Flávio Bolsonaro tem 47% e Lula 45% dos votos no primeiro turno

Parte dos analistas relaciona reação à expectativa de uma política econômica mais voltada ao controle das contas públicas em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), que largou na frente para enfrentar Lula em 25 de outubro. Veja os senadores vencedores, a votação de deputados até agora e análises do que esperar no segundo turno.

Pontos-chave

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  • Flávio Bolsonaro
  • Lula
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  • Thomas Piketty
  • A repórter Giulia Granchi sentada, gesticulando no estúdio
  • Desenho de urna eletrônica
  • Giulia Granchi

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Daniel Gallas, Giulia Granchi, Julia Braun e Pedro Martins, da BBC News Brasil em Londres e em São Paulo

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  2. Como votaram as capitais brasileiras no primeiro turno

    Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente em 16 das 27 capitais, incluindo Brasília. Lula (PT) venceu em 11.

    O senador venceu em 6 das 7 capitais do Norte — a exceção foi Belém. Ele também ganhou nas 4 capitais do Centro-Oeste.

    Já o presidente Lula venceu em 8 das 9 capitais do Nordeste — a exceção foi Maceió.

    No Sudeste, a única capital que deu vitória a Lula foi São Paulo. Já no Sul, o presidente ganhou em Porto Alegre.

  3. Os gráficos que explicam como Flávio Bolsonaro chegou à frente de Lula no 1º turno

    Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão disputar o segundo turno da eleição presidencial em 25 de outubro, depois do 1º turno mais apertado desde a redemocratização.

    Flávio terminou em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Apenas 2,2 milhões de votos separaram os dois candidatos.

    O resultado contrariou as pesquisas eleitorais, que apontavam uma pequena vantagem de Lula na reta final da campanha.

    Mas onde Flávio abriu vantagem? Como votos nulos, brancos e abstenção influenciaram no resultado?

    A BBC News Brasil selecionou seis mapas e gráficos que ajudam a entender o resultado das urnas e o cenário que se tenha para o 2º turno. Confira na reportagem.

  4. Expectativa de ajuste fiscal e esquerda sem sucessor após Lula alimentam euforia da bolsa e do dólar, dizem economistas

    Notas de real e arte ilustrando a alta de ativos financeiros

    Os mercados financeiros brasileiros vivem um dia de euforia nesta segunda-feira (5/10), após o inesperado resultado do 1º turno das eleições, com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por 47,03% a 45,16% dos votos válidos.

    O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, bateu o recorde histórico por volta da 10h40, aos 209,6 mil pontos. Há pouco, o índice operava em alta de 8,75%, aos 208,9 mil pontos.

    Já o dólar comercial operava em queda de 4,32%, cotado a R$ 4,99, tendo chegado mais cedo abaixo de R$ 4,95.

    Para Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, a forte reação positiva do mercado se deve em parte ao inesperado do resultado.

    "Sera assim ainda nos próximos dias, e se as pesquisas confirmarem uma distância ainda maior do Flávio em relação ao Lula haverá novo rali", prevê Vale. "Rali" é a expressão usada no mercado financeiro para um período de alta forte e rápida nos preços das ações.

    Para Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, não é apenas a vantagem de Flávio que explica o forte desempenho dos ativos domésticos, mas uma combinação de fatores.

    Dentre eles, ele cita a expectativa de um ambiente mais propenso para um ajuste fiscal e a visão de que, se Lula for derrotado no segundo turno, a esquerda ficará sem sucessor nos próximos anos.

    "Temos três fatores na nossa avaliação [para o rali dos mercado nesta segunda-feira]: a agenda fiscalista de Flávio; a composição mais ortodoxa do Congresso, que dentre diversas coisas viabilizaria um ajuste fiscal e reformas estruturantes necessárias; e a potencial ultima eleição em que Lula participará, deixando a esquerda sem sucessor e mitigando a possibilidade alternância tão em breve para um novo desarranjo expansionista", diz Sanchez.

    Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a bancada de direita na Câmara dos Deputados cresceu de 248 para 260 deputados — um ganho de 12 cadeiras em relação a 2022 —, enquanto os campos de centro e centro-esquerda encolheram.

    No Senado, o movimento foi mais expressivo ainda: a bancada de direita aumentou de 32 para 48 senadores, de acordo com a análise do Diap.

