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<title>
Blog do Editor
 - 
Márcia Freitas
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<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/</link>
<description>O comando da BBC Brasil discute grandes temas internacionais, mídia e o jornalismo da BBC.</description>
<language>pt</language>
<copyright>Copyright 2013</copyright>
<lastBuildDate>Wed, 02 Apr 2008 14:54:13 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Tamanho importa?</title>
	<description><![CDATA[<p>Às vezes me impressiona o fato de que alguns tabus não acabam nunca. <img alt="sarkozybruniblog.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/sarkozybruniblog.jpg" width="300" height="200" />Na semana passada, durante a visita do presidente francês, Nicolas Sarkozy, a Londres, um dos assuntos preferidos dos jornais era fiscalizar que tipo de sapato a mulher dele, Carla Bruni, estava usando, prá disfarçar a diferença de tamanho dos dois. A ex-modelo Carla é, obviamente, bem mais alta. </p>

<p>Outro casal que tem de 'aturar' os comentários engraçadinhos é a modelo Sophie Dahl e o músico Jamie Cullum. Na última vez que li uma reportagem sobre os dois, lá estava o adjetivo 'statuesque' - ou, semelhante a uma estátua - se referindo a ela, em uma clara alusão à diferença de tamanho dos dois.<img alt="sophiejamieblog.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/sophiejamieblog.jpg" width="200" height="300" /></p>

<p>Mas, mesmo assim, parece que a 'moda' de namorar baixinhos, ou altinhas, dependendo do ponto de vista, está pegando. Afinal, só aqui nesta coluna, estão três casais 'fora dos padrões'. </p>

<p><img alt="_44501636_gcc_promo.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/_44501636_gcc_promo.jpg" width="203" height="152" /></p>

<p>Confesso que não sou a pessoa mais indicada para falar do assunto. Com 1,55 m, jamais tive e, creio, jamais terei esse dilema. Mas será que esse tabu já não deveria ter sido superado?</p>]]></description>
         <dc:creator>Márcia Freitas 
Márcia Freitas
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	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/2008/04/tamanho_importa.shtml</link>
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	<category></category>
	<pubDate>Wed, 02 Apr 2008 14:54:13 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>Ser ou não ser politicamente correto?</title>
	<description><![CDATA[<p>Venhamos e convenhamos, mas gente politicamente correta é prá lá de chata. </p>

<p>Os ciclistas, por exemplo. Parecem crer  que estão - e podem até estar - ajudando a salvar o planeta. O problema é que muitos aqui em Londres parecem também pensar que por estarem fazendo tal bem à humanidade, não precisam obedecer as leis de trânsito. E eu não vou nem começar a falar dos não-fumantes.</p>

<p>Mas essa coisa de ser ou não politicamente correto acaba sempre se invertendo. Outro dia, no pub, ouvi um amigo meu dizer que homens que usam maquiagem não são 'normais'. Torci o nariz, indignada, em defesa dos amigos drag queens que, infelizmente, não tenho.</p>

<p>E fica ainda mais complicado. Na semana passada, a loja Zara retirou de suas lojas aqui na Grã-Bretanha bolsas que levavam suásticas estampadas ao lado de flores, depois de reclamações de consumidores. Apesar de ser um símbolo de paz para os budistas e hindus, depois que foi seqüestrada pelas nazistas e veio a representar os horrores que representa, a suástica foi condenada para sempre. Defendê-la não é apenas politicamente incorreto, mas também potencialmente perigoso e ninguém irá se arriscar a fazê-lo.</p>

<p>Mas há tendências bem mais simples e, na minha opinião, um tanto ridículas. Muitos já devem saber o que aconteceu com a canção de roda <em>Atirei o pau no gato</em>, que virou, na versão politicamente correta:</p>

<p><em>Não atire o pau no gato-tô-tô<br />
Por que isso-sô<br />
Não se faz-faz-faz<br />
O gati-nhô-nhô<br />
É nosso ami-gô-gô<br />
Não se deve<br />
Maltratar os animais<br />
Miau!. </em></p>

