Mas, além do placar, pesquisadores vão olhar para dois outros indicadores: quantos eleitores não saíram de casa para votar e quantos votaram em branco ou nulo.
O peso da abstenção e dos votos brancos e nulos na disputa divide as avaliações de especialistas sobre as chances de virada do petista ou do senador do PL consolidar a vitória obtida no primeiro turno.
Hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não responde a nenhuma acusação na Justiça. Ele foi condenado nos casos do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia e ficou 580 dias preso. Mas em 2021 o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações, e os casos prescreveram. Na Operação Zelotes, Lula foi absolvido por falta de provas.
O filho mais velho do presidente, Fábio Luís, o Lulinha, contudo, é alvo de três inquéritos no STF, abertos a partir da investigação sobre descontos ilegais em aposentadorias do INSS. Ele nega ter recebido dinheiro do empresário conhecido como “Careca do INSS". Lula não é investigado nesses inquéritos.
O caso mais recente começou no celular do advogado Willer Tomaz, amigo do senador. A partir dele, foi aberto no STF um caso sobre suspeita de lavagem de dinheiro no setor de apostas no Rio de Janeiro. Flávio nega ser investigado, e a defesa de Tomaz diz que as empresas são lícitas.
Flávio também negociou com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, cerca de R$ 134 milhões para supostamente financiar o filme Dark Horse. A PF suspeita que parte dos recursos tenha sido desviada. Flávio diz que foi um patrocínio privado, sem contrapartida.
Há também um caso mais antigo, o escândalo das rachadinhas, encerrado em 2025 sem julgamento das acusações, depois que a Justiça anulou provas.
Legenda do vídeo, O que pesa contra Flávio Bolsonaro?
Quais temas devem aparecer no debate de hoje
Crédito, Jefferson Rudy/Agência Senado
O Bolsa Família deve estar entre os principais temas do último debate. O programa tem sido alvo de disputa entre as campanhas, com propostas diferentes para seu futuro.
A segurança pública e o combate ao crime organizado devem ocupar outro espaço importante no confronto.
Há meses, a violência aparece entre as principais preocupações dos eleitores nas pesquisas Genial/Quaest. O tema também representa um desafio para o governo Lula, que tem sido criticado pela atuação na área.
A exploração de terras raras e a relação com os Estados Unidos também podem voltar à discussão.
No debate da Band, Lula perguntou se Flávio pretendia entregar aos americanos a exploração desses minerais estratégicos, usados, por exemplo, na fabricação de baterias e componentes eletrônicos. O senador não respondeu diretamente à pergunta.
Os candidatos também divergiram sobre a aproximação com o governo de Donald Trump, em meio à deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos e às tarifas impostas por Washington a produtos brasileiros.
Lula chega à Globo para debate
O presidente Lula acaba de chegar aos Estúdios da Globo para o debate desta noite.Ele está acompanhado da primeira-dama, Janja, e do governador do Piauí, Rafael Fonteles.
O confronto está marcado para as 21h30.
Crédito, Globo/ Manoella Mello
Por que o debate é importante
Crédito, EPA
Este será o último confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro antes do segundo turno. Os dois não se enfrentaram na primeira etapa da eleição e estiveram frente a frente apenas uma vez, no debate promovido pela Band no último domingo.
O encontro recebeu críticas por ter sido marcado por acusações e provocações, com pouco espaço para a apresentação de propostas. Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil descreveram o embate como "caótico".
O debate de hoje será uma nova oportunidade para os candidatos apresentarem suas propostas e contrastarem suas visões de país diante dos eleitores. Isso, em uma disputa que deve ser acirrada.
Flávio terminou o primeiro turno à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista. A diferença foi de 1,87 ponto percentual, cerca de 2,2 milhões de votos.
Lula e Flávio acionam TSE e pedem cassação de adversários
Crédito, Marcelo Camargo/Agência Brasil
Durante a tarde, as campanhas de Flávio Bolsonaro e Lula acionaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em ações que pedem a cassação de adversários e outras punições eleitorais.
Flávio pede a cassação dos registros ou diplomas de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin, além da inelegibilidade dos dois por oito anos. A ação acusa o governo de usar a estrutura da comunicação pública federal para favorecer a campanha à reeleição de Lula.
Como exemplo, cita o programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, e a edição de 20 de outubro, que, segundo a petição, divulgou realizações do governo e associou a eleição de Flávio a possíveis riscos para programas sociais e a proteção ambiental. O senador também pede que a emissora deixe de associar benefícios sociais à escolha eleitoral e solicita multa de R$ 50 mil por descumprimento.
