Obras de Matisse roubadas de biblioteca em São Paulo são recuperadas; veja o que se sabe

Crédito, Divulgação/Prefeitura de São Paulo
- Author, Amy Walker
- Role, Da BBC News*
- Published
- Tempo de leitura: 5 min
Oito gravuras do artista francês Henri Matisse, que haviam sido roubadas de uma biblioteca em São Paulo no ano passado, foram recuperadas pela polícia brasileira.
As obras, cujo valor total estimado é de cerca de US$ 200 mil (R$ 1 milhão), foram encontradas na quinta-feira (13/08) em uma residência em São Bernardo do Campo (SP). Um suspeito de 44 anos foi preso no local.
Durante um assalto à Biblioteca Mário de Andrade, em 7 de dezembro do ano passado, dois ladrões renderam um segurança e um casal de idosos que visitavam a biblioteca, antes de fugirem a pé com as obras de arte pela entrada principal.
Outras três pessoas já haviam sido presas anteriormente em relação ao caso.
Cinco obras do artista brasileiro Cândido Portinari, que também foram levadas durante o roubo, ainda não foram recuperadas.
João Paulo Linhares de Araújo, o homem preso na quinta-feira, é suspeito pela polícia de ter armazenado as obras de arte em nome dos acusados de envolvimento no roubo.
Laéssio Rodrigues de Oliveira, de 53 anos, conhecido por ser um prolífico ladrão de arte, é suspeito de ter planejado e dirigido o crime. Ele está sob custódia desde abril, após ter sido preso em relação a outro caso.
Outro homem e uma mulher também foram presos em conexão com o roubo na biblioteca.

Crédito, Prefeitura de São Paulo
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As gravuras de Matisse, feitas para o livro de arte de edição limitada Jazz, juntamente com cinco gravuras de Portinari, criadas para ilustrar uma edição especial do romance Menino de Engenho, do escritor brasileiro José Lins do Rêgo, faziam parte de uma exposição conjunta com o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM).
Os ladrões atacaram a exposição, intitulada Do Livro ao Museu, em seu último dia.
Segundo relatos, eles entraram na biblioteca pela entrada principal no meio da manhã, se dirigiram à exposição e pegaram as obras de Matisse e de Portinari. Colocaram tudo em uma sacola de lona e, então, fugiram pela porta principal, em direção ao metrô.
As autoridades informaram que as gravuras já foram devolvidas à biblioteca, cuja segurança foi reforçada.
Matisse é amplamente considerado um dos artistas mais influentes do século 20. Portinari, que frequentemente retratava trabalhadores rurais e operários, é um dos mais importantes artistas modernistas brasileiros.
As oito obras de Matisse recuperadas se chamam Le Clown, Le Cirque, Monsieur Loyal, Cauchemar de L'Eléphant Blanc, Le Codomas, La Nageuse Dans L'Aquarium, L'Avaleur de Sabres e Le Cowboy.

Crédito, Getty Images
A exposição em que estavam exibidas foi realizada em parceria entre a Biblioteca Mario de Andrade e o Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo. Ficou em cartaz por três meses no final do ano passado e celebrou a conexão histórica de ambas as instituições com o modernismo, tendo como fio condutor o papel do sociólogo, artista e escritor Sérgio Milliet (1898-1966), que dirigiu a Mário de Andrade e ajudou a fundar o MAM — foi diretor artístico do museu e organizou três bienais, na época em que estas eram realizadas pela entidade.
Analistas disseram à BBC News Brasil no ano passado que o roubo era "uma grande perda".
"As gravuras de Portinari […] fazem parte de uma série rara editada em 1959 e evidenciam o estilo do artista, mesclando características modernistas com influências clássicas em suas representações cheias de brasilidade", comentou a historiadora da arte Marcia Iabutti na época.

Crédito, Divulgação/Prefeitura de São Paulo
Já as obras de Matisse, por sua vez, "têm grande valor por representar um momento de ruptura do artista com a pintura, quando ele passou a utilizar a técnica de colagem a partir de figuras recortadas em papel colorido".
"Esse momento-chave da evolução do artista se deve ao fato de ele, naquele momento, passar por um período difícil, de enfermidade, que o impedia de se dedicar à pintura".
Iabutti lamenta que em casos como este o problema não se resuma a "grandes falhas de segurança", mas também ao fato de que existem "receptadores para esse tipo de obra".
"São pessoas que não têm a capacidade de compreender a arte como um patrimônio cultural, que deve ser usufruído por todos. Enxergam apenas o valor material", comenta.
No ano passado, a principal preocupação das autoridades é que as obras acabassem enviadas ao exterior, o que dificultaria a recuperação delas. Logo após o roubo, a prefeitura de São Paulo acionou a Interpol, por meio da Polícia Federal.
A prefeitura também notificou diversas instituições ligadas ao patrimônio artístico, como o Cadastro Nacional de Bens Musealizados Desaparecidos, do Instituto Brasileiro de Museus, e o Banco de Bens Culturais Procurados, mantido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. A Associação de Galerias de Arte do Brasil também foi informada oficialmente do crime.
O objetivo dessas notificações era dificultar ao máximo que os bandidos conseguissem comercializar as peças.

Crédito, Divulgação/Prefeitura de São Paulo
A Biblioteca Mario de Andrade já enfrentou outro grande furto no passado.
Em 2006, 12 gravuras do século 19 foram furtadas. As obras de 1834 e 1835 tinham como destino o mercado clandestino de colecionadores de arte.
Eram ilustrações pintadas à mão pelo artista suíço Johann Jacob Setinmann (1800-1844), mostrando paisagens brasileiras. As pinturas integram a obra Souvenirs de Rio de Janeiro, uma publicação do alemão Karl Hermann Konrad Burmeister (1807-1892).
Elas foram recuperadas em 2024 pela Polícia Federal. Conforme divulgado na época, o material estava com um colecionador brasileiro que havia adquirido as peças de forma legal em uma casa de leilões de Londres.
* Com informações de Edison Veiga para a BBC News Brasil
- Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).


