<p>Eu - que pertenço a uma geração que cresceu cantando a versão original de <em>Atirei o pau no gato </em>e nem por isso se transformou em um bando de monstros que maltratam os animais - não estou inteiramente convencida da utilidade desse palavrório politicamente correto. </p>]]></description>
         <dc:creator>Márcia Freitas 
Márcia Freitas
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	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/2007/09/ser_ou_nao_ser_politicamente_c.shtml</link>
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	<category></category>
	<pubDate>Fri, 28 Sep 2007 12:48:25 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>Amy Winehouse, uma diva perdida?</title>
	<description><![CDATA[<p>No fim das contas, depois de muita especulação, <a href="http://www.amywinehouse.co.uk/">Amy Winehouse</a> apareceu na cerimônia do prêmio Mercury de música na terça-feira. Não levou o prêmio, como devem saber, mas se quiserem ler mais vejam <a href="https://nontonwae.pages.dev/portuguese/reporterbbc/story/2007/09/070905_klaxonsmercury_tp.shtml">nessa reportagem</a> da BBC Brasil. O tema desse blog é, na verdade, o quanto a cantora Amy Winehouse e sua vida supostamente perturbada têm dominado os jornais daqui.</p>

<p>Quero dizer logo de início que sou fã de Amy Winehouse. Mas o fato de que ela é uma das grandes revelações da música britânica nos últimos tempos é quase indiscutível. O problema é outro. No começo do mês, Amy foi levada ao hospital por causa de 'exaustão profunda', quase um trocadilho por aqui para abuso de drogas. Amy teria, segundo os tablóides - como são chamados os jornais populares daqui - tido uma overdose de crack e heroína. Tudo tomou uma proporção incrível quando o padrasto de Blake Fielder-Civil, o marido de Amy, e a mãe dele falaram à BBC e defenderam que os fãs boicotassem o trabalho da cantora até o casal tomar um rumo. Depois, o pai da 'diva' também veio a público chamando a idéia de absurda, e os jornais do fim de semana se encheram de artigos sobre o destino de Amy e seu marido. O <em>Financial Times</em> resumiu o tom na sua chamada de capa : <em>'Amy Winehouse - Can anyone save this fallen diva?',</em> algo como 'Alguém pode salvar essa diva perdida?'. Houve também reportagens sobre outros artistas famosos que tiveram uma vida curta por causa do abuso de drogas e outros artigos do tipo.</p>

<p><img alt="_44089714_winehouse_ap.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/_44089714_winehouse_ap.jpg" width="203" height="152" /></p>

<p>É difícil dizer o quão perturbada está a vida de Amy Winehouse já que os tablóides britânicos parecem apelar para o mundo da ficção de vez em quando, mas o fato de que os próprios pais de Fielder-Civil se dizem muito preocupados pode ser um sinal de que o problema é mesmo verdadeiro. Mas a questão é: por que nos importamos tanto? Eu, como fã, espero que Amy Winehouse viva muitos anos e grave muitos discos, com drogas, sem drogas, com certeza não cabe a mim dizer. Mas de onde veio essa parafernália toda? </p>

<p>Um jornalista do <em>Guardian</em>, <a href="http://www.guardian.co.uk/commentisfree/story/0,,2161366,00.html">Mark Ravenhill</a>, disse que toda sociedade precisa de um totem, alguém que vá a extremos que nós não temos coragem de seguir. Já na reportagem do <em>Financial Times</em> citada acima, <a href="http://www.ft.com/cms/s/0/5e57aed8-5823-11dc-8c65-0000779fd2ac.html">Ludovic Hunter-Tilney</a> diz que a cantora é como uma participante do Big Brother - que não tem vergonha da contemplação faminta do público - mas com talento. Acho que essa teoria faz até sentido, não sei direito. Mas sei que não deixarei de comprar os CDs de Amy Winehouse. </p>]]></description>
         <dc:creator>Márcia Freitas 
Márcia Freitas
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	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/2007/09/amy_winehouse_uma_diva_perdida.shtml</link>
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	<category></category>
	<pubDate>Thu, 06 Sep 2007 15:05:48 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>O cliente, esse infeliz</title>
	<description><![CDATA[<p>Eu já não me lembro como era no Brasil, mas aqui na Grã-Bretanha toda vez que você precisa de algum tipo de serviço, é um pesadelo. </p>

