Barrado nos EUA para a Copa, 'melhor árbitro da África' é recebido como herói na Somália

O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan chega ao Aeroporto Internacional Aden Adde na Somália.
Legenda da foto, Omar Artan foi recebido por multidão em Mogadíscio
    • Author, Elizabeth Botcherby
    • Role, Da BBC Sport
  • Published
  • Tempo de leitura: 4 min

O árbitro Omar Artan — que estava prestes a se tornar o primeiro somali a apitar uma partida de Copa do Mundo, mas teve sua entrada negada nos EUA — desembarcou nesta quarta-feira (10/06) em Mogadíscio, na Somália, onde foi recebido como herói.

Na chegada, ele prometeu que vai participar da Copa do Mundo de 2030.

O árbitro de 34 anos — que foi eleito melhor juiz africano em 2025 — teve sua entrada negada no Aeroporto Internacional de Miami na segunda-feira, apesar de possuir um passaporte diplomático e um visto americano de entrada única.

Nenhuma razão foi dada pelas autoridades de imigração dos EUA, mas a Somália é um dos vários países em uma lista de proibição de viagens do governo de Donald Trump. A Fifa confirmou que Artan não estará mais na Copa do Mundo, que começa nesta quinta.

Aterrissando no Aeroporto Internacional Aden Adde, em Mogadíscio, ele foi recebido por funcionários do governo e representantes da Federação Somali de Futebol, além de outros árbitros e moradores locais.

Espera-se que Artan participe de um evento público no Estádio de Mogadíscio no final da tarde de quarta-feira e assista a uma partida de futebol.

“Gostaria de agradecer aos funcionários, ministros, parlamentares e a todos. Quero agradecer ao meu país e ao meu povo pelo apoio. Com o incentivo que recebi aqui, sei que vou conseguir mais apoio fora [do aeroporto]”, disse Artan.

“Tudo está predestinado. A Fifa me apoiou e esteve em contato comigo até eu chegar emMogadíscio. Prometo que vou apitar na próxima Copa do Mundo. Somália, em todos os lugares, eu estou te avisando.”

Centenas de pessoas se reuniram no Aeroporto de Mogadíscio. Alguns na multidão carregavam faixas com mensagens de apoio, enquanto outros usavam chapéus feitos especialmente com fotos do árbitro, que rapidamente se tornou um ícone em sua terra natal. Ele também foi recebido por celebridades de redes sociais, que tiraram fotos com o árbitro.

11 horas de entrevista

O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan falando à imprensa.
Legenda da foto, Artan disse que a decisão de impedi-lo de entrar nos EUA para a Copa do Mundo foi "lamentável"

Artan foi um dos 52 árbitros selecionados para a Copa do Mundo.

No entanto, seu sonho desmoronou quando ele tentou viajar para a Flórida. Artan disse ao New York Times que foi entrevistado pela imigração por 11 horas e ficou detido por várias horas antes de embarcar em um voo de volta para Istambul, na Turquia.

Falando à BBC, Andrew Giuliani, que lidera a Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, disse: "Embora eu não possa entrar em detalhes, posso dizer que foi a decisão certa da alfândega e da patrulha de fronteira e eu apoio essa decisão".

Não é possível apitar apenas partidas no Canadá ou no México, já que todos os árbitros precisam passar por treinamento, preparação e segurança na Flórida.

Trump impôs uma proibição total de entrada, sob qualquer categoria de visto, para 12 países, incluindo a Somália, em junho de 2025.

Dois dias antes do sorteio da Copa do Mundo, em dezembro de 2025, Trump chamou atenção por comentários feitos sobre a Somália antes de uma operação planejada de fiscalização migratória em Minnesota, que possui uma grande comunidade somali.

"Com a Somália, que mal é um país, você sabe, eles não têm nada", disse ele. "Eles apenas ficam andando por aí matando uns aos outros. Não há estrutura."

Trump disse que os imigrantes somalis deveriam "voltar para de onde vieram" e que os EUA estariam no "caminho errado se continuarmos recebendo lixo em nosso país".

Ao chegar em casa, Artan encorajou os jovens da Somália a não perderem a esperança em seu país diante do que aconteceu.

"Vamos todos defender a honra da Somália. Todos pertencemos à Somália, seja ela boa ou ruim", disse.

"Essa bandeira é nossa, assim como o passaporte — vamos defendê-la. Os jovens não deveriam se desmoralizar com seu país. Apesar de isso acontecer comigo, ainda defenderei minha nação. Quero continuar minha jornada a partir daqui e incentivar os jovens a fazerem o mesmo."

Omar Artan, vestindo um capuz e calça pretos da Fifa, desce as escadas de metal branco do avião branco da Turkish Airlines

Crédito, EPA

Legenda da foto, Artan disse que apitar um jogo de Copa do Mundo era o maior sonho de sua vida