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<title>
Blog do Editor
 - 
Monica Vasconcelos
</title>
<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/</link>
<description>O comando da BBC Brasil discute grandes temas internacionais, mídia e o jornalismo da BBC.</description>
<language>pt</language>
<copyright>Copyright 2013</copyright>
<lastBuildDate>Fri, 12 Oct 2007 13:09:39 +0000</lastBuildDate>
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<item>
	<title>Era uma vez...um prêmio Nobel</title>
	<description><![CDATA[<p>Em 2002, tive o prazer de entrevistar a escritora Doris Lessing, que acaba de ganhar o prêmio Nobel de Literatura.</p>

<p>Na ocasião, fui pega de surpresa, já que não esperava que ela fosse concordar em falar comigo. Eu tinha pouquíssimo tempo para me preparar para a entrevista, no Queen Elizabeth Hall, uma das salas do centro cultural South Bank, na margem sul do rio Tâmisa.<br />
<img alt="doris203152.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/doris203152.jpg" width="203" height="304" /></p>

<p>Lembro que fiz um "brain storm" com meu colega Thomas Pappon e uma das perguntas que ele sugeriu falava justamente do Nobel. "Como ela se sentia por nunca ter ganho o prêmio?"</p>

<p>A entrevista foi incrível. Apesar de anos de experiência como repórter de artes, entrevistando artistas, escritores, músicos, atores e o que viesse, achei a conversa com Lessing uma das mais difíceis da minha vida profissional.</p>

<p>A ex-militante comunista me surpreendeu por seu pessimismo. Disse que as coisas não iam muito bem no mundo e que não esperava mudanças.</p>

<p>Falamos sobre o Brasil, sobre a situação no Zimbábue, sobre os livros que ela estava lendo no período.</p>

<p>Senti um prazer imenso em observar aquela cabeça funcionando, a precisão no uso das palavras, o raciocínio rápido, a clareza, a substância, a beleza dos pensamentos que saíam daquela mulher, na época com 82 anos.<br />
Mas a entrevista terminou mal… quando decidi perguntar sobre o Nobel.</p>

<p>Doris Lessing não gostou. Levantou-se da cadeira, visivelmente irritada. E disse que não ia responder, que o tema interessava a todo mundo, menos a ela. Saiu da sala.</p>

<p>Logo depois, fui me sentar no auditório para ouvir Doris ser entrevistada diante de uma platéia de centenas de pessoas.</p>

<p>Ali, no palco, encontrei a resposta para a pergunta que ainda me cutucava por dentro: "Onde tinha ido parar o idealismo e os sonhos da juventude de Lessing?"</p>

<p>Respondendo a uma das perguntas da platéia, a escritora disse que esperava, por meio dos seus livros, conseguir mudanças.</p>

<p>Para mim, naquele momento, a grande Doris Lessing se contradisse. E eu respirei aliviada.</p>

<p><em>Para ler a entrevista de Doris Lessing à BBC Brasil, clique nos links abaixo.</em></p>

<p><a href="https://nontonwae.pages.dev/portuguese/cultura/020305_dorisentrevistamv.shtml">https://nontonwae.pages.dev/portuguese/cultura/020305_dorisentrevistamv.shtml</a></p>

<p><a href="https://nontonwae.pages.dev/portuguese/cultura/020306_lessingmv.shtml">https://nontonwae.pages.dev/portuguese/cultura/020306_lessingmv.shtml</a></p>]]></description>
         <dc:creator>Monica Vasconcelos 
Monica Vasconcelos
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	<pubDate>Fri, 12 Oct 2007 13:09:39 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>Um por todos...</title>
	<description><![CDATA[<p>Na semana passada, fui cantar com a minha banda em uma escola primária aqui em Londres. Fomos, ao todo cinco, a pedido do baixista, Dudley Phillips. Um músico bem-sucedido e respeitado no circuito jazzístico de Londres.</p>