    Vale observa, porém, que ainda não é certo que Flávio vá de fato fazer um ajuste fiscal, se eleito.

    "Vai depender das escolhas na Fazenda especialmente", afirma. "Não é um ajuste fiscal simples pela frente e vai precisar de alguém com articulação no Congresso pra aprovar tudo que se precisa."

    Ele também avalia que existe um risco concreto de que Flávio, uma vez na presidência, desperdice a oportunidade de ajustar as contas públicas, gastando energia com a tentativa de livrar seu pai da prisão, uma de suas principais promessas de campanha.

    "Isso é um grande risco e se for por aí vamos perder um tempo precioso para os ajustes. Seria um enorme erro", avalia.

    Para Sanchez, da Ativa Investimentos, a volatilidade nos mercados financeiros deve se manter nas próximas semanas.

    "Depois que concretizado o resultado das eleições presidenciais, deveremos assistir um novo movimento, seja no sentido que estamos assistindo caso o Flávio venha a vencer, ou no sentido contrario caso o Lula seja reeleito", prevê.

    "Mas vale destacar que as incertezas ainda são grandes, apenas se reduziram. O que significa que ainda deveremos assistir alguma volatilidade."

  5. Como cearenses derrubaram Tiririca após 14 anos eleito por SP

    Tiririca falando ao microfone

    Conhecido pelo bordão "Pior que tá, não fica", o humorista Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca (PSD), não conseguiu se reeleger deputado federal nas eleições deste domingo (4/10).

    Depois de ser o deputado mais votado de 2010, com mais de 1,3 milhão de votos em São Paulo em 2010, e se reeleger mais três vezes pelo Estado, Tiririca decidiu mudar de partido e transferir sua candidatura para sua terra natal, o Ceará.

    Não deu certo: ele obteve 5.523 votos em sua primeira disputa no Estado nordestino, bem longe do necessário para ocupar uma das 22 cadeiras do Estado na Câmara dos Deputados.

    É a primeira derrota de Tiririca nas urnas, que deixará o cargo ao fim da atual legislatura, em 31 de janeiro de 2027.

  6. Bolsa segue em alta após disparo desta manhã

    O Ibovespa segue em alta após ter disparado na abertura do mercado brasileiro, operando em alta de 8% agora, com 209 mil pontos.

    O dólar, que no início da manhã recuava mais de 4% e era cotado a R$ 4,99, agora sofreu ligeira alta, sendo cotado a R$ 5,14.

    Parte dos analistas relaciona a reação à expectativa de uma política econômica mais voltada ao controle das contas públicas em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL).

    Ao jornal britânico Financial Times, o economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, William Jackson, disse que a perspectiva de uma política fiscal mais rígida deve ser bem recebida pelos investidores.

    O movimento lembra o de 2022: no dia seguinte ao primeiro turno daquela eleição, em que Jair Bolsonaro teve desempenho acima do previsto pelas pesquisas, a bolsa subiu quase 5% e o dólar caiu mais de 4%.

  7. Para onde vão os votos de Cury, Renan e Caiado?

    Renan Santos, Caiado e Cury

    Com a definição da disputa no segundo turno entre Lula e Flávio, a expectativa agora é saber para onde devem ir os outros cerca de 9,3 milhões de votos conquistados pelos demais candidatos.

    Ontem, Flávio teve 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% da preferência do eleitorado por Lula. Foi o resultado mais apertado em um primeiro turno desde a redemocratização, em 1989.

    Na chamada "terceira via", Augusto Cury (Avante) teve 2,89% dos votos válidos, enquanto Renan Santos (Missão) somou 2,24% e Ronaldo Caiado (PSD), 2,18%.

    Além deles, também disputaram as eleições Romeu Zema (Novo, com 0,27% dos votos), Samara Martins (UP, com 0,10%), Hertz Dias (PSTU, com 0,04%), Clariana Barão (DC, com 0,03%), Edmilson Costa (PCB, com 0,02%), Rui Costa Pimenta (PCB, com 0,01%) e Wilson Grassi (Democrata, com 0,01%).

  8. Nikolas e Pavanato batem recorde de votos para deputado

    Pela primeira vez na história, dois candidatos a deputado federal passaram dos 3 milhões de votos. Nikolas Ferreira (PL-MG) teve 3,12 milhões em Minas Gerais e ultrapassou, na reta final da apuração, Lucas Pavanato (PL-SP), que somou 3,04 milhões em São Paulo.