<p>Por exemplo, o seu cartão de crédito expirou e você precisa receber o novo. O banco te manda uma carta para você marcar um dia mais conveniente para receber o cartão. Você precisa estar em casa para assinar a correspondência, por medida de segurança. Acontece que a empresa que entrega o cartão diz que você pode escolher o dia, mas não a hora da entrega. Então, em princípio, você tem que ficar das 9 da manhã às 5 da tarde esperando. É possível?</p>

<p>Na semana passada, precisei chamar o técnico para verificar um problema na conexão de internet. Me disseram que o cara viria entre 9 e 11 da manhã. Às dez, ele me ligou para dizer que estaria lá em uma hora. Às onze, ligou de novo para dizer que estava chegando. Chegou ao meio-dia. </p>

<p>Mas é preciso reconhecer que as pessoas que prestam serviço também devem ter as suas reclamações. Enquanto o cara estava em casa resolvendo o problema da conexão, um colega seu ligou contando a seguinte: ele tinha ido visitar um cliente que estava reclamando que estava sem internet. Quando ele chegou na casa do sujeito para verificar o problema, descobriu que o cara não tinha computador. 'Não tinha computador, tem certeza?', pergunta o meu prestador de serviço. 'Não, não tinha', responde o outro, e queria internet. Oras bolas. </p>]]></description>
         <dc:creator>Márcia Freitas 
Márcia Freitas
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	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/2007/08/o_cliente_esse_infeliz.shtml</link>
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	<category></category>
	<pubDate>Wed, 22 Aug 2007 20:08:40 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>O tempo e a previsão do tempo - uma obsessão</title>
	<description><![CDATA[<p>Eu me lembro que em um dos meus primeiros anos aqui na Grã-Bretanha, eu ouvi uma senhora dizer uma frase britânica clássica ao entrar em um restaurante: 'Oh, dear... what a horrible weather!' (algo como 'Nossa, que tempo horrível'). Era um dia cinzento e chuvoso, como a maioria dos dias aqui. Na época pensei como era possível que essa mulher, de seus 70 anos, depois de viver provavelmente toda a vida aqui, ainda conseguia fazer algum comentário sobre o tempo. Afinal, não é todo dia igual e, ainda por cima, todo dia cinzento?</p>

<p>Mas isso foi no começo. Hoje, anos mais tarde, eu sei que falar sobre o tempo é como uma 'doença contagiosa'. Depois de uns anos morando aqui, o tempo passa a ser um de seus tópicos inevitáveis. Ninguém escapa. Pelo menos uma vez ao dia você vai mencionar o assunto. Como estava o tempo ontem, como está hoje e como estará amanhã. E, como estamos em uma ilha, o tempo também pode mudar bastante durante um único dia. Você fica olhando pela janela para decidir que roupa usar, se deve levar sombrinha etc. Vira uma obsessão.</p>

<p><img alt="070807_previsao203.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/070807_previsao203.jpg" width="203" height="152" /></p>

<p>Depois de mais de 9 anos aqui, eu devo estar em um estágio avançado da doença. Acabei de voltar de uma semana de férias na Grécia, onde o aquecimento global está 'funcionando direitinho' e as temperaturas chegam aos 45, 46 graus. Mesmo assim, eu comentava sobre o tempo, sempre, com os amigos que encontrava. Nossa, que calor, meu Deus, que delícia, estamos amando, é, sim, mas hoje deu uma esfriadinha, ficou só em 32 graus, amanhã vai chegar aos 39, será que não chove? e aí por diante. Com o clima mudando em todo o lugar, daqui a pouco não vai sobrar tempo para falar de mais nada. </p>

