Como foi o debate da Band: Caiado, Renan e Cury disparam ataques contra Lula e Flávio; veja repercussão
Candidatos à Presidência travaram primeiro confronto, o mais esvaziado desde 1989, enquanto Lula deu entrevista para Record e Flávio divulgou vídeo. Veja principais embates, propostas e destaques do encontro.
Estamos encerrando aqui nossa cobertura do primeiro debate para presidente das eleições 2026.
Para ver tudo que aconteceu, basta navegar por nossa cobertura minuto a minuto.
No próximo debate, em 14 de setembro, acompanharemos novamente em tempo real.
Esperamos por vocês. Até lá!
Confira os momentos que marcaram o 1º debate para presidente
No confronto mais esvaziado desde 1989, o primeiro debate entre candidatos a presidente na eleição de 2026 contou com três candidatos que, juntos, têm cerca de 10% das intenções de voto.
Estratégia de Lula foi 'inteligente', diz analista
A estratégia da campanha de Lula de conceder uma entrevista à Record ao mesmo tempo que o debate da Band era realizado foi "inteligente", diz Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, "porque gera material e não deixa um vácuo que poderia partir da sua ausência no debate".
"Especialmente em uma emissora como a Record, que tem um vínculo mais claro com o segmento evangélico", diz Cortez.
"O maior desafio do governo é lidar no curto prazo com a agenda negativa que ganhou corpo com a ação da Polícia Federal contra o filho e o chefe de gabinete do presidente, que tem dado o tom da campanha no momento. Isso tem sido muito marcante. Apresentar uma resposta ao eleitorado me parece ser o maior desafio."
Debate presidencial da Band foi o mais esvaziado desde 1989
O primeiro debate presidencial televisionado após o regime militar aconteceu em 1989. Naquele ano, Fernando Collor de Mello optou por não participar de alguns confrontos.
Nas eleições seguintes — com exceção de 1998, quando não houve debate presidencial — essa ausência estratégica se manteve, com um ou outro candidato que liderava a disputa sempre se ausentando.
Até então, uma regra nunca foi quebrada: ao menos um dos principais candidatos à Presidência sempre esteve presente.
Mas, neste domingo (23/8), o primeiro debate presidencial ocorreu sem a presença dos dois candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Além disso, Romeu Zema (Novo) também decidiu, de última hora, não comparecer.
Debate pode mudar disputa entre Renan, Caiado e Zema, avalia cientista político
O cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, afirma que o debate da Band não deve impactar as intenções de voto em Flávio Bolsonaro e Lula, porque as pesquisas apontam que os dois líderes têm um eleitorado mais consolidado.
Mas o debate pode produzir efeitos na disputa entre os candidatos que disputam a terceira posição atualmente.
"Se existe alguma chance de mudança, é uma mudança interna aos nomes da polarização. Eventualmente, Renan pode começar a pegar um pouco desse voto do Zema e do Caiado, que não é um voto muito seguro. Não vi evento que por si só já chame atenção para essa possibilidade, agora é, eventualmente, a exploração nos próximos dias do que sair do debate", diz Cortez.
'Renan foi o grande personagem da noite', diz analista
Para a cientista política Mayra Goulart, o presidenciável do Missão aproveitou bem sua oportunidade de contornar sua ausência do horário eleitoral e o fato de que ainda é pouco conhecido.
Para a analista, Renan foi o destaque do primeiro debate televisionado desta eleição, na Band.
"Sua estratégia, desenhada desde a pré-campanha, passa justamente por usar debates, sabatinas e redes sociais para furar essa barreira de conhecimento. O segundo objetivo é produzir cenas capazes na forma de cortes, memes e circulação nas redes", diz Goulart, que é professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
"Ele ganhou a disputa pela circulação. Sairá do debate com enorme quantidade de material para as redes e com sua marca muito mais definida. Mas permanece a questão central: o personagem concebido para gerar engajamento é capaz de produzir confiança?"
Quais são as propostas dos candidatos?
A BBC News Brasil preparou um especial interativo com as propostas e posicionamentos de todos os candidatos em oito áreas.
