Atentado com explosivos deixa 20 mortos na Colômbia

Vários socorristas e transeuntes estão ao redor dos escombros deixados pelo atentado com explosivos na Colômbia.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, A explosão ocorreu no departamento de Cauca
    • Author, Rafael Abuchaibe
    • Role, BBC News Mundo
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  • Tempo de leitura: 3 min

Um atentado com explosivos tirou a vida de ao menos 20 pessoas no departamento do Cauca, no sudoeste da Colômbia, e deixou até o momento outras 45 feridas.

Segundo a agência de notícias Reuters, o ataque ocorreu como parte de uma escalada de violência que o departamento viveu no sábado.

Segundo as autoridades, as vítimas do ataque seriam civis. Entre os feridos estariam pelo menos cinco menores de idade.

Pela manhã, foi registrado um ataque com um drone explosivo a um radar aéreo, e depois foi relatado outro atentado com explosivos que deixou ao menos sete indígenas da região feridos.

Escrevendo em sua conta no X, o presidente Gustavo Petro acusou as dissidências das Farc lideradas por "Iván Mordisco" como responsáveis pelo atentado.

No ataque foi usado o que é conhecido no conflito colombiano como "cilindros-bomba": um recipiente de gás carregado com explosivos atingiu um ônibus.

"Quero a máxima perseguição mundial a esse grupo narcoterrorista", disse o líder em suas redes sociais. "Quero os melhores soldados para enfrentá-los, quero que o povo caucano se liberte dessa máfia."

Também no X, o governador Octavio Guzmán se referiu ao atentado como "uma tragédia que nos dilacera como departamento".

"O Cauca não pode continuar enfrentando sozinho essa barbárie. Estamos diante de uma escalada terrorista que exige respostas imediatas. Exigimos do governo nacional ações contundentes, sustentadas e eficazes diante da grave crise de ordem pública que vivemos", concluiu o mandatário local.

O ataque é o mais grave registrado até agora na atual temporada eleitoral do país. Todos os candidatos condenaram o ataque.

Os ataques do fim de semana ocorrem a pouco mais de um mês das eleições presidenciais, programadas pro dia 31 de maio. A atual Constituição colombiana não permite a reeleição.

Petro, um ex-guerrilheiro depois eleito presidente, vem promovendo uma polêmica estratégia de acordos de paz com várias facções armadas, com cessar-fogos intermitentes e relativamente poucos episódios de violência.

Vários grupos dissidentes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), guerrilha que se desmobilizou em 2017 após um acordo de paz com o governo, continuam operando no país, com forte envolvimento com o tráfico de drogas.

Várias iniciativas de negociações do governo Petro com esses grupos dissidentes foram infrutíferas.

O candidato presidencial de esquerda Ivan Cepeda, apoiado por Petro, defende mais negociações com os rebeldes.

Os candidatos de direita Paloma Valencia e Abelardo De la Espriella prometem mais repressão aos grupos armados.

Este texto foi traduzido e revisado por nossos jornalistas utilizando o auxílio de IA, como parte de um projeto piloto.