<p>É que os filhos dele estudaram na escola e ele tinha esse sonho, de organizar um show beneficente para ajudar a escola a fazer um dinheirinho.</p>

<p>Estudei vários anos em escolas públicas, como essa. O prédio era limpo, agradável, um ambiente sereno. As crianças já tinham ido para casa.</p>

<p>Demorou para eu entender que o show não era para elas, e, sim, para os pais. A sala dos professores virou o nosso camarim.</p>

<p>A funcionária que nos recebeu disse que podíamos nos servir de café ou chá. Quando olhei no armário, vi que havia vários vidros de café instantâneo, ou chá, todos com uma etiqueta indicando o nome do dono. Aqui na Grã-Bretanha não existe a figura da moça ou do moço do café. </p>

<p>O Dudley conseguiu emprestado de uma empresa o equipamento de som para o show. Que noite divertida.</p>

<p>No início, me perguntei se aquele tipo de música ia agradar. Em terra de muito rock e pop, jazz e música brasileria são músicas para mercado de nicho, para os iniciados.</p>

<p>Mas aos poucos "o público" foi relaxando e reagindo mais. No final do show, vendemos vários CDs e saímos de alma leve.</p>

<p>Eu quis registrar a noite nesse blog porque é um exemplo positivo, de como essa sociedade tem uma postura mais participativa, mais mão na massa.</p>

<p>O Dudley organizou a noite para retribuir à escola os anos de carinho e atenção dedicados aos seus dois filhos, hoje adolescentes.</p>

<p>Eu e os outros três músicos aceitamos o convite porque tocar sempre é bom, e ainda, de lambuja, poderíamos ajudar uma boa causa.</p>

<p>Os pais, mesmo aqueles que jamais ouviriam música daquele tipo, compraram seu ingresso e fizeram sua parte.</p>

<p>O que me alegra nessa experiência é saber que não é preciso ser Bob Geldof ou Bill Gates. Cada um de nós pode, de um jeito modesto, fazer a sua parte.</p>]]></description>
         <dc:creator>Monica Vasconcelos 
Monica Vasconcelos
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	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/2007/10/um_por_todos_e_todos_por_ume_m.shtml</link>
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	<category></category>
	<pubDate>Mon, 08 Oct 2007 15:32:21 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>Uma questão de culpa</title>
	<description><![CDATA[<p>Um dia desses fui a um churrasco na casa de um casal amigo. Ele, inglês. Ela, brasileira. E caímos naquele debate que não é novo, mas não cansa de me inflamar: até que ponto é justo que os britânicos mudem seus costumes e tradições para acomodar os dos imigrantes de outros países? </p>

<p>A questão já foi motivo de muito bate-boca na imprensa daqui. </p>

<p>Por exemplo, houve o caso da estudante muçulmana que queria usar o véu na escola. A escola tinha consultado entidades islâmicas moderadas e criado um uniforme opcional para as meninas. A estudante, no entanto, não estava satisfeita e queria usar uma roupa que cobria um pouco mais seu corpo. O caso foi parar no tribunal e a escola perdeu.<br />
 <br />
A história da professora que queria dar aulas vestindo um véu que deixava apenas seus olhos à mostra também gerou polêmica. Nesse caso, a justiça deu ganho de causa para a escola, que argumentou que era essencial que as crianças - em fase de alfabetização - vissem os lábios da professora para poderem aprender direito. </p>

<p>Outro caso que que ganhou espaço na imprensa daqui, embora tenha ocorrido na França, envolveu uma piscina pública. As autoridades estavam discutindo se deveriam estabelecer horários de freqüência diferentes para homens e mulheres de forma a que as muçulmanas pudessem freqüentar a piscina. </p>

<p>Até agora só me ocorreram exemplos envolvendo a população muçulmana, talvez porque atraiam mais a atenção da mídia. Mas há outras questões que nada têm a ver com religião.</p>