<p>Como já foi mencionado em outros blogs, aqui na Grã-Bretanha estamos com certeza sendo castigados por alguma coisa neste verão. Abril foi lindo, mas desde então acho que só tivemos uns cinco dias de sol.</p>

<p>Quando voltei no domingo, o tempo estava melhor aqui. Na segunda, ao entrar na redação, o primeiro comentário que fiz foi: 'nossa, o tempo melhorou, hein?'. Em meia hora, ouvi a colega ao lado comentar ao telefone como o tempo estava ótimo no fim de semana. Como disse, ninguém escapa.</p>

<p>Mesmo tendo finalmente descoberto que o hábito de falar sobre o tempo é na verdade uma 'doença contagiosa', a atitude dos britânicos em relação ao clima ainda me surpreende. Na última semana de julho, quando tivemos o primeiro desses cinco dias de sol no ano, qual não foi a minha supresa ao ver, de manhã, na estação de metrô, um desses cartazes comuns por aqui no verão que dizem 'stay cool in the heat', dando conselhos sobre como lidar com o calor (?!?!), tais como carregar sempre uma garrafinha de água e usar roupas arejadas. 'Heat', que 'heat'? Esses britânicos....</p>]]></description>
         <dc:creator>Márcia Freitas 
Márcia Freitas
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	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/2007/08/o_tempo_e_a_previsao_do_tempo.shtml</link>
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	<category></category>
	<pubDate>Tue, 07 Aug 2007 14:47:22 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>Dalí, Destino e Shirley Temple</title>
	<description><![CDATA[<p>Aqui estou eu de novo falando sobre surrealismo. Prometo que é a última vez. De qualquer forma, vale a pena, porque a <a href="http://www.tate.org.uk/modern/exhibitions/daliandfilm/default.shtm">Tate Modern</a> está com uma exposição muito legal sobre a paixão de Salvador Dalí pelo cinema.</p>

<p>Ao todo, são 14 salas mostrando quadros de Dalí nos quais a influência do cinema estaria presente - como com o uso de sombra no primeiro plano -, quadros feitos especialmente para trabalhos cinematográficos e trechos de filmes com os quais Dalí contribuiu, como <em>Um cão andaluz</em>, <em>A Idade do Ouro</em> e <em>Quando Fala o Coração</em>.</p>

<p>Dá uma sensação estranha no início. Você está tentando olhar para os quadros, mas há o som dos filmes ao fundo, meio que chamando a sua atenção. Depois, você se acostuma. Eu gosto muito de olhar para os quadros de Dalí, com aqueles espaços do deserto, os relógios moles, os telefones, as formigas que se repetem. Você pode até ficar tentando entender o que aquilo tudo quer dizer, mas o encanto, quando há, não é esse. As imagens surrealistas, apesar de muitas vezes estranhas, têm uma certa leveza, transformando o mundo em um lugar menos ordinário.</p>

<p><img alt="dali203.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/dali203.jpg" width="203" height="152" /><br />
É realmente uma oportunidade imperdível poder olhar para os quadros e depois os ver transportados para a tela. E o ponto alto é a animação <em>Destino</em>, feita por Dalí juntamente com Walt Disney e abandonada nos estúdios por 60 anos. Além de ser uma colaboração única, o fato de ter sido quase esquecida dá à obra, é claro, um valor especial. </p>

<p>Mas, percebe-se, o fascínio de Dalí pelo cinema tomou também formas menos românticas. Um dos quadros na exposição mostra o rosto da atriz Shirley Temple jovem com o corpo de um animal monstruoso. O título:<em> Shirley Temple, The Youngest, Most Sacred Monster of the Cinema in Her Time</em> (Shirley Temple, o Mais Jovem, Mais Sagrado Monstro do Cinema em Seu Tempo, em uma tradução livre). O porquê de tamanha aversão permanece, ao que parece, um mistério.</p>]]></description>
         <dc:creator>Márcia Freitas 
Márcia Freitas
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	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/2007/06/dali_e_o_cinema.shtml</link>
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	<category></category>
	<pubDate>Fri, 08 Jun 2007 17:36:43 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>Uma TV surreal</title>
	<description><![CDATA[<p><img alt="alan203.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/alan203.jpg" width="203" height="152" /><br />
Imagine, ligar a TV e ver o mundo de um jeito diferente. Mas diferente mesmo, com um olhar surrealista. Foi isso o que fez Alan Yentob (na foto ao lado, Yentob em um momento surreal), no quarto e último episódio da série <em>Imagine</em>, sobre arte, que foi ao ar na última terça-feira no canal 1 da BBC. </p>

