'VAR está indo longe demais': gol anulado da Croácia reacende debate na Copa do Mundo

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- Author, Neil Johnston
- Role, BBC Sport*
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- Tempo de leitura: 5 min
"Uma das decisões mais importantes do VAR de todos os tempos."
Foi assim que o jornalista esportivo da BBC Steve Wilson classificou a jogada que deu a Cristiano Ronaldo a chance de prolongar sua possível última participação em Copas do Mundo.
Com o jogo das oitavas de final entre Croácia e Portugal chegando ao fim, o zagueiro croata Josko Gvardiol empatou a partida em 2 a 2, resultado que levaria a disputa para a prorrogação. Mas então o Árbitro Assistente de Vídeo (VAR, na sigla em inglês) entrou em ação.
Em meio à comemoração croata e à expressão de decepção de Cristiano Ronaldo, que acabara de marcar seu primeiro gol em eliminatórias de Copa do Mundo antes de ser substituído, o árbitro norueguês Espen Eskas anunciou a revisão do lance por um possível impedimento.
A grande questão era: o croata Matanović havia desviado a bola no lance anterior? Se sua cabeça tivesse tocado na bola, ele estaria impedido; caso contrário, o gol seria validado.
Eskas foi até o monitor e revisou repetidamente as imagens, que à primeira vista não pareciam oferecer uma conclusão clara. No entanto, uma variação no sinal captada por um sistema de detecção de contato acusou o toque, e o gol foi anulado.
Foi praticamente o último lance da partida, que terminou 2 a 1 para Portugal.
A decisão provocou o caos: torcedores croatas enfurecidos atiraram garrafas de plástico no campo enquanto viam o sonho do título mundial desaparecer da maneira mais cruel.
Para a lenda croata de 40 anos, Luka Modrić, o episódio certamente marcou o fim de sua carreira em Copas do Mundo. Já a jornada de Ronaldo ganhou uma sobrevida, poucas horas depois de sua irmã descrever o torneio como sua "última dança", indicado que esta deverá ser a despedida do craque de mundiais.
Sensores na bola
A bola oficial Trionda, fabricada pela Adidas para a Copa do Mundo deste ano, incorpora um microchip capaz de detectar o que nem o árbitro, nem os comentaristas de futebol, nem mesmo as imagens do VAR conseguiram captar no segundo gol da Croácia.
A tecnologia permite a transmissão de dados precisos para o VAR imediatamente e em tempo real.
Não é a primeira vez que um microchip do tipo é usado, embora esta tenha sido a mais divulgada: tecnologia semelhante já estava em uso na Copa do Mundo de 2022 e no Campeonato Europeu de 2024.

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Fim do Promoção Agregador de pesquisas
Após a partida, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) explicou em sua conta no Twitter a decisão por trás do gol croata anulado:
"De acordo com os dados fornecidos pela Tecnologia de Bola Conectada, presente na bola oficial da Copa do Mundo da FIFA, a Trionda, da Adidas, foi comprovado que houve um toque do camisa 20 da Croácia, Igor Matanović, na jogada que antecedeu o gol contra Portugal. Isso permitiu que a equipe de arbitragem determinasse corretamente a posição de impedimento e anulasse o gol", afirmou a autoridade máxima do futebol.
"Os sensores IMU [sigla em inglês para Unidade de Medição Inercial] instalados dentro da bola Trionda são capazes de detectar até mesmo os contatos mais sutis. Essas informações são exibidas aos espectadores durante a transmissão por meio de um 'gráfico de impulsos' e fornecem aos árbitros um nível sem precedentes de dados para tomar decisões rápidas e precisas."
No programa matinal On 5 Live da BBC Radio, Eric Goff, professor de engenharia esportiva da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, explicou como a tecnologia microscópica embutida na bola levou à anulação do gol da Croácia.
"O sistema funciona por meio do que é conhecido como Unidade de Medição Inercial, ou IMU. É um dispositivo de apenas alguns gramas, que fica embutido em um dos quatro painéis da bola. Para evitar que o centro de massa da bola se desloque da sua posição central, são colocadas massas de contrapeso nos outros painéis", disse Goff,
Segundo o professor de engenharia, este dispositivo permite a coleta de dados da bola a uma frequência de 500 hertz, ou 500 vezes por segundo. Na prática, isso significa que, no instante em que a chuteira ou alguma parte do corpo do jogador entra em contato com a bola, um registro é gravado com precisão de dois milissegundos.
"Além disso, há uma dúzia de câmeras posicionadas acima do estádio que gravam os 22 jogadores em campo 50 vezes por segundo. Graças a isso, é possível determinar com precisão — dentro dessa margem de dois milissegundos — onde os jogadores estavam em campo no momento do contato", disse o acadêmico.
"No caso da Croácia, ao que tudo indica, a bola estava em contato com o jogador croata, e foi detectada uma leve variação de movimento fora dessa estreita janela de dois milissegundos."
Para Groff, seria importante que a Fifa tornasse públicos os dados da bola naquele momento específico, "para mostrar a aceleração máxima (por menor que seja) que ocorreu no contato com aquele jogador".

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Repercussões da decisão
Na coletiva de imprensa pós-jogo, o técnico da Croácia, Zlatko Dalić, evitou entrar em detalhes sobre o gol anulado, mas reservou palavras duras para os árbitros.
"Não vou comentar muito sobre isso [a anulação], mas direi que a arbitragem foi muito ruim. Eles não marcaram faltas ou lances de bola parada que deveriam ter sido marcados, embora isso não seja desculpa para a derrota. A arbitragem foi terrível."
Sobre o VAR, ele também não poupou palavras: "O VAR mata a emoção. Mata tudo o que existe dentro de você. Fomos longe demais com o VAR" , declarou Dalić.
O técnico de Portugal, Roberto Martínez, mostrou-se mais conciliador.
"É uma pena que uma das duas equipes tenha que perder, mas não foi uma decisão ruim, nem uma questão de sorte. Foi um lance claro: as bolas agora têm chip, e o sensor indica que a bola foi tocada."
*Com informações da transmissão ao vivo da partida do site em inglês da BBC.


























