Astronautas da Artemis 2 batem recorde de distância da Terra: o que mais vai acontecer nesta segunda

A imagem mostra a silhueta de uma astronalta, dentro da espaçonave Orion, observando a Terra através de uma janela. O rosto aparece em perfil, parcialmente iluminado pelo brilho intenso do planeta azul ao fundo, a Terra, destacando os contornos do cabelo que flutua levemente na ausência da gravidade. A Terra ocupa boa parte da cena, com nuvens brancas e oceanos visíveis, criando um contraste entre a escuridão do espaço e a luminosidade do planeta.

Crédito, Nasa/Divulgação

Legenda da foto, Christina Koch, astronauta da Nasa na missão Artemis 2, observa a Terra através de uma das janelas da espaçonave Orion
  • Tempo de leitura: 8 min

A tripulação da Artemis 2 quebrou nesta segunda-feira (6/4) o recorde de maior distância da Terra percorrida por humanos.

O recorde anterior pertencia à tripulação da Apollo 13, que, em 1970, viajou 248.655 milhas da Terra.

"Ultrapassamos a maior distância já percorrida por humanos a partir do planeta Terra. Fazemos isso em homenagem aos esforços e feitos extraordinários de nossos antecessores na exploração espacial humana", afirmou um dos astronautas. "Continuaremos nossa jornada ainda mais longe no espaço, antes que a Mãe Terra consiga nos trazer de volta a tudo o que nos é caro."

Ele também desafiou esta geração e a próxima "a garantir que este recorde não dure muito tempo".

No sábado (4/4), Agência Espacial Americana (Nasa) compartilhou uma nova leva de imagens feitas pela tripulação da , enquanto a espaçonave Orion segue em viagem até a Lua.

As novas fotografias mostravam os astronautas Christina Koch e Reid Wiseman observando a Terra. A primeira leva de imagens, divulgada na sexta-feira, era centrada no planeta.

A tripulação — composta pelos astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da Nasa, e por Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense — seguiu então para a órbita da Lua.

A imagem mostra a silhueta de um astronaulta, Reid Wiseman, na espaçonave Orion, olhando pela janela enquanto a Terra aparece em destaque do lado de fora. Seu rosto está parcialmente na sombra, voltado para o planeta, que surge iluminado com tons de azul e branco, revelando oceanos e grandes formações de nuvens.

Crédito, Nasa/Divulgação

Legenda da foto, Reid Wiseman, astronauta da Nasa na missão Artemis 2, observa a Terra através de uma das janelas da espaçonave Orion

Os principais marcos da missão até agora

A missão, com duração prevista de dez dias, encerra um intervalo de 54 anos desde a última vez em que seres humanos orbitaram a Lua.

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Esses são os outros momentos-chave desta missão:

1º de abril: O foguete Artemis 2 foi lançado ao espaço às 18h35 EDT (19h35 de Brasília) no Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, na Flórida.

2 de abril: Em uma conversa por videoconferência, a astronauta Christina Koch mencionou um pequeno problema de "preparação" com o vaso sanitário, e a NASA anunciou no sábado que um duto de ventilação de águas residuais havia entupido. O administrador da NASA, Jared Isaacman, disse à CNN que dominar essa capacidade é algo em que "certamente precisamos trabalhar".

3 de abril: A NASA compartilhou as primeiras imagens de alta resolução da Terra, tiradas pela tripulação da Artemis II, quando eles passaram pelo ponto intermediário entre a Terra e a Lua.

6 de abril: A NASA disse que a Artemis entrou na esfera de influência lunar às 00h38 EDT (1h38 de Brasília) — o ponto em que a força gravitacional da Lua se torna mais forte do que a da Terra.

Em seguida, quebrou o recorde de maior distância percorrida por humanos a partir da Terra. A expectativa é que ainda nesta segunda, os quatro astronautas ficarão sozinhos por cerca de 40 minutos, pois a Lua bloqueará a comunicação entre a espaçonave e a Terra.

Como a tripulação se preparou para visitar a Lua

A tripulação acordou ao som de Pink Pony Club, da cantora Chappell Roan, no sábado. A espaçonave estava a aproximadamente 272 mil quilômetros de distância da Terra e a 178 mil quilômetros da Lua.

À noite, os astronautas concluíram uma demonstração de pilotagem manual e revisaram o plano de sobrevoo lunar, encerrando o quarto dia da missão e o terceiro dia completo no espaço.

Koch e Hansen se revezaram no controle da Orion para testar seu desempenho no espaço profundo, a partir das 22h09 (horário de Brasília). Durante 41 minutos, a dupla testou dois modos de propulsão, fornecendo aos engenheiros da Nasa mais dados sobre as capacidades de pilotagem.

O comandante Reid Wiseman e o piloto Victor Glover devem repetir a demonstração no oitavo dia de voo (quarta-feira, 9 de abril), para ampliar a coleta de informações sobre a espaçonave.

Os astronautas também revisaram uma lista de características da superfície lunar que deverão registrar e analisar, a pedido de cientistas da Nasa, durante o sobrevoo de seis horas na segunda-feira.

O interior da espaçonave Orion aparece sob luz verde, com tripulantes flutuando em microgravidade. Um deles, Christina Koch, usa um laptop, enquanto outro observa painéis de controle, em um ambiente compacto e cheio de equipamentos.