    Até agora, o recorde era de Eduardo Bolsonaro, eleito por São Paulo em 2018 com 1,84 milhão de votos.

    Nikolas, de 30 anos, já tinha sido o deputado federal mais votado do país em 2022, com 1,49 milhão de votos. Pavanato, de 28 anos, foi o vereador mais votado da cidade de São Paulo em 2024, com 161,4 mil votos.

    Em terceiro lugar no ranking nacional ficou Erika Hilton (PSOL-SP), com quase 1,6 milhão de votos. Entre os dez mais votados, seis são de partidos de direita e quatro de esquerda. O PL, mesmo partido de Flávio Bolsonaro, tem quatro nomes na lista.

    Lucas Pavanato (PL-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG)
    Legenda da foto, Lucas Pavanato (PL-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG) são os dois primeiros candidatos a deputado federal a bater 3 milhões de voto
  9. Bolsa dispara e dólar cai abaixo de R$ 5 após 1º turno

    A bolsa de valores brasileira disparou nesta segunda-feira (5/10), em reação ao resultado do primeiro turno das eleições.

    Por volta das 11h15, o Ibovespa, principal índice da bolsa, que reúne as ações das maiores empresas do país, subia quase 9%, aos 209 mil pontos. É a primeira vez na história que o índice passa dos 200 mil pontos.

    O dólar também caiu: por volta das 10h, a moeda americana recuava mais de 4% e era cotada a R$ 4,99, abaixo de R$ 5.

    Parte dos analistas relaciona a reação à expectativa de uma política econômica mais voltada ao controle das contas públicas em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), que teve mais votos do que Lula (PT) no primeiro turno.

    Ao jornal britânico Financial Times, o economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, William Jackson, disse que a perspectiva de uma política fiscal mais rígida deve ser bem recebida pelos investidores.

    O movimento lembra o de 2022: no dia seguinte ao primeiro turno daquela eleição, em que Jair Bolsonaro teve desempenho acima do previsto pelas pesquisas, a bolsa subiu quase 5% e o dólar caiu mais de 4%.

  10. Câmara terá a maior bancada feminina da história

    Câmara dos Deputados em Brasília
    Legenda da foto, Câmara dos Deputados em Brasília

    A partir de fevereiro de 2027, a Câmara dos Deputados terá a maior bancada feminina da sua história. Foram 108 mulheres eleitas, 17 a mais do que em 2022, quando 91 deputadas federais conquistaram vaga, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    Mesmo com o recorde, as mulheres vão ocupar pouco mais de um quinto das 513 cadeiras da Casa. Os partidos que mais elegeram mulheres foram o PT, com 26 deputadas, e o PL, com 22.

    Pela Lei das Eleições, partidos e federações precisam ter ao menos 30% de candidaturas de cada gênero nas disputas para deputado e vereador.

    Na prática, a regra garante que pelo menos 30% dos candidatos sejam mulheres, que também devem receber ao menos 30% dos recursos públicos de campanha e do tempo de propaganda gratuita. A lei, porém, não exige um número mínimo de eleitas.

  11. Netanyahu parabeniza Flávio e fala em 'restaurar' amizade com o Brasil

    O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também parabenizou Flávio Bolsonaro (PL) pelo resultado do primeiro turno. Em publicação nas redes sociais, Netanyahu desejou "boa sorte na final" ao senador e disse estar ansioso para "restaurar a extraordinária amizade entre Israel e o Brasil".

    A mensagem é uma referência aos anos de atrito entre os dois países durante o governo Lula (PT). O presidente brasileiro se tornou um dos críticos mais duros da ofensiva israelense na Faixa de Gaza, que classifica como "genocídio".

    Em 2024, depois de Lula comparar as ações de Israel em Gaza ao extermínio de judeus pelo regime nazista, o governo israelense o declarou persona non grata, e o Brasil chamou de volta seu embaixador em Tel Aviv.

    Já a família Bolsonaro mantém uma relação próxima com Netanyahu. Jair Bolsonaro visitou Israel em 2019, durante seu mandato, e o programa de governo de Flávio fala em reconstruir as relações com o país.

