Copa do Mundo 2026: os 'astros virais' conseguirão transformar sucesso nas redes sociais em fortuna?

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- Author, Sakshi Venkatraman
- Role, BBC News
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- Tempo de leitura: 5 min
Foram necessários apenas 90 minutos para que Vozinha, o goleiro cabo-verdiano de 40 anos, passasse a ser uma sensação mundial, com mais seguidores no Instagram do que a lenda do futebol americano Tom Brady.
O impressionante desempenho de Vozinha contra a Espanha, na fase de grupos da Copa do Mundo, levou sua seleção a empatar em 0x0 com uma das seleções favoritas do torneio — resultado comemorado como vitória pelos cabo-verdianos.
A enorme surpresa fez com que os 50 mil seguidores do goleiro de Cabo Verde no Instagram disparassem para 17,5 milhões, superando atletas como Brady, com 15,5 milhões.
Astros da Copa do Mundo como Vozinha têm a oportunidade de aproveitar sua recente fama nas redes sociais para gerar lucrativas oportunidades financeiras.
Mas, para o especialista em comunicação Mike Serazio, esta possibilidade pode ser efêmera.
"É viral", explica ele. "Cresce muito rápido e cai com a mesma rapidez."
A professora de redes sociais e comunicação digital Brooke Duffy, da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, afirma que influenciadores com milhões de seguidores podem receber pagamentos que ultrapassam a casa dos seis dígitos.
Sua presença de destaque nas redes sociais pode gerar parcerias com marcas e patrocinadores que pagam por postagens individuais.
"Os seguidores são uma forma de moeda que é importante, atualmente", explica Duffy. "Mais seguidores costumam se traduzir em renda mais alta."
Outro caminho para o estrelato

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Fim do Promoção Agregador de pesquisas
Antes do início do torneio, o zagueiro Tim Payne, da Nova Zelândia, ganhou o apelido de "jogador menos conhecido" da Copa do Mundo, graças a um influenciador argentino.
Valen Scarsini é conhecido na internet como "elscarso". Ele compartilhou um vídeo convocando centenas de milhares de seguidores a promover o perfil de Payne online.
Payne se envolveu na campanha, postando mais e interagindo com o influenciador.
E, em poucos dias, o jogador passou de cerca de 5 mil para perto de seis milhões de seguidores no Instagram — mais do que a própria população da Nova Zelândia, que é de pouco mais de 5,3 milhões de pessoas, como destaca o próprio jogador.
Diferentemente do caso do cabo-verdiano Vozinha, a fama recente fama de Payne não se deveu ao seu desempenho no campo de jogo.
Este é um fenômeno cada vez mais frequente no mundo esportivo, segundo Mike Serazio. Ele é professor do Boston College, nos Estados Unidos, e pesquisou as conexões entre a comunicação e o esporte.
"Nós tivemos, nos últimos cinco a 10 anos, a ascensão de astros do esporte que são frutos de marketing, de seguidores nas redes sociais", explica ele. "Sua fama não é proporcional aos seus talentos esportivos."
Serazio destaca que qualquer jogador que chega à seleção nacional do seu país tem grandes talentos. Mas, antigamente, os atletas precisavam estar entre os melhores para fazer comerciais na televisão ou aparecer em embalagens de produtos.
"Você simplesmente não precisa da comunicação de massa como antigamente e os atletas compreendem isso", prossegue o professor.
"Os atletas vão às redes sociais e as empregam com a ambição de cultivar seguidores, conseguir contratos com marcas, ganhar dinheiro e alavancar sua popularidade."
A fama irá durar após a Copa?
Serazio acredita que a viralização direciona os rumos da audiência esportiva.
"O seu desempenho durante todo o jogo importa menos do que ter um momento único que funcione bem, que reverbere nos confins virais das redes sociais", explica ele.
"O momento viral é uma moeda mais valiosa. Ele importa mais do que a partida em si."
A questão é se um atleta que participa da Copa do Mundo e consegue milhões de novos admiradores pode transformar este sucesso em uma carreira além das quatro linhas do gramado.
"Você tem ali uma janela de atenção", prossegue o professor. "Ninguém sabia quem era o goleiro de Cabo Verde... e acho que não saberão quem é ele depois que terminar a Copa do Mundo."
"Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar, Mbappé, depois que se aposentarem, ainda conseguirão fazer contratos", segundo Serazio. Estes, segundo ele, não são "atletas que têm apenas um grande momento que pode alavancá-los além da sua carreira".
Um exemplo de atleta que aproveitou com sucesso seu público nas redes sociais é a jogadora americana de rugby Ilona Maher. Sua popularidade disparou durante os Jogos Olímpicos de 2024 em Paris, na França.
Maher tem seu próprio podcast, é embaixadora de marcas, serviu de modelo para a revista Sports Illustrated e ficou em segundo lugar na série de TV Dancing with the Stars. Maher também ganhou o Prêmio ESPY (o mais importante prêmio do esporte nos Estados Unidos), como Atleta Revelação de 2025.

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Para Duffy, existem oportunidades de carreira a longo prazo para os novos astros das redes sociais. Mas é difícil calcular exatamente o quanto de dinheiro eles podem ganhar com isso.
Ela explica que o preço pago por postagens patrocinadas nas redes sociais não tem padrões tão rígidos quanto nos meios de comunicação tradicionais, como os comerciais na televisão.
"Existem muito poucas indicações sobre o que seria uma renda razoável", prossegue a professora.
"São indivíduos cujas carreiras, até agora, estiveram atreladas ao futebol. Por isso, é curioso imaginar como eles enfrentarão a variabilidade de um ecossistema nebuloso como a economia dos meios digitais."
O capital cultural desses astros virais da Copa do Mundo, agora, está no seu ponto mais alto. Mas o que isso significa para o futuro dos jogadores poderá depender de como eles conseguirão manter seus novos admiradores engajados após o fim do torneio.




























