Na disputa de pênaltis, a Alemanha contava com um retrospecto impecável de 100% de aproveitamento em Copas do Mundo: quatro disputas, quatro vitórias.

Goleiro paraguaio Orlando Gill

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Legenda da foto, Goleiro paraguaio Orlando Gill foi um dos heróis da partida

Havertz foi o primeiro a cobrar e teve sua finalização defendida. Nick Woltemade também parou no goleiro Gill. E, apesar de a equipe ter ganhado uma sobrevida com dois erros do Paraguai, o alemão Tah chutou a bola por cima do gol. Na sequência, o zagueiro Jose Canale garantiu a vitória paraguaia.

"Ser eliminado da Copa do Mundo após enfrentar o Paraguai é muito amargo. É muito doloroso", disse o técnico da Alemanha, Julian Nagelsmann. "Esta é a terceira eliminação consecutiva; portanto, já não fazemos parte do grupo das seleções de elite."

Agora o Paraguai enfrentará o vencedor da partida desta terça-feira entre França e Suécia.

Holanda dominada pelo Marrocos

A Holanda — que nunca ganhou uma Copa do Mundo mas chegou a três finais, em 1974, 1978 e 2010 — foi eliminada pelo Marrocos, uma equipe que vem ganhando projeção nos últimos anos.

Na Copa passada, no Catar, o Marrocos se tornou o primeiro time africano a chegar a uma semifinal. E na estreia contra o Brasil, os marroquinos chegaram a dominar a partida, que terminou em empate de 1 a 1.

No jogo contra a Holanda na segunda-feira, o Marrocos dominou grande parte do jogo, mas esbarrou em uma atuação inspirada do goleiro Bart Verbruggen e na trave.

O técnico Ronald Koeman adotou uma linha inédita de cinco defensores. O atacante holandês do Liverpool, Cody Gakpo, optou por permanecer com o elenco apesar do luto — no sábado ele perdeu seu filho ainda não nascido.

Gakpo é consolado e celebrado por colegas de equipe

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Legenda da foto, Gakpo, que estava de luto pela perda do filho, se emocionou ao marcar gol contra o Marrocos

Os minutos iniciais foram intensos, com duelos constantes entre Ismail Saibari e Jan Paul van Hecke de um lado, e Brian Brobbey e Chadi Riad do outro — este último precisou trocar de camisa após uma disputa com o atacante holandês.

Ambas as equipes tiveram chances: Neil El Aynaoui e Achraf Hakimi — que completava seu 100º jogo pela seleção do Marrocos — exigiram defesas de Bart Verbruggen, enquanto Micky van de Ven levou perigo em um chute de longa distância para a Holanda.

Após o intervalo, o Marrocos assumiu o controle e Hakimi acertou o travessão, mas a equipe foi surpreendida por um contra-ataque rápido da Holanda, no qual Gakpo marcou e foi celebrado por seus companheiros.

Parecia que o resultado estava definido, até que, nos segundos iniciais dos acréscimos, Diop marcou de cabeça após um cruzamento com efeito de Chemsdine Taldi.

Gol do Marrocos

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Legenda da foto, Gol de Diop para o Marrocos nos acréscimos levou a partida para prorrogação e pênaltis

No início da prorrogação, Verbruggen fez uma das defesas mais impressionantes do torneio ao impedir o gol de Soufiane Rahimi, depois que o jogador marroquino — que havia saído do banco — passou pela defesa em uma jogada individual.

Nenhuma das equipes conseguiu evitar a decisão por pênaltis.

Os holandeses desperdiçaram três cobranças, permitindo que Ismail Saibari garantisse a vitória por 3 a 2. Agora o Marrocos enfrentará o Canadá nas oitavas.

A sensação Marrocos

Quatro anos depois de superar Espanha e Portugal — antes de cair para a França na semifinal da Copa do Mundo —, o Marrocos derrubou mais uma vez uma potência europeia.

Sextos colocados no ranking mundial da FIFA, uma posição acima da Holanda, os marroquinos contam com uma geração talentosa — incluindo Hakimi, Saibari e Brahim Diaz — que vive o auge de suas carreiras.

No meio-campo, o jovem Ayyoub Bouaddi, de 18 anos e nascido na França, desponta como uma das maiores promessas do futebol europeu, poucas semanas após decidir defender o Marrocos em vez de seu país natal.

O técnico Mohamed Ouahbi está no cargo há menos de quatro meses, mas sua reputação só cresce, tendo conduzido a seleção sub-20 do país à glória na Copa do Mundo no ano passado.

Contra a Holanda, o Marrocos impôs seu estilo de jogo: dominou a posse de bola, manteve o foco mesmo após desperdiçar chances e buscou um empate merecido nos acréscimos, demonstrando também resiliência para virar o placar na disputa de pênaltis.

O defensor Noussair Mazraoui classificou como "injusto" o confronto entre duas equipes de tamanha qualidade logo no início do torneio, mas acrescentou: "Vamos manter a humildade, pois é por isso que estamos aqui. Sem o espírito de luta que demonstramos, não se vence jogo algum".

Se conseguir vencer seu próximo adversário — o Canadá, um dos países-sede —, o Marrocos terá uma possível revanche contra a França nas quartas de final, caso os franceses superem a Suécia e o Paraguai.

Futuro da Alemanha

Na Alemanha, a queda para o Paraguai logo na primeira partida de mata-mata deu início a um debate sobre o futuro da seleção.

"Por muito tempo, o desenvolvimento de jogadores na Alemanha focou essencialmente em passes, estilo de jogo e inovação tática, mas houve um elemento no qual talvez não tenhamos nos concentrado o suficiente: ter um pouco mais de garra e agressividade competitiva", disse o comentarista da BBC e ex-jogador alemão Thomas Hitzlsperger.

"Perdemos aquela aura que fazia com que os adversários nos temessem. Outras equipes nos respeitam, mas já não nos temem. Não somos mais tão difíceis de vencer e nos falta a presença física que tínhamos antigamente."

Logo após o jogo, Nagelsmann foi questionado repetidamente sobre seu futuro no comando da seleção e disse que "não é alguém que foge", mas admitiu que não é muito popular entre os torcedores alemães neste momento.

"Se fizéssemos uma pesquisa hoje na Alemanha, as pessoas obviamente não falariam de mim de forma positiva", disse. "Senti o apoio no estádio. Não acho que todos na Alemanha concordarão com a minha permanência e continuidade como técnico da equipe."

"Não vou recuar apenas porque fomos eliminados. Se a DFB [Federação Alemã de Futebol] quiser que eu continue, eu continuarei. Sei como o meio funciona e muitas pessoas agora querem que eu saia. Quero continuar se a Federação Alemã quiser."