Crédito, Nasa/Divulgação

Legenda da foto, A astronauta Christina Koch, da Nasa, dentro da espaçonave Orion, no terceiro dia da missão Artemis 2

O batismo de crateras

O comandante da Artemis 2, Reid Wiseman, disse à repórter da NASA, Kelsey Young, que a tripulação gostaria de nomear algumas crateras na Lua que eles conseguem ver atualmente "tanto a olho nu, quanto com nossa lente teleobjetiva".

Ele pediu à NASA que nomeasse uma delas em homenagem à sua falecida esposa, Carroll, que morreu de câncer em 2020.

Eles batizaram outra cratera de Integrity - em homenagem à espaçonave Orion que os levou ao lado oculto da Lua.

"Há alguns anos, começamos esta jornada... e perdemos um ente querido, e há uma formação em um lugar realmente interessante na Lua... em certos momentos do trânsito da Lua ao redor da Terra, poderemos vê-la da Terra", disse ele.

O comandante da missão Apollo 13, Jim Lovell, também nomeou uma cratera em homenagem à sua falecida esposa durante a missão de 1970, na qual foi estabelecido o recorde anterior de distância percorrida a partir da Terra.

A imagem mostra a cápsula Orion, da Nasa, acoplada no espaço, com seu revestimento metálico refletindo a luz e o logotipo da agência visível na lateral. O fundo escuro destaca a estrutura da espaçonave e seus detalhes técnicos.

Crédito, Nasa/Divulgação

Legenda da foto, Imagem da espaçonave Orion capturada por uma câmera montada em uma das asas de seus painéis solares durante uma inspeção externa de rotina

Astronautas verão eclipse do espaço

Ao fim do sobrevoo na órbita da Lua, os astronautas observarão um eclipse solar do espaço, quando a espaçonave Orion, a Lua e o Sol se alinharem. Eles então verão o Sol desaparecer atrás da Lua por cerca de uma hora.

Durante esse período, a Lua estará quase toda escura, permitindo a análise da coroa solar — a camada mais externa da atmosfera do Sol, que só se torna visível quando a Lua bloqueia a luz solar, formando um halo ao redor do Sol.

Tripulação ficará sem comunicação com a Terra

Quando a espaçonave Orion passar atrás da Lua, os astronautas terão uma interrupção nas comunicações com a Terra, prevista para acontecer a partir de 18h47, com duração de 40 minutos.

Isso acontecerá porque a Lua bloqueia os sinais de rádio entre a Rede de Espaço Profundo, conhecida pela sigla em inglês DSN, e a espaçonave. Interrupções semelhantes ocorreram nas missões Artemis 1 e Apollo.

Assim que a Orion reaparecer, a DSN retomará o sinal e restabelecerá o contato com o controle da missão.

Assista
Legenda do vídeo, Reveja o lançamento da espaçonave Orion ao espaço

As missões paralelas da Artemis 2

A missão Artemis 2 também prevê atividades voltadas a entender como os sistemas da espaçonave e da tripulação, além de amostras biológicas, respondem ao ambiente do espaço profundo.

Um experimento científico levado na Orion, chamado AVATAR, transporta células de medula óssea derivadas de amostras de sangue da tripulação e ajudará pesquisadores a estudar a resposta do sistema imunológico humano ao espaço.

A análise de biomarcadores imunológicos deve fornecer mais informações, e a tripulação ainda tem previsão de coletar amostras de saliva.

Além disso, a Agência Espacial Alemã (DLR) forneceu à Nasa sensores de radiação M-42, instalados na Orion. Esses dispositivos ajudam a caracterizar os níveis de radiação aos quais a espaçonave estará sujeita.

Por fim, os astronautas utilizam dispositivos de actigrafia — sensores semelhantes a relógios que coletam dados de saúde — e respondem a questionários periódicos sobre as condições a bordo.

Essas medidas devem ajudar a Nasa a aprimorar a eficiência da tripulação em missões futuras.

Legenda do vídeo, Por que estamos voltando à Lua?

As imagens espetaculares da Terra

Reveja, abaixo, a primeira leva de imagens do planeta Terra feitas pelos astronautas da missão Artemis 2, divulgadas pela Nasa na sexta-feira.

Uma imagem da Terra vista do espaço, que coloca o planeta no centro contra o fundo escuro do espaço. É um planeta azul e redondo. Nuvens podem ser vistas e uma fina aurora verde no topo.

Crédito, Reid Wiseman/Nasa

Legenda da foto, 'Oi, Mundo': Imagem capturada pela tripulação missão Artemis 2, a bordo da espaçonave Orion, mostra Terra e Vênus
Uma imagem do interior da espaçonave Orion, que mostra uma pequena janela e parte da Terra do lado de fora.

Crédito, Nasa/Reid Wiseman

Legenda da foto, O astronauta Reid Wiseman também tirou esta foto, intitulada 'Artemis 2 Olhando de Volta para a Terra', de uma das quatro janelas principais da espaçonave Orion
Outra imagem feita pela tripulação da missão Artemis 2 mostra a divisão entre noite e dia, conhecida como terminador, cortando a Terra.

Crédito, Nasa/Divulgação

Legenda da foto, Outra imagem feita pela tripulação da missão Artemis 2 mostra a divisão entre noite e dia, conhecida como terminador, cortando a Terra.