    • Leia também:Sionismo cristão: por que evangélicos empunham a bandeira de Israel
    Flávio Bolsonaro e Benjamin Netanyahu
    Legenda da foto, Flávio Bolsonaro e Benjamin Netanyahu
  12. Bancada recorde do PL no Senado pode aprovar impeachment de ministros do STF?

    A senadora Michelle Bolsonaro (PL)
    Legenda da foto, A senadora Michelle Bolsonaro (PL)

    Ao fim do primeiro turno, a bancada bolsonarista no Senado chegou a 44 dos 81 senadores, segundo levantamento feito pela cientista política e pesquisadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Beatriz Rey, encaminhado à BBC News Brasil.

    Apesar do seu tamanho, ela não será capaz de, sozinha, aprovar o impeachment de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), já que são necessários 54 votos.

    Mesmo assim, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que essa nova composição de forças no Senado vai aumentar a pressão sobre o Judiciário.

    Entenda, na reportagem da BBC, qual é o caminho para que um ministro do Supremo sofra um impeachment e como o resultado destas eleições podem ser um facilitador para que isso aconteça.

  13. Quais são os obstáculos de Lula para tentar virada inédita no 2º turno?

    O presidente Lula (PT) em discurso após derrota no primeiro turno das eleições
    Legenda da foto, O presidente Lula (PT) em discurso após derrota no primeiro turno das eleições

    Derrotado por Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentará sua maior batalha eleitoral desde que se elegeu pela primeira vez, em 2002.

    Ele terá que reverter a abstenção entre eleitores mais pobres, recuperar a perda de votos em todos os Estados do Nordeste, melhorar o desempenho em São Paulo e Minas Gerais — onde foi derrotado — e disputar os votos dados no primeiro turno a Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).

    Desde a redemocratização do Brasil, em 1988, nunca houve uma virada entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial.

    Lula teve 45,1% dos votos no primeiro turno e ficou atrás de Flávio Bolsonaro, que terminou com 47% dos votos.

  14. Veja quem são os senadores eleitos nas eleições de 2026

    A apuração do primeiro turno neste domingo (5/10) definiu 54 novos senadores. Nesta eleição, dois terços das 81 vagas do Senado foram renovados.

    O PL foi o grande vencedor: foram 19 eleitos ao todo, com vitórias em alguns Estados-chave. Com isso, passa a ter a maior bancada, com 28 senadores.

    O MDB ficou em segundo, com 7 novos senadores, e o PT, em terceiro, com 6.

  15. Trump menciona eleição brasileira, mas não cita candidatos

    Apoiadores de Flávio Bolsonaro seguram inflável de Donald Trump durante comício de 7 de Setembro em São Paulo.
    Legenda da foto, Apoiadores de Flávio Bolsonaro seguram inflável de Donald Trump durante comício de 7 de Setembro em São Paulo.

    O presidente americano Donald Trump citou a eleição brasileira em sua rede social.

    "125 milhões de pessoas votaram hoje no primeiro turno da eleição presidencial do Brasil. Os resultados saíram pouco tempo depois do encerramento da votação, no mesmo dia!", escreveu o americano na rede Truth Social.

    Em seguida, Trump fez críticas ao sistema eleitoral dos Estados Unidos.

    "Em Detroit, Filadélfia, Califórnia e várias outras cidades e estados dos EUA, os resultados, com números muito menores, frequentemente demoram semanas para serem fraudados - quer dizer, calculados. A votação nos Estados Unidos é corrupta!", continuou.

    'O Brasil será meu': projeção em São Paulo ironiza interesse de Trump na eleição presidencial brasileira
    Legenda da foto, 'O Brasil será meu': projeção em São Paulo ironiza interesse de Trump na eleição presidencial brasileira
  16. Flávio x Lula: o que separa (e o que une) os projetos que vão ao 2º turno

    Daqui a três semanas, o eleitor vai escolher entre dois projetos de país bem diferentes. É o que mostram os programas de governo que Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registraram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e as posições que os dois vêm defendendo publicamente.

    Na economia, a diferença começa no papel do Estado. Lula quer um governo mais ativo para estimular o crescimento e reduzir desigualdades, com os mais ricos pagando proporcionalmente mais impostos. Flávio aposta na iniciativa privada: corte de gastos, privatizações, menos ministérios e menos impostos.