Elas foram levantadas a partir dos programas divulgados pelas campanhas até o momento e também a partir de declarações públicas feitas em eventos, entrevistas, transmissões ao vivo pela internet, postagens em redes sociais, dentre outros.
"Qualquer pessoa que for morder uma parte do eleitorado do Flávio, que tiver esse potencial, vai ser turbinada por setores interessados em depois 'compor' o governo, ou indicar nomes para o governo", disse Eduardo Bolsonaro.
"Então, é natural, o Renan Santos só está sendo o papel higiênico de gente da Faria Lima e de outros setores da sociedade. Mas não chega a assustar", completou o filho "03" de Jair Bolsonaro.
Ao menosprezar o impacto de Renan nas eleições de 2026, Eduardo revelou, no entanto, um movimento que avança sem alarde nos corredores de bancos, gestoras de recursos e corretoras de valores: o interesse crescente de parte do mercado financeiro no candidato de 42 anos, com ensino superior incompleto, e que concorre pela primeira vez a um cargo público.
Com seu partido recém-criado a partir do Movimento Brasil Livre (MBL) — grupo que ganhou notoriedade durante as manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff —, Renan tem ganhado corações na Faria Lima com um discurso que mistura elementos do ultraliberalismo econômico do presidente argentino Javier Milei com um populismo policial inspirado no salvadorenho Nayib Bukele.
'Não são meus adversários', diz Flávio Bolsonaro sobre ausência no debate
Ausente no debate desta noite, Flávio Bolsonaro (PL) publicou um vídeo em suas redes sociais dizendo que não considera os candidatos à Presidência seus adversários e criticou Lula, sem citá-lo nominalmente.
"Quero debater sim, mas com quem está destruindo o Brasil e piorando a sua vida", disse Flávio, culpando o governo Lula pelo alto endividamento das famílias, o aumento de preço dos alimentos e a violência.
O senador também fez um novo aceno aos cristãos: "Eu quero debater com quem não acredita em Deus, porque, quando eu for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do senhor Jesus Cristo".
Flávio também citou as investigações da Polícia Federal contra Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, e o filho do presidente, Lulinha.
Em seguida, apresentou brevemente algumas de suas propostas, como a redução de gastos do governo e de impostos e o combate à corrupção e às facções criminosas.
Ao fim, voltou a atacar Lula: "O meu adversário é quem está no poder e está destruindo o Brasil. Você sabe quem ele é, é com ele que quero debater".
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Debate é finalizado
O debate entre Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury terminou agora.
Augusto Cury encerra debate se apresentando ao eleitor
Cury usou o espaço final do debate para se apresentar aos eleitores. "Minha história foi uma história muito difícil. Papai e mamãe, como eu disse, morávamos em oito num quarto só. Sou filho de escola pública em toda a minha trajetória acadêmica, até na faculdade de medicina", disse.
"Quero usar toda a minha experiência que eu tive fora da política para chamar os melhores profissionais, os melhores governadores sem histórico de corrupção, os melhores economistas e também os melhores gestores de empresa", afirmou.
"O Brasil merece desenvolver, não com grito, não com agressividade, não denegrindo, não diminuindo as pessoas, mas, de fato, formando um time de ouro para desenvolver a nação brasileira."
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Caiado destaca sua carreira na política e ataca Lula e Flávio
Em suas considerações finais, Caiado usou tempo pata atacar Lula e Flávio e destacar sua carreira na política.
"Se esses dois não têm coragem de vir ao debate, eles não têm como explicar todos os escândalos em que estão envolvidos", disse. "Como vocês podem aceitar esse café requentado? Todos eles já tiveram oportunidade."
"Tudo o que falei aqui vem de uma experiência de 40 anos de vida na política e vocês nunca viram nada que atingisse minha honra. Nunca me viram em rachadinha, petrolão, em Vorcaro e Master. Nunca me viram vinculado em robalheira de roubar aposentado", disse, reforçando destacou carreira como médico e cirurgião.
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Renan diz que Brasil é 'maior experiência tropical do mundo'
Nas considerações finais, Renan Santos diz que o Brasil é a "maior experiência tropical do mundo".
"Se você vive de migalha é porque você aceita alguém que te trata como bicho", disse. Com um papel na mão, escrito "ladrão", ele coloca em cima do púlpito onde Lula ficaria se tivesse ido ao debate.
