Suspeito de matar turista canadense a tiros em piramides do México é identificado; brasileira está entre os feridos

    • Author, Darío Brooks
    • Role, BBC News Mundo
  • Tempo de leitura: 6 min

Um ataque a tiros na zona arqueológica das famosas pirâmides de Teotihuacán, no México, deixou uma turista canadense morta e 13 pessoas feridas nesta segunda-feira (20/4).

O suposto autor foi identificado como Julio César Jasso Ramírez, 27 anos. A Procuradoria-Geral do Estado do México afirmou que ele carregava um documento de identidade mexicano.

Segundo autoridades mexicanas, ele chegou ao local como um turista comum e atirou contra os visitantes em uma das pirâmides.

Em meio ao ataque, ele foi cercado pela polícia e tirou a própria vida durante o confronto, de acordo com as autoridades.

Entre as vítimas com ferimentos estão uma menina brasileira de 13 anos, seis americanos, três colombianos, um canadense, um russo e uma holandesa.

De acordo com o sistema de saúde IMSS Bienestar, sete pessoas foram levadas a um hospital próximo com diferentes ferimentos.

"Quatro apresentavam lesões por arma de fogo, uma sofreu fratura, outra teve uma torção e mais uma foi atendida por crise de ansiedade", disse em comunicado publicado no X.

A ocorrência foi atendida por agentes da Guarda Nacional do México e da polícia, que apreenderam no local uma arma de fogo, munições e uma arma branca.

Em entrevista coletiva nesta terça, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que nunca viu nada parecido no México. "É a primeira vez que isso acontece", disse.

Sheinbaum também informou que as investigações indicam que o autor dos disparos "apresentava sinais de problemas psicológicos".

"Não se trata de algo ligado ao crime organizado; foi um ato premeditado. Obviamente, a investigação deve continuar. Neste caso, não devemos especular", acrescentou.

Na segunda-feira, Sheinbaum já havia se manifestado nas redes sociais.

"O que ocorreu hoje em Teotihuacán nos causa profunda dor. Manifesto minha solidariedade às pessoas afetadas e suas famílias. Estamos em contato com a embaixada do Canadá", escreveu no X.

"Instruí o Gabinete de Segurança a investigar minuciosamente esses eventos e a fornecer todo o apoio necessário. Funcionários do Ministério do Interior e do Ministério da Cultura já estão a caminho do local para prestar assistência e apoio, juntamente com as autoridades locais. Estou acompanhando de perto a situação e continuarei fornecendo atualizações oportunas por meio do Gabinete de Segurança."

O que se sabe sobre o ocorrido?

O primeiro chamado para os serviços de emergência foi recebido às 11h20 da manhã de segunda-feira, relatando um homem "ameaçando civis".

De acordo com o chefe da polícia do Estado do México, Cristóbal Castañeda Carrillo, câmeras de segurança registraram o atirador ameaçando turistas na Pirâmide da Lua, que, junto com a Pirâmide do Sol, é uma das duas principais construções do sítio arqueológico.

Forças de segurança chegaram ao local sete minutos depois.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o atirador caminhando armado pelo local, enquanto outras pessoas aparecem caídas em uma das plataformas da Pirâmide da Lua.

Em um dos vídeos, é possível ouvir ele ameaçando matar os visitantes que chama de "reféns" e ordenando que alguém desça da pirâmide para avisar as autoridades para se retirarem. Ele supostamente atira em uma das pessoas e dispara vários tiros para o ar.

Laura Torres, uma jovem que visita o local, disse que viu o suspeito "atirando na pirâmide".

Segundo o relato, o atirador permitiu que algumas descessem, mas atirou contra outras ainda no local. A testemunha disse ter ouvido "mais de 20" tiros.

"Primeiro eram esporádicos, depois começaram a acontecer um atrás do outro", contou Torres a repórteres.

Muitos turistas entraram em pânico e começaram a correr em direção às saídas, acrescentou.