<p>O problema do idioma também provoca muito debate. Há comunidades inteiras de imigrantes que não falam inglês. As autoridades gastam milhares de libras para pagar tradutores nos tribunais, hospitais ou em qualquer outro serviço público para garantir que todos tenham acesso em pé de igualdade. </p>

<p>O foco, no momento, são os imigrantes poloneses. Desde a entrada da Polônia na União Européia, centenas de milhares de poloneses imigraram para a Grã-Bretanha, muitos deles incapazes de se comunicar.</p>

<p>Eu fico achando que está todo mundo louco. Onde foi parar aquele velho e tão sensato ditado, "Estando em Roma, faça como os romanos"?</p>

<p>Quando saio do Brasil, sempre deixo - e não sem sofrimento - uma outra Mônica para trás. Em Londres, tento respeitar os costumes do lugar. </p>

<p>Meu amigo inglês tentou argumentar. "Uma coisa são os costumes. Mas religião é outra história", ele disse. Explicou que, como britânico, ele acredita que as pessoas devem ter a liberdade de praticar sua religião. </p>

<p>Aí me lembrei de uma conversa anterior, também sobre esse assunto, que tive com um outro inglês. Ele tinha ouvido meus argumentos e respondido que concordava com tudo. Mas ainda assim, os britânicos não poderiam jamais agir de outra forma. “E por que não?” - eu tinha perguntado.  “It's a guilt thing”, foi a resposta. Uma questão de culpa. </p>]]></description>
         <dc:creator>Monica Vasconcelos 
Monica Vasconcelos
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	<pubDate>Tue, 11 Sep 2007 15:25:54 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>Caso de saúde pública... O debate continua</title>
	<description><![CDATA[<p>Quando escrevi esse blog, tinha lá no íntimo uma esperança de que os leitores fossem responder contando histórias positivas, de pessoas que dependem da saúde pública no Brasil e que tiveram boas experiências.</p>

<p>Ao invés disso, recebi várias críticas, algumas pessoais, por ter ousado compartilhar minha experiência.</p>

<p>Se tiverem o cuidado de ler meu texto direito, vão ver que não critiquei a medicina brasileira, muito pelo contrário. Só critico o fato de que a medicina cinco estrelas que existe no país não esteja disponível para todos, como eu gostaria. </p>

<p>Porque meu pai, um médico que sempre fez medicina por amor e vocação, me ensinou desde criança que medicina não deve jamais ser um comércio.</p>

<p>Na Grã-Bretanha, ela é pública, o que em princípio é uma coisa maravilhosa. Mas os resultados são bastante irregulares. </p>

<p>Estou à procura de alternativas possíveis para uma saúde melhor para todos.</p>

<p>Que tal fazermos uma discussão construtiva?</p>]]></description>
         <dc:creator>Monica Vasconcelos 
Monica Vasconcelos
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	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/2007/07/post_6.shtml</link>
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	<category></category>
	<pubDate>Tue, 31 Jul 2007 12:06:54 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Caso de saúde pública</title>
	<description><![CDATA[<p>Como filha de médico, sempre tive acesso a uma medicina cinco estrelas no Brasil.</p>

<p>Depois de 15 anos vivendo na Grã-Bretanha, ainda me choco com o nível baixo da medicina oferecida nos postos de saúde -  seu primeiro ponto de parada quando você tem qualquer problema médico que não seja uma emergência - daqui.</p>

<p>Nessas clínicas, você é visto por um clínico geral, ou GP, sigla inglesa para General Practitioner. A escolha das clínicas é determinada pelo bairro onde você mora. Quem tem sorte de morar perto de um posto de saúde onde há bons médicos, recebe um atendimento melhor. </p>

<p>Claro que existe um componente social aí: a probabilidade de você ser visto por um GP melhor aumenta se você mora em bairros mais afluentes. (Isso é teoria minha, podem me contradizer se acharem que estou enganada).</p>