Já a coligação de Lula acusa Flávio de abuso de poder econômico e financiamento irregular relacionado ao filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A petição sustenta que recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro financiaram a produção por meio de uma cadeia de empresas e de um fundo nos Estados Unidos, o Havengate, que repassou dinheiro à produtora Go Up Entertainment LLC.
Segundo a ação, o financiamento pode ter beneficiado politicamente Flávio por meio do filme, que exalta seu pai e retrata o senador, e também ajudado a manter a estrutura de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos.
A ação pede que Flávio e Eduardo sejam declarados inelegíveis por oito anos e que o registro ou diploma do senador seja cassado, caso a Justiça reconheça as irregularidades.
Quem está à frente nas pesquisas para presidente no 2º turno?
A dois dias do segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece dois pontos à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas intenções de voto para presidente no segundo turno, de acordo com o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, atualizado após os resultados das pesquisas divulgadas até a manhã desta sexta-feira (23/10).
O gráfico interativo mostra a evolução da intenção de voto no segundo turno desde o início do ano, com base nos resultados de votos totais das pesquisas eleitorais.Confira aqui.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) chegou aos Estúdios Globo às 19h55 para o debate desta noite. Ele estava acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro.
O confronto está marcado para às 21h30, após o Jornal Nacional.
Vai ter checagem?
A TV Globo informou que fará a verificação das declarações dos candidatos à Presidência no confronto.
A checagem, no entanto, não será feita ao vivo na transmissão do debate, mas sim publicada no portal g1 e nos sites dos jornais O Globo, Valor Econômico e Extra e da rádio CBN.
A emissora vinha sendo cobrada nas redes sociais e através de petições públicas para realizar a verificação em tempo real, após diversas informações equivocadas ou sem fonte terem passado batido pelos âncoras durante o debate da Band no domingo (18/10).
No debate da Globo, uma equipe de 30 jornalistas fará as checagens, que começarão a ser publicadas nos sites já durante o debate, e deverão seguir ao longo da madrugada.
Candidatos poderão andar pelo palco?
Crédito, Reuters
Legenda da foto, Flávio Bolsonaro e Lula puderam circular livremente no palco durante debate da Band, o que proporcionou momentos intensos de confronto
Nos três primeiros blocos, o candidato que tiver a palavra poderá se movimentar pelo cenário livremente. Enquanto isso, o oponente deve se manter em seu púlpito até chegar a sua vez de falar.
No quarto bloco, contudo, os candidatos "poderão se movimentar livremente pelo seu lado do cenário", diz a Globo.
Como será o debate na Globo
Crédito, Reprodução/TV Globo
O debate terá quatro blocos de perguntas e respostas, além das considerações finais. Três blocos são de temas determinados e um, de tema livre. A ordem das perguntas será definida por sorteios realizados ao vivo pelo mediador.
1° bloco: serão realizadas seis rodadas com assuntos relacionados às diferentes regiões do país e a um tema prioritário de âmbito nacional, de forma a aprofundar a exposição de propostas e programas de governo de cada um dos candidatos. Cada candidato terá três minutos por rodada, divididos entre pergunta e réplica ou resposta e tréplica.
2° e 3° blocos: No segundo e no terceiro blocos, os candidatos escolherão entre os temas apresentados no telão para fazer as suas perguntas, mantendo a mesma dinâmica de tempo.
4° bloco: será de tema livre, cada candidato terá oito minutos de fala, sem limite de intervenções.
Após o término do debate, os candidatos poderão participar de uma entrevista coletiva na sala de imprensa com duração de 10 minutos para cada um. A ordem foi definida por sorteio na presença de representantes dos partidos: Lula falará primeiro e depois Flávio Bolsonaro.
Qual horário do debate na Globo e onde assistir
Crédito, Reuters
Legenda da foto, Flávio e Lula
O debate da Globo acontece logo após o Jornal Nacional. O jornalista César Tralli será o mediador.
O confronto será transmitido ao vivo pelo G1, pela TV Globo e pela GloboNews. Também será possível acompanhar o encontro pelo Globoplay.
Após a transmissão, o debate ficará disponível na íntegra no Globoplay e no G1.
Na sequência, a jornalista Renata Lo Prete entra ao vivo com o Jornal da Globo para conversar com os candidatos e ouvir comentaristas políticos, que vão analisar o desempenho de cada um.
Por causa disso, a Globo não transmitirá a novela Quem Ama Cuida e nem o Globo Repórter.
Começamos a cobertura do último debate presidencial de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estarão frente a frente na TV Globo, a partir das 21h30 (horário de Brasília).
Os dois disputam o segundo turno das eleições no domingo.
Acompanhe a cobertura da BBC News Brasil sobre as eleições de 2026, com análises, reportagens e os bastidores da preparação dos candidatos para o último confronto antes da votação.