<p>Infelizmente, eu perdi os três episodios anteriores da série, que falaram sobre a dupla de artistas britânicos Gilbert e George, contaram a luta da senhora Maria Altmann, de 90 anos, para recuperar cinco quadros de Gustav Klimt roubados pelos nazistas da familia dela em Viena em 1938 e também falaram sobre a história do músico Scott Walker, que teria influenciado artistas como David Bowie e Radiohead. Isso eu sei, é claro, porque visitei o site da série, que você pode conferir <a href="https://nontonwae.pages.dev/imagine/article/about.shtml">aqui</a>. Vale a pena, porque você pode ver vários vídeos e galerias de fotos ilustrando os trabalhos desses artistas. </p>

<p>Tambem lá no site, Yentob diz que a idéia da série é ser "ousada". "Nós queremos que seja acessível, mas esperamos também inspirar e surpreender". <img alt="perry0106.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/perry0106.jpg" width="203" height="152" />Entre os entrevistados do programa <em>Imagine... It’s the surreal thing</em>, estavam o artista Grayson Perry, que se veste com roupas de menina (na foto ao lado, ele aparece ao lado da mulher e da filha), e fez um mapa da própria mente, a artista Zoe Walker, e sua lua gigante, e o cineasta Michel Gondry, que fez o filme <em>A Ciência dos Sonhos</em>.</p>

<p>O mais legal do programa é que Yentob o fez como se estivesse num sonho mesmo. No início, ele aparece no quadro de René Magritte <em>The Reckless Sleeper </em> e dizendo "I had a dream...(Eu tive um sonho)" e, a partir dessa idéia, o programa prossegue. Eu não vi esse início. A Carolina Oliveira, aqui da BBC, me contou. Mas, em parte talvez por causa do programa, consigo imaginar essa idéia e, só de imaginar, já me sinto bem.</p>

<p>Eu peguei o programa pela metade, sem querer mesmo, no meio do jantar. Mas creio que já deu para perceber, realmente me inspirou. Então, toda essa introdução sobre o programa de Yentob é porque eu queria dizer que é uma coisa realmente maravilhosa que a TV britânica tem, que você pode encontrar programas assim, fora do ordinário. Há espaço, e não só na BBC, que é uma TV pública e tem, obviamente, um perfil diferente. Muitos programas são terceirizados e os produtores não tem medo de errar. </p>

<p>É verdade que a TV britância não é perfeita. Está também cheia de shows de "reality TV", de gente "vendendo a mãe" para ficar famoso, ou de celebridades no meio da selva. Além disso, os canais fechados dominam muitos dos jogos de futebol e, o mais absurdo na minha opinião, a cerimônia do Oscar, que não pode ser vista na TV aberta. Para completar, as novelas, que estão no ar há uns 20 anos, não são nada mesmo comparadas às novelas brasileiras. </p>