<p>Na minha experiência, o GP, em um país onde a medicina é pública (não sei por quanto tempo isso ainda vai durar), funciona como um filtro que impede que você vá ao especialista. A idéia é que ele atenda a quem realmente precise. Além disso, quando você vai ao especialista, o governo gasta mais. Então, na prática, o que eu tenho vivenciado é que o GP evita que eu veja um médico especializado mas por outro lado não resolve meu problema. Ele vai receitando um remédio aqui, outro ali, e só me indica ao especialista se a coisa está mesmo muito brava.</p>

<p>Claro que nesse processo quem sofre é o paciente. Digamos que eu tenha um probleminha de pele. Aquilo não oferece risco sério para a minha saúde, mas pode causar extremo desconforto. Provavelmente vou ficar meses sofrendo com aquilo, porque o GP não vai me mandar para o dermatologista até a coisa ficar intolerável. </p>

<p>Talvez existam aí outros fatores.</p>

<p>O nível da formação oferecida aos médicos caiu muito (aliás, não só na Grã-Bretanha). É possível que o clínico geral à antiga fosse capaz de diagnosticar e tratar coisas que os GPs de hoje, menos preparados, não conseguem.  Além disso, o Sistema Nacional de Saúde britânico, o NHS, na sigla inglesa, está passando por uma crise terrível e os médicos estão desmotivados.</p>

<p>Enfim, contei toda essa história para chegar a um caso feliz.</p>

<p>Uma grande amiga passou por uma gravidez dificílima. Ela tem 42 anos e estava esperando gêmeos. Por causa da idade, ela acabou conseguindo passar na malha fina e foi vista por um especialista fera, que identificou um problema sério com os bebês.</p>

<p>Resultado, sem pagar nada mais do que as contribuições mensais que todo cidadão britânico faz para o sistema de saúde, minha amiga foi operada no quinto mês de gravidez. Os médicos operaram os gêmeos dentro da barriga dela. A técnica é bastante moderna, só existe há cinco anos.</p>

<p>Depois da cirurgia, ela foi acompanhada com ultrassons semanais. </p>

<p>No sétimo mês, foi feita uma cesariana. Havia 13 pessoas na equipe que fez a cirurgia. Agora, os gêmeos estão em uma encubadora. Vão ficar lá por pelo menos seis semanas. </p>

<p>Imagine o custo de um tratamento como esse. E quem está bancando tudo é o NHS. No Brasil, talvez só sendo rico, filho de médico (e olhe lá…) ou tendo um bom plano de saúde.</p>]]></description>
         <dc:creator>Monica Vasconcelos 
Monica Vasconcelos
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	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/2007/07/caso_de_saude_publica.shtml</link>
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	<pubDate>Tue, 17 Jul 2007 12:43:54 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>Se a tensão é grande, relaxe e seja racional</title>
	<description><![CDATA[<p>Me lembro bem daquela manhã no dia 7 de julho de 2005.</p>

<p>Acordei e, como de hábito, liguei o rádio para ouvir as notícias enquanto me arrumava para ir para a BBC. No início, parecia só que estávamos tendo um daqueles dias em que o metrô resolve não funcionar. Estações fechando, uma confusão. <br />
<img alt="bombs203.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/bombs203.jpg" width="203" height="300" /></p>

<p>Aí a coisa ficou mais sinistra. Ao invés de queda no sistema elétrico - como se suspeitava no início - o que tinha provocado os fechamentos era uma série de atentados a bomba simultâneos.</p>

<p>Minha primeira reação foi ligar para meu irmão, que também mora em Londres, e dizer pra ele não sair de casa.<br />
Depois, telefonei para meu editor, que me disse para ficar onde eu estava - ou seja, nada de ir para Bush House, no centro da cidade, num dia como aquele.  Ligar para casa, só mais tarde, já que no verão daqui a diferença de fuso fica muito grande. Eram pouco mais de cinco da manhã em São Paulo.</p>

<p>Foi um dia estranho. Choveram telefonemas e torpedos da família e dos amigos, tanto em Londres como no Brasil.<br />
Ás vezes a mensagem era curta e direta: "Are you ok?"  Essa frase ganha um tom tão dramático e desesperado em momentos como esse.</p>

