Irã diz ter atingido navios no Estreito de Ormuz após novos ataques dos EUA

Torre vista em meio a um céu alaranjado

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, A Torre Milad, a mais alta do Irã, com 435 metros de altura, é vista em Teerã sob um céu iluminado após ataques aéreos de terça-feira
    • Author, Harry Sekulich
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O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirma ter atingido navios no Estreito de Ormuz, após o exército dos Estados Unidos lançar uma nova onda de ataques contra o país.

A ofensiva ocorre depois de o presidente Donald Trump afirmar, nesta quarta-feira (10/6) que o Irã seria atingido "com força" e de que Teerã tem levado "tempo demais para fechar um acordo" para encerrar a guerra.

O Comando Central dos EUA (Centcom) informou ter iniciado "ataques de autodefesa" em "resposta à agressão injustificada e contínua do Irã".

Em seguida, a mídia estatal iraniana informou que o IRGC atingiu dois navios no Estreito de Ormuz.

Irã e Estados Unidos têm realizado ataques a alvos militares e de vigilância nos últimos dias, em uma escalada de ações e retaliações, testando um cessar-fogo frágil acordado em abril.

Explosões também foram ouvidas na ilha de Qeshm, no Golfo, além de várias outras cidades, incluindo Bandar Abbas e Sirik.

Em resposta aos ataques dos EUA, a mídia estatal iraniana informou que o Estreito de Ormuz foi "completamente fechado para todos os tipos de embarcações".

No entanto, o Centcom afirmou que "navios comerciais continuam transitando para dentro e para fora do Estreito de Ormuz".

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde passa uma parcela significativa do petróleo global.

Este foi o segundo dia consecutivo de troca de ataques entre os dois países.

Na terça-feira (9/6) um helicóptero americano foi derrubado sobre o Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos acusaram o Irã de ser responsável pelo ataque e iniciaram bombardeios contra o país.

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) respondeu atacando bases dos EUA em todo o Oriente Médio.

Navios vistos no mar

Crédito, EPA

Legenda da foto, Embarcações foram vistas ao largo da costa de Bandar Abbas, no sul do Irã, na semana passada. Ataques foram relatados nas proximidades da cidade portuária na quarta-feira

Horas antes do ataque desta quarta, Trump havia alertado: "Nós os atingimos com força ontem e vamos atingi-los com força novamente hoje."

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que líderes iranianos têm "levado tempo demais para negociar um acordo", enquanto o Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou os EUA de "prejudicar o processo diplomático com mensagens contraditórias".

Em resposta às declarações de Trump, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian disse que o Irã "permanecerá firme diante de qualquer pressão ou ameaça".

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou posteriormente que bombas iriam "atingir instalações-chave no Irã".

Hegseth disse que o Irã teve uma chance de fechar um acordo, mas não a aproveitou, e que Trump havia dito que o país seria atacado novamente caso não houvesse um acordo de paz.

Em abril, EUA e Irã concordaram com um cessar-fogo que inicialmente deveria durar duas semanas. Desde então, ambos os lados têm trocado ataques esporádicos, sem retornar a hostilidades em grande escala.

No entanto, as recentes tentativas de mediação entre Washington e Teerã estão paralisadas, e os ataques têm se intensificado.

Os esforços diplomáticos entre os dois países vêm sendo marcados por sucessivos impasses, especialmente em torno do programa nuclear iraniano e das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos.

Diplomatas têm alertado que a falta de confiança mútua continua sendo um dos principais obstáculos para qualquer acordo duradouro, enquanto episódios de escalada militar na região reduzem ainda mais o espaço para negociações.

Em uma declaração na rede X, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o Oriente Médio está "sendo puxado cada vez mais para uma crise", e que os recentes ataques significam que "o cessar-fogo é mais um 'quase cessar-fogo'".

"Não devemos minimizar os riscos de um 'quase cessar-fogo' se transformar em uma guerra total. Todas as partes devem trabalhar por um acordo diplomático. Chega de ataques. Chega de desculpas", disse.