Flávio tem 'gravíssimos déficits cognitivos', diz Renan
Caiado aproveita sua vez de perguntar e fala sobre o fato de o voto ser obrigatório, mas os candidatos com maior intenção de voto não irem aos debates.
Ele diz que, se eleito, vai tornar a ida aos debates obrigatória, e pergunta o que Renan acha disso.
Renan diz que gostou da proposta. Afirmou que "eles estão fugindo como cadelas". Disse que Flávio tem "gravíssimos déficits cognitivos".
Na réplica, Caiado ataca Flávio também, dizendo que o senador não explicou ainda o caso do "Dark Horse", enquanto Lula não explicou o "Dark Lobby", mencionando o filho de Lula, Lulinha, que seria próximo de uma lobista.
Renan, na tréplica, fala que ontem Flávio estava dançando "igual a um iditota" em Barretos. E Lula não está apresentando proposta porque já desistiu, não tem mais "saco", porque ou está "bêbado ou está com a Janja".
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Cury defende reforma do ensino fundamental
Cury defendeu as disciplinas de empreendedorismo, gestão financeira e oratória no ensino fundamental.
"Nós temos que reopaginar os currículos do ensino fundamental", disse. "Também precisamos ter muito esporte, para prevenir duas drogas: química e digital."
Cury pergunta a Caiado, que promete ampliar cursos profissionalizantes
Cury perguntou a Caiado sobre ensino técnico. O candidato do PSD prometeu ampliar a profissionalização. "Eles [os estudantes] vão sair com dois diplomas", disse.
"O governo Lula não prestigiou essa situação da pessoa ganhar seu próprio dinheiro ao final do Ensino Médio."
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Em entrevista à Record transmitida durante o debate, Lula fala sobre investigações contra o filho: 'Se alguém cometeu erro, e esse erro trouxe prejuízo aos cofres públicos, essas pessoas terão que pagar'
Crédito, Record
Ausente do debate entre candidatos à presidência promovido pela Rede Bandeirantes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu entrevista neste domingo à Rede Record.
Na entrevista de 20 minutos, transmitida durante o debate, Lula respondeu a perguntas sobre sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre segurança pública, violência contra a mulher, sobre economia e sobre as investigações contra o filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
"Se alguém está agindo de forma equivocada, esse alguém vai ter que ser investigado", afirmou o presidente. "Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se. E todo mundo tem direito de provar se é inocente."
"Mas se alguém cometeu erro, e esse erro trouxe prejuízo aos cofres públicos, essas pessoas terão que pagar", continuou Lula.
Lulinha é investigado em três inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Um deles apura sua suposta atuação para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, na sua tentativa de fornecer canabidiol para o Sistema Único de Saúde.
A Polícia Federal apura se Lulinha atuou para facilitar o acesso de Antunes a autoridades do Ministério da Saúde. Há registros de que o lobista esteve cinco vezes na pasta entre 2024 e 2025, mas não foi fechado contrato para fornecimento do produto.
Apontado pela PF como um dos principais operadores das fraudes no INSS, Antunes está preso preventivamente desde setembro. As investigações também apuram o envolvimento da empresária Roberta Luchsinger, apontada como amiga próxima de Lulinha e elo entre ele e Antunes, sendo suspeita de ter intermediado pagamentos para o filho do presidente.
O segundo inquérito envolve suposta atuação do filho do presidente para facilitar contratos com a Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência).
Há poucos detalhes públicos sobre a terceira investigação, que também apura suposto tráfico de influência de Lulinha no governo federal.
"Meu filho sabe que, se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado. Mas ele tem que provar a inocência dele, e ele sabe disso", afirmou Lula na entrevista deste domingo.
Renan Santos fala novamente em guerra às facções
Na réplica, Renan Santos fala novamente sobre crime organizado. "Vou iniciar um banho de sangue contra os membros das facções", diz.
Cury, em sua tréplica, afirma que "pior do que o crime organizado é o Estado desorganizado". Ele diz que tem um projeto chamado "Força de alerta total", para fortalecer a Polícia Federal, que não pode ter "interferência política como está tendo".