<p>Na sexta-feira passada, dia 29 de junho, quase exatos dois anos depois, cheguei em casa tarde da noite e encontrei um recado na secretária eletrônica. "Mô, só liguei pra saber se está tudo bem".</p>

<p>Os dois carros com bombas encontrados no centro de Londres não chegaram a explodir, mas mesmo assim os amigos se preocupam. Meus pais preferem não tocar no assunto, mas sei que ficam numa ansiedade incrível com notícias como essas.</p>

<p>Retornei o telefonema da minha amiga. "Está tudo bem, não se preocupe. A chance de você ser pego em uma explosão é mínima, sabia?"  Ela riu. "Como você é racional!"  Respondi que essa era a única saída, ser racional.</p>

<p>E ninguém entende mais isso do que os londrinos. Depois de anos de atentados do IRA, ficaram vacinados.<br />
Só mudou o nome da organização...</p>

<p>Os "quase" atentados em Londres e em Glasgow no fim de semana me remetem a um trecho da letra de uma música que o John Lennon escreveu para o filho, Sean.  "Life is what happens when you are busy making plans".</p>

<p>Então, pensando bem, a saída é não apenas ser racional.  Mas também lembrar, todo dia, que estou viva agora. E é só.</p>]]></description>
         <dc:creator>Monica Vasconcelos 
Monica Vasconcelos
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	<pubDate>Wed, 04 Jul 2007 13:57:58 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>Paraíso para mim é um pub sem fumaça</title>
	<description><![CDATA[<p>Dia primeiro de julho fica proibido fumar em restaurantes, bares e espaços públicos em toda Grã-Bretanha.<br />
Eu mal posso esperar, já que não fumo, nunca fumei e estou cada vez mais sensível à fumaça de cigarro.<br />
O problema aqui na Inglaterra é que, por causa do frio, os prédios são muito bem vedados. Resultado, onde quer que haja gente fumando, a fumaça fica concentrada e não tem por onde sair.<img alt="cigarro203.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/cigarro203.jpg" width="203" height="152" /><br />
Quando ando no metrô, reconheço pelo cheiro quem esteve nos pubs. O fedor de fumaça e de cerveja fica impregnado na roupa, na pele, no cabelo. <br />
É desagradável.<br />
Confesso, então, que estou na contagem regressiva, sonhando poder ficar horas com os amigos nos pubs de Londres sem sofrer com o vício alheio.<br />
Sei que, na prática, o que vai acontecer é que os fumantes vão interromper o papo a intervalos variáveis (de acordo com a urgência do hábito) para sair e acender o cigarro do lado de fora. De vez em quando, por solidariedade, ou para não perder o fio da meada, imagino que eu vá me sentir um pouco obrigada a acompanhar um amigo até a calçada por alguns minutos. Isso a gente faz, não é nenhum grande sacrifício.<br />
Mas enquanto a lei não entra em vigor, estou gostando de observar as reações dos fumantes.<br />
Vários conhecidos estão tentando parar de fumar antes do primeiro de julho. Como o cigarro é muito caro por aqui, só pensar na economia já é um bom incentivo. Quem fuma um maço por dia, economizaria em média o equivalente a R$600 por mês se conseguisse se livrar do hábito.<br />
A turma dos fumantes convictos, no entanto, está detestando a novidade.<br />
Reclama do "Estado babá" que fica interferindo demais na vida dos cidadãos.<br />
Divertido mesmo é o pessoal do grupo Forest - sigla para Freedom Organization for the Right to Enjoy Smoking Tobbaco, uma entidade que briga pela liberdade de fumar tabaco.<br />
Eles decidiram fazer um protesto com humor e estilo.<br />
Organizaram o jantar <em>Revolt in Style</em>, algo assim como "Revolte-se em Estilo" no tradicionalíssimo hotel Savoy, exatamente seis dias antes da entrada em vigor da lei. Vão aproveitar para enfumaçar à vontade o luxuoso restaurante. O detalhe é que cada um desses estilosos fumantes vai pagar £98, cerca de R$400, pelo jantar.</p>]]></description>
         <dc:creator>Monica Vasconcelos 
Monica Vasconcelos
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	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/2007/06/paraiso_para_mim_e_um_pub_sem_1.shtml</link>
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	<pubDate>Tue, 19 Jun 2007 11:42:01 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>Singing in the Rain</title>
	<description><![CDATA[<p>Segunda-feira foi feriado aqui na Grã-Bretanha. É o Feriado da Primavera, que se comemora na última segunda-feira de maio. </p>

