Chanceler alemão diz que permanecerá no cargo após 'desastre' nas eleições e crescente pressão

O chanceler alemão Friedrich Merz faz uma declaração após a divulgação das primeiras pesquisas de boca de urna das eleições estaduais de Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, na sede da CDU em Berlim.

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Merz divulgou uma declaração logo após a divulgação das pesquisas de boca de urna em Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
    • Author, Amy Walker
    • Author, Jessica Parker
    • Role, correspondente em Berlim
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O pressionado chanceler alemão Friedrich Merz prometeu permanecer no cargo, apesar de pesquisas de boca de urna em duas eleições locais indicarem derrotas significativas para seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), de centro-direita.

No estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste do país, a projeção era de que o partido conseguisse entrar no parlamento estadual por uma margem apertada, enquanto o partido de direita radical Alternativa para a Alemanha (AfD) estava a caminho de obter o maior número de votos.

Merz classificou o resultado como "um desastre" para seu partido.

Em Berlim, a CDU, que governa a cidade, também deveria ser derrotada pelo partido de esquerda Die Linke.

Merz está sob crescente pressão, com baixos índices de aprovação e rumores de que ele poderia até ser substituído no meio do mandato em uma chamada troca de chanceler.

As eleições ocorreram neste domingo (20/9), duas semanas depois de a CDU ter visto sua votação cair pela metade, quando a AfD obteve uma grande vitória no estado da Saxônia-Anhalt.

Repetindo comentários que fez após aquela derrota, Merz disse a jornalistas no domingo que seguiria adiante com os planos de seu governo de coalizão para aprovar um pacote de reformas econômicas, tributárias e de assistência social.

"As reformas precisam acontecer", insistiu. "Estou assumindo essa responsabilidade porque quero fazer nosso país avançar."

"Eu iria ainda mais longe e diria que essas reformas são o antídoto para o veneno autoritário que, com o fascínio pelo autoritarismo, está penetrando cada vez mais profundamente em nossa sociedade", acrescentou Merz.

Elif, que tem cabelos castanhos na altura dos ombros e veste uma camisa branca sem mangas, aparece comemorando e abraçando uma mulher, enquanto outras pessoas ao redor demonstram euforia

Crédito, EPA

Legenda da foto, A principal candidata do Die Linke em Berlim, Elif Eralp, comemora após a divulgação das pesquisas de boca de urna

À medida que os resultados projetados apareciam na tela durante o evento da noite eleitoral da CDU em Berlim, não houve comemoração nem aplausos.

Este é um partido que sabe que está em apuros.

Friedrich Merz está partindo para a ofensiva, declarando rapidamente que não vai a lugar algum.

Ele há muito tempo ambiciona o cargo mais importante da política alemã e provavelmente não vai abrir mão dele facilmente.

As urnas nos dois estados fecharam às 18h no horário local (13h no horário de Brasília), e o resultado final é esperado nas próximas horas.

As emissoras públicas ZDF e ARD colocaram a AfD à frente em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Segundo a ZDF, a projeção era de que o partido obtivesse 38% dos votos no estado, seguido em segundo lugar pelo SPD, de centro-esquerda, com 36%.

No entanto, é improvável que a AfD governe o estado, já que os demais partidos se recusam a trabalhar com ela.

Em Berlim, a emissora projetou a CDU com 20% dos votos no fechamento das urnas, atrás do Die Linke, com quase 26%.

Pressão sobre Merz aumenta

Antes das eleições deste domingo, havia intensa especulação na Alemanha de que Merz poderia ser substituído caso a situação política de seu partido não melhorasse.

No início desta semana, os líderes de oito estados alemães manifestaram apoio a Merz, que ocupa o cargo há apenas 16 meses.

Mais de uma dezena de apoiadores da CDU, vestidos com trajes formais, aparecem com expressões neutras enquanto olham para as telas. Uma mulher na frente está com os braços cruzados, enquanto outra segura o braço da mulher ao lado.

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Houve uma reação discreta às pesquisas de boca de urna durante o evento da CDU na noite da eleição, em Berlim

Burkard Dregger, integrante da CDU no Senado de Berlim, disse à BBC que Merz deveria permanecer no cargo. "Ele tem muito trabalho a fazer e não temos tempo a perder para formar um novo governo no âmbito federal".

Ele descreveu o eleitorado como "impaciente", acrescentando que "não é realista esperar que todas as questões tenham sido resolvidas em um ano".

"Ele tem quatro anos e temos que dar os quatro anos a ele", disse Dregger.

Embora seus apoiadores argumentem que muitos dos problemas enfrentados pelo país foram herdados, o próprio Merz é profundamente impopular.

A guinada à direita do ex-advogado em questões como imigração não conseguiu reduzir o apoio à AfD e, ao mesmo tempo, afastou ainda mais as pessoas que estão à esquerda.