"Quando os membros da Guarda Nacional chegaram — como é de conhecimento público e algumas imagens já circulam — o suposto atirador disparou contra eles", relatou Castañeda Carrillo.

Dois agentes de segurança então escalaram um dos lados da pirâmide e surpreenderam o atirador, que atirou.

Segundo a investigação, um membro da Guarda Nacional conseguiu feri-lo na perna, e o atirador usou a própria arma para tirar a própria vida.

De acordo com as autoridades, Ramírez portava um revólver calibre 38 com capacidade para seis cartuchos. Ele teria conseguido recarregá-lo duas vezes.

Segundo Castañeda, tudo indica que o suspeito agiu sozinho.

O Secretário Federal de Segurança, Omar García Harfuch, afirmou nesta terça-feira que a atuação das forças de segurança "impediu que ele continuasse o ataque e evitou a perda de mais vidas".

"Em outras palavras, se ele não tivesse sido ferido por membros da Guarda Nacional, é muito provável que esse indivíduo tivesse tirado a vida de mais vítimas", reiterou.

As pirâmides de Teotihuacán estão entre os sítios arqueológicos mais visitados do México, recebendo mais de 1,5 milhão de turistas por ano. O complexo faz parte do Patrimônio Mundial da UNESCO e fica ao norte da Cidade do México.

Quem são as vítimas?

As autoridades mexicanas ainda não divulgaram a identidade da turista canadense, que foi baleada e morreu no local, segundo a investigação.

Entre os três colombianos feridos, três foram atingidos pelos tiros, incluindo um menino de 6 anos. Dois dos seis americanos também sofreram ferimentos devido aos disparos, assim como uma menina brasileira de 13 anos e o cidadão russo.

Os demais sofreram ferimentos leves devido a quedas ou impactos com pedras enquanto tentavam descer as escadas da Pirâmide da Lua em busca de segurança.

De acordo com Castañeda Carrillo, seis das sete vítimas de tiros já haviam recebido alta do hospital na terça-feira. Nenhuma das vítimas corria risco de vida.

O que se sabe sobre o agressor?

Segundo as investigações iniciais, Ramírez agiu sozinho e planejou o ataque.

"Este ato não foi espontâneo", afirmou o Procurador-Geral do Estado do México, José Luis Cervantes Martínez.

"Sabemos que este indivíduo visitou o sítio arqueológico previamente. Hospedou-se em hotéis próximos. E, de lá, planejou os locais onde pretendia cometer o ato violento."

No domingo, ele se hospedou em um hotel próximo ao sítio arqueológico e, na manhã de segunda-feira, pegou um Uber para chegar lá.

Ao entrar na zona arqueológica, ele carregava uma mochila, um revólver calibre 38 e uma faca. Também portava uma bolsa com 52 cartuchos de munição.

Entre seus pertences, havia "literatura, imagens e manuscritos relacionados a eventos violentos que se sabe terem ocorrido nos EUA em abril de 1999", disse o procurador Cervantes Martínez.

As informações apontam para o massacre que também ocorreu em 20 de abril, mas em 1999, na Columbine High School, nos EUA, no qual dois atiradores mataram 13 estudantes em um tiroteio em massa.

Segundo o promotor, um possível motivo para Ramírez é a imitação, ou seja, a apropriação indevida das ações de outros agressores.

"As evidências coletadas até o momento, baseadas em provas circunstanciais, traçam um perfil psicopático do agressor, caracterizado por uma tendência a copiar situações que ocorreram em outros lugares, em outros momentos e por outras pessoas."

Ramírez teria imitado as roupas de um dos atiradores de Columbine e também teria escrito em algumas anotações que "teve alguma inspiração além desta terra para fazer essas coisas".

"Neste caso, é um indício e uma hipótese investigativa de que foi isso que aconteceu", acrescentou.

De acordo com a imprensa mexicana, um documento de identidade encontrado entre seus pertences indicava um endereço na Cidade do México. No entanto, as autoridades determinaram que ele era originário de Tlapa, uma cidade no estado de Guerrero, no sul do país.