<p>Para nós, jornalistas da BBC Brasil, a rotina é a mesma, já que não é feriado no Brasil e, portanto, temos de manter a página fresquinha com notícias. Ou seja, quase nunca viajo nos feriados daqui.</p>

<p>Nesses dias, Londres fica mais vazia. Quer dizer, tem sempre os turistas. Mas dessa vez a cidade esvaziou mesmo, talvez porque, depois de uma primavera maravilhosa, amena e cheia de sol, uma conjunção atmosférica tenebrosa trouxe o inverno de volta. E pior, com muita chuva.</p>

<p><img alt="wetholiday203pa.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/wetholiday203pa.jpg" width="203" height="336" /></p>

<p>Só se você for paulistano para entender o que é Londres em dia fechado e com chuva. O céu cinzento parece ficar mais baixo, as nuvens descem sobre você e te oprimem. O frio e a umidade trazem aquele desconforto.<br />
E, seres frágeis que somos, nós logo caímos em depressão. Foi assim desde sexta-feira.</p>

<p>No sábado, em um esforço sobre-humano para não me deixar abater, saí de guarda-chuva na mão cantarolando músicas da Marisa Monte. Aqueles rockinhos dela, leves, que falam de corações partidos e amores que não deram certo. Tudo bem, tinha coração partido na história, mas tudo com leveza carioca.</p>

<p>Saí cantando e não queria nem saber se os passantes achavam que eu era louca. Cantar na rua em Londres, só se você for maluquinha(o). Qual não foi a minha surpresa quando vi uma moça passar, sem guarda-chuva, também cantando. São as estratégias que um ser humano tem de criar para não se deixar derrubar pelo tempo. </p>

<p>O tempo, personagem central na vida britânica, assunto de muita conversa fiada - "small talk", como eles chamam por aqui. O (mau) tempo foi a grande estrela do Feriado de Primavera. E eu acho que nesse feriado, particularmente, seu efeito foi sentido com muito mais força. Porque em quinze anos vivendo em Londres, nunca vivi um inverno tão ameno e uma primavera tão quente e ensolarada. Acho que ficamos mal-acostumados.</p>

<p>Resta agora saber se o Feriado da Primavera é uma medida do que vai ser este verão: chuvoso, cinzento e cruel. Ou se 2007 vai entrar para a história como o ano em que escapamos do frio. </p>]]></description>
         <dc:creator>Monica Vasconcelos 
Monica Vasconcelos
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	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/2007/05/singing_in_the_rain_1.shtml</link>
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	<pubDate>Tue, 29 May 2007 19:18:48 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>Meu novo vizinho</title>
	<description><![CDATA[<p>Eu moro ao lado do estádio de Wembley, em Londres. Quando me mudei, há cinco anos, o antigo estádio estava sendo demolido.Então, vi o bicho ser construído aos poucos.<br />
<img alt="wembley9_203s.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/wembley9_203s.jpg" width="203" height="152" /><br />
E sempre sendo assunto nos jornais.</p>

<p>O orçamento estourou, a construtora está falida… Caiu uma viga e os trabalhadores tiveram de ser retirados às pressas… O estádio não vai ficar pronto a tempo para a Final da Copa da Inglaterra em 2006... E não ficou mesmo.</p>