    Na segurança pública, o programa de Lula foca em sufocar financeiramente as facções e investir em inteligência. Já Flávio quer endurecer as penas, reduzir a maioridade penal para 16 anos, classificar facções como PCC e Comando Vermelho como "organizações narcoterroristas" e construir presídios de segurança máxima inspirados nos de El Salvador.

    Toalhas estampadas com os rostos de Lula, Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro

    Outro ponto de embate é o destino dos condenados pelos ataques de 8 de Janeiro: Flávio promete anistia a eles e ao pai, Jair Bolsonaro, enquanto Lula quer manter as punições. E, no trabalho, Lula defende o fim da escala 6x1, enquanto Flávio prefere que a jornada seja negociada entre trabalhador e empregador.

    Mas nem tudo é divergência. Os dois programas veem a inteligência artificial como uma oportunidade, querem ampliar ferrovias, biocombustíveis e saneamento básico e prometem fortalecer o seguro rural.

  17. Preso e inelegível, Jair Bolsonaro é 'vitorioso' da eleição

    Apoiadores carregam quadro de Jair Bolsonaro nas ruas

    Embora fora do páreo, Jair Bolsonaro (PL) sai como um dos grandes vencedores deste primeiro turno.

    Para além do Flávio, que saiu na dianteira na corrida presidencial, o segundo filho Carlos Bolsonaro (PL) foi eleito senador por Santa Catarina.

    Michelle Bolsonaro (PL), esposa de Jair Bolsonaro, se elegeu senadora pelo Distrito Federal. Jair Renan, filho mais novo do ex-presidente, também se deputado federal por Santa Catarina.

    Desde o início da corrida eleitoral, Bolsonaro defendeu a candidatura do filho mais velho, em meio a uma disputa pelo seu legado que envolvia os outros filhos, a esposa, e o governador de São Paulo reeleito neste domingo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

    "Jair sai como um dos vitoriosos, porque se confirmando a vitória do filho, que ele bancou a candidatura, que muitos acharam que não ia decolar, abre-se a oportunidade da anistia", afirma o cientista político Murillo Aragão, da Arko Advice.Veja 8 mapas e gráficos que explicam o resultado do 1º turno da eleição presidencial.

  18. O que os jornais estrangeiros disseram sobre o 1º turno

    Reportagem do jornal argentino Clarin
    Legenda da foto, Jornal argentino Clarin fala em 'surpresa' no Brasil

    Clarín, Argentina

    O jornal argentino Clarín falou em "uma virada surpreendente e dramática".

    O Clarín deu destaque à abstenção, de cerca de 21%, e a interpretou como um voto de castigo dos eleitores de baixa renda, tradicionalmente fiéis a Lula, sufocados por dívidas. Segundo o jornal, oito em cada dez famílias recorrem a empréstimos para cobrir necessidades básicas.

    Le Monde, França

    O francês Le Monde observou que, assim como em 2018, as pesquisas subestimaram a força da direita.

    O jornal também destacou duas vitórias emblemáticas nos Estados. Tarcísio de Freitas foi reeleito em São Paulo com mais de 60% dos votos, em uma derrota dura para Fernando Haddad, e Sergio Moro, o juiz que condenou Lula em primeira instância, foi eleito governador do Paraná.

    Financial Times, Reino Unido

    Para o britânico Financial Times, Flávio larga em vantagem para o segundo turno, já que a maioria dos outros candidatos do primeiro turno vem de partidos de direita.

    O Financial Times destacou a reação esperada dos investidores. Segundo William Jackson, economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, o resultado deve ser bem recebido diante da perspectiva de uma política fiscal mais rígida sob Bolsonaro. Ele considera plausível uma forte alta do real e da bolsa nos próximos dias.

  19. Bem-vindos!

    Bom dia e bem-vindos à cobertura ao vivo da BBC News Brasil do dia seguinte ao primeiro turno das eleições.

    Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão se enfrentar no segundo turno, em 25 de outubro. Com 100% das urnas apuradas, Flávio terminou o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    O resultado contrariou as pesquisas, que davam leve vantagem ao petista. Lula classificou o resultado como inesperado, e Flávio disse que ele mostra que o Brasil quer mudança.

    Ao longo do dia, acompanhe aqui as reações dos candidatos e de seus aliados, a repercussão no Brasil e no exterior, as primeiras movimentações para o segundo turno e análises sobre o que o resultado das urnas diz sobre o país.