A verdadeira identidade da autora do best-seller 'A Empregada', Freida McFadden

Crédito, Getty Images
- Author, Ian Youngs
- Role, Repórter de Cultura da BBC News
- Tempo de leitura: 4 min
Um dos maiores mistérios do mundo editorial foi resolvido depois que a autora americana best-seller conhecida por milhões de leitores como Freida McFadden revelou sua verdadeira identidade.
McFadden tem sido uma das autoras mais populares do mundo nos últimos anos, graças a thrillers como A Empegada.
A autora nunca fez segredo de que Freida McFadden é um pseudônimo e de que também trabalha como médica, mas até agora nunca havia revelado seu nome verdadeiro.
Ela contou agora ao USA Today que, na verdade, é Sara Cohen. "Cheguei a um ponto da minha carreira em que estou cansada de isso ser um segredo", explicou.
"Estou cansada de as pessoas debatendo se eu sou uma pessoa real ou se sou três homens. Eu sou uma pessoa real, tenho uma identidade real e não tenho nada a esconder."
Sob o nome McFadden, a escritora americana foi a segunda autora mais vendida de 2025 no Reino Unido, com 2,6 milhões de livros vendidos, e vendeu seis milhões de cópias impressas em seu país natal.
Essas vendas foram impulsionadas pelo sucesso de A Empregada, publicado pela primeira vez em 2022 e transformado em filme no ano passado, estrelado por Sydney Sweeney e Amanda Seyfried. No Brasil, o livo foi publicado em 2023, pela Editora Arqueiro.
Apenas a autora de O Grúfalo, Julia Donaldson, vendeu mais livros no total do que McFadden no Reino Unido em 2025.
McFadden é uma escritora prolífica, tendo publicado até agora 29 romances, e já liderou as listas de mais vendidos neste ano com três livros — A Empregada, Querida Debbie e Want to Know a Secret? ("Quer saber um segredo?" em tradução livre para o português, o livro ainda não ganhou uma edição no Brasil).
'Pacientes podem achar estranho'
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Cohen inicialmente escolheu um nome artístico para esconder sua verdadeira identidade quando publicou de forma independente seu primeiro livro, um relato ficcionalizado de sua vida como médica residente, intitulado The Devil Wears Scrubs ("O diabo veste jaleco", em tradução livre), em 2013.
Ela escolheu o nome Freida como uma piada interna do meio médico — em referência a um registro de treinamento hospitalar, o Fellowship and Residency Electronic Interactive Database, conhecido como Freida.
Ela continuou escrevendo enquanto trabalhava como médica especializada em distúrbios cerebrais em Boston, Massachusetts, e sua carreira editorial decolou quando começou a escrever thrillers psicológicos.
Mas manteve as duas identidades separadas, dizendo ao New York Times em 2024 que temia que seus pacientes pudessem achar estranho serem atendidos por uma escritora de thrillers best-seller.
"No trabalho, eu quero ser médica", disse ela. "Muitos dos meus livros têm coisas médicas, e eu não quero que as pessoas digam: 'Isso é baseado em mim?' Parece pouco profissional."
No mesmo ano, ela disse ao Washington Post que não "gosta de ser o centro das atenções".
"Adoro que as pessoas estejam lendo meus livros", afirmou. "Mas os holofotes especificamente sobre mim são difíceis."
"Não se trata apenas de privacidade, mas também de ansiedade social", disse ela ao jornal, acrescentando que seu sucesso como autora intensificou seus medos de talvez não ser "aquela pessoa incrível que todos esperam que você seja."
'Colega de hospital me reconheceu'
Mas esse sucesso permitiu a Cohen trabalhar meio período como médica em 2023, e agora ela reduziu ainda mais essa atividade, facilitando revelar sua verdadeira identidade.
"Meu objetivo sempre foi manter isso em segredo até eu [estar pronta para] me afastar do meu trabalho como médica, para não ser como se, de repente, todos com quem trabalho soubessem e isso comprometesse minha capacidade de fazer meu trabalho", disse ela ao USA Today.
"Mas eu me afastei do meu trabalho. Estou trabalhando só uma ou duas vezes por mês."
Ela acrescentou: "Percebi que estava completamente sobrecarregada tentando fazer as duas coisas."
Também havia se tornado cada vez mais difícil manter sua identidade dupla.
Ela disse ao Times em janeiro deste ano: "Um dos meus colegas no hospital recentemente me reconheceu em uma foto da Freida e contou a todo mundo, então o segredo já foi revelado", afirmou.
"Mas eles foram muito respeitosos em não postar nada sobre mim nas redes sociais, e tentei retribuir com uma sessão de autógrafos no trabalho."
Ao dar entrevistas ou fazer aparições públicas como Freida, Cohen usa uma peruca — mas apenas porque "não faço ideia de como arrumar meu cabelo", disse ela ao USA Today.
Ela afirmou que ainda quer que seus fãs — chamados de McFans e Freida Readahs — continuem a conhecê-la por seu nome artístico.
"Mesmo não tendo contado meu nome verdadeiro até agora, sinto que compartilhei o meu verdadeiro eu o tempo todo e que tudo o que disse a eles foi verdade", afirmou.
"Mesmo que o nome seja uma surpresa, nada mais será. Sempre fui genuína com meus leitores."



