<p>Mas, no último sábado, aconteceu o primeiro grande evento no novo Wembley: a final da Copa da Inglaterra de 2007. E eu fiquei dias preparando minha estratégia: como vou fazer para driblar os invasores? Vão ser 90 mil pessoas invadindo a minha praia! Vai ser impossível entrar no metrô ou no trem, já que não é permitido o acesso a carros.</p>

<p>Ônibus, então, nem pensar...</p>

<p>No sábado pela manhã, já dava para ouvir os gritos de guerra dos primeiros torcedores. Chelsea e Manchester United estavam disputando o título.</p>

<p>Bem, a saída é bater o sistema, fazer a rota inversa, ir contra a corrente. Meu plano funcionou direitinho.</p>

<p>Saí de casa às quatro horas da tarde, bem na metade do jogo. Fui à estação de trem Wembley Stadium, que fica a três minutos de distância.</p>

<p>No portão, o segurança disse que eu não podia entrar por ali, aquele portão só abriria após o final do jogo. Eu tinha de fazer outro caminho.</p>

<p>Expliquei que moro em Wembley, que aquele era o melhor acesso para mim (tenho um problema no olho e aprender caminhos diferentes sempre requer um certo investimento…).</p>

<p>Enfim, convenci o sujeito a me deixar usar a entrada habitual.</p>

<p>Na plataforma, vários policiais. O trem chegou na hora, fui embora e só voltei às onze da noite. O jogo tinha acabado às cinco e meia.</p>

<p>O único vestígio da multidão de invasores que encontrei foi um cartaz arrancado de um desses espaços para anúncios que existem dentro dos vagões.</p>

<p>Não resisti e parei para um papo com os funcionários do metrô.</p>

<p>Como foi administrar a multidão? Vocês ficaram ansiosos ou com medo? Houve algum problema? Quanto tempo demorou para irem todos embora? </p>

<p>Três funcionários pararam para conversar comigo. Problema nenhum.</p>

<p>"Às sete e meia, a multidão já tinha desaparecido. Claro que alguns pararam nos pubs para beber, mas a maioria foi embora", disse uma das moças. "Eu, que era a única mulher ali embaixo, perto da  escada, não me senti ameaçada em momento algum."</p>

<p>"Se você quer saber, temos mais problemas aos domingos pela manhã, quando tem mercado de rua", disse o moço. "Na verdade, o policiamento era tão grande, desse jeito não há perigo", disse outra moça.</p>

<p>E veio a dica:</p>

<p>"Fique sempre de olho nos cartazes que espalhamos pelas plataformas. Eles vão informar em que dias e em que horários você deve evitar a estação".</p>

<p>Daqui para a frente, minha vida vai ser assim. Vou ter de aprender a conviver com meu novo vizinho.</p>]]></description>
         <dc:creator>Monica Vasconcelos 
Monica Vasconcelos
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	<pubDate>Tue, 22 May 2007 17:03:51 +0000</pubDate>
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	<title>Música que ignora fronteiras</title>
	<description><![CDATA[<p>Há uma semana houve um belo encontro musical aqui em Londres. Desses que acontecem o tempo todo, porque músico é um bicho assim, itinerante. Mas essas coisas não saem na TV… Então eu conto aqui no blog.</p>

<p>Música é uma linguagem global, como disse o Lenine em uma entrevista para mim, "é uma espécie de esperanto". Acho isso lindo.</p>

<p>Por acaso fiquei sabendo que o Teco Cardoso, o saxofonista e flautista paulista, estava tocando em Londres com o Ben Davis (violoncelista inglês cujo grupo, Basquiat Strings, foi tema do meu último post). E fui conferir.</p>

<p>A formação toda era a seguinte:</p>

<p>Além do Teco - que veio especialmente do Brasil para um total de cinco shows com essa turma na Inglaterra - e o Ben, estavam no palco:</p>

<p>O violonista inglês Johnny Phillips, o baterista inglês Seb Rochord.</p>

<p>O pianista dinamarquês Thomas Clausen, o percussionista e baterista brasileiro radicado na Dinamarca Afonso Correia.</p>

<p>E o contra-baixista brasileiro radicado na Inglaterra Fernando Di Marco.</p>

<p>Esse time, com jogadores de três países diferentes, tocou música composta pelo Thomas, que segundo o Ben, "embora seja dinamarquês, compõe exatamente como um brasileiro", e também composições do Johnny.</p>

<p>O resultado desse encontro é música que não cabe em fronteira nenhuma, na verdade. </p>

<p>Os improvisos, especialmente do Thomas e do Teco, iam levando você até a estratosfera. Maravilhosos. E a platéia adorou.</p>

<p>Acho gostosa essa cultura musical que existe aqui na Inglaterra. Não é um mercado de massa, mas existe uma facção do público que gosta de música instrumental e tem abertura para passar uma noite ouvindo e sendo testemunha de encontros como esse, de pessoas que têm bagagens sonoras, culturais e de vida tão diferentes, e que se juntam para fazer mágica em algum canto do planeta.</p>

<p>Sempre penso nisso quando ouço discussões sobre racismo, imigração, multiculturalismo… Existem tantas formas de conviver e de criar coletivamente. Acho que a música, especialmente o jazz, oferecem bons modelos.</p>]]></description>
         <dc:creator>Monica Vasconcelos 
Monica Vasconcelos
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	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/2007/05/post_5.shtml</link>
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	<category></category>
	<pubDate>Thu, 17 May 2007 15:30:43 +0000</pubDate>
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	<title>Brigada do Jazz</title>
	<description><![CDATA[<p>Recentemente fui ao Vortex, meu clube de jazz preferido em Londres. Fui ouvir o <em>Basquiat Strings</em>, grupo formado por um quinteto de cordas: dois violinos, uma viola, um violoncelo, um contrabaixo acústico e uma bateria.</p>

<p>O grupo se destaca por pegar essa unidade tão tradicional da música erudita, interferir nela ao incluir a bateria e o baixo, e usá-la para fazer jazz. E que beleza de jazz.</p>

<p>As composições e arranjos são do Ben Davis, um inglês com quem ja trabalhei. </p>

<p>Eles fazem uma musica difícil, onde você tem de tolerar horas de aridez para conseguir, de vez em quando, um minutinho de lirismo. Como boa brasileira, não vivo sem uma bela melodia.  E o que percebo no trabalho do Ben é que ele não tem medo da beleza e do lirismo.</p>

<p>Aquelas cordas foram me emocionando, me levando de um jeito numa viagem que às vezes eu pensava que não dava para ficar mais bonito. E ficava. E não era só melodia e lirismo. Tinha suingue. Tinha balanco, ritmo.</p>

<p>Saí do Vortex pensando na ironia das coisas. Sei que músico vive mal, sem grana. Não é novidade. Veja o exemplo do Mozart...</p>

<p>Mas não consigo deixar de pensar que se o mundo tivesse acesso àquela poesia toda, iria ficar maravilhado.<br />
No entanto, lá estava eu, junto com quem sabe umas cem pessoas?</p>

<p>Isso não é nada para a quantidade de talento, trabalho e arte que tinha ali naquele palco. </p>

<p>Quando fiz minha série sobre jazz para a BBC Brasil, tentei explicar isso, e a mensagem continua.</p>

<p>A brigada do jazz, essa irmandade, quando não consegue ir por cima, vai por baixo.<br />
Ninguém segura, ninguém compra, ninguém barra. Jazz pelo jazz.</p>

<p>Eu fico feliz só em poder ser testemunha.</p>]]></description>
         <dc:creator>Monica Vasconcelos 
Monica Vasconcelos
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	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/2007/03/brigada_do_jazz.shtml</link>
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	<category></category>
	<pubDate>Mon, 19 Mar 2007 16:39:41 +0000</pubDate>
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