<p>Mas, mesmo assim, se é preciso trocar o Oscar por um programa desses como o <em>Imagine</em>, eu acho que vale a pena.</p>]]></description>
         <dc:creator>Márcia Freitas 
Márcia Freitas
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	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/2007/06/uma_tv_surreal_1.shtml</link>
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	<category></category>
	<pubDate>Fri, 01 Jun 2007 16:09:29 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>Londres, de graça</title>
	<description><![CDATA[<p>Chegou aquela época do ano. O sol já sai com mais freqüência e nós, londrinos, queremos sair de casa. Mas Londres é, como devem saber, cara, muito cara. Por isso, em todo lugar, o que se vê agora são dicas sobre como se divertir na cidade sem pagar nada. Confesso que olhei para alguns desses guias com incredulidade. Mas, às vezes, é preciso reagir, porque há sempre o perigo de se tornar um cético cedo demais.<br />
<img alt="timeout.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/timeout.jpg" width="150" height="200" /><br />
Folheei então as dicas dadas pela <a href="http://www.timeout.com/london/features/2892.html">Time Out</a>, que você também pode checar no site da revista, a bíblia sobre o que acontece em Londres. E decidi conferir uma das dicas. Fui ao <a href="http://www.wcukdev.co.uk/ryan/cellardoor/backend/">CellarDoor</a>, um bar que fica bem pertinho aqui da BBC, mas relativamente difícil de achar, já que a entrada são as escadas que, antes, levavam a um banheiro público. O que mais gostei foi o tamanho do lugar, minúsculo, e o assento dos banquinhos, que têm a forma de um beijo. Não paga para entrar, obviamente, e há música e performances ao vivo. Jazz e cabaré. Mas a cerveja é cara, £ 3.85 (quase R$ 15). </p>

<p>Ok, é possível então encontrar atrações de graça, ou quase de graça, em Londres. Mas algumas observações são necessárias. Para aproveitá-las, você precisa, primeiro, ter um gosto, digamos, bem eclético. Para se ter uma idéia do que estou falando, uma outra dica na lista de atrações de graça da <em>Time Out </em>são os julgamentos no tribunal criminal de Old Bailey (???). Segundo, nada de preguiça. Afinal, as atrações de graça não acontecem todos os dias e nem sempre dá para escolher <em>quando</em> sair. Mas o mais importante mesmo é ser organizado, afinal você pode perceber uma semana depois que aquele show que queria ver já passou. Você, que vive em Londres ou vem à cidade neste verão, colete os seus guias e se prepare! E, se tiver uma dica boa, coloque aqui no London Talk.</p>]]></description>
         <dc:creator>Márcia Freitas 
Márcia Freitas
</dc:creator>
	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/2007/05/londres_de_graca.shtml</link>
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	<pubDate>Fri, 18 May 2007 16:03:03 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>Roubo à inglesa</title>
	<description><![CDATA[<p>Por volta de oito horas da noite desta segunda-feira, quando ainda estava trabalhando, o dono do apartamento onde moro me ligou - haviam entrado no prédio e arrombado a porta do meu apartamento e a do andar de cima.<br />
Não fiquei extremamente preocupada, porque sabia que não havia nada de muito valor para ser roubado. As únicas coisas relativamente valiosas que temos - uma câmera fotográfica e um laptop novos - estão com meu marido, que está viajando. Demos sorte.</p>

<p>Mesmo assim, é sempre ruim pensar que alguém entrou na sua casa, mexeu nas suas coisas. No metrô, fiquei imaginando que iria encontrar a casa de pernas para o ar, ou que os ladrões, revoltados por não terem encontrado nada de bom, teriam rasgado as minhas roupas, ou livros, quem sabe. Algo assim, dramático. </p>

<p>Para minha decepção, fora a porta, totalmente destruída, e as bijouterias vasculhadas no quarto, quase não havia sinal deles. Tudo estava praticamente do mesmo jeito que eu havia deixado. Mas não pensem que os roubos aqui na Grã-Bretanha são sempre assim, com finais relativamente felizes. Dando uma olhada nas reportagens da BBC sobre roubos em casa, descobri que a mais nova onda é tapear aposentados, se fazendo passar, por exemplo, por encanador, distraindo o dono da casa, e levando tudo o que conseguem. É o chamado 'distraction burglary', algo como 'roubo de distração'.</p>

<p>Voltando à minha história. Eu moro no oeste de Londres, no bairro de Maida Vale, um lugar quieto, tradicional e tão civilizado que pode, com certeza, ser chamado de chato. Não é um lugar em que se imaginaria gente arrombando portas no meio da tarde, fazendo aquele barulhão, o que deve realmente ter acontecido, tendo em visto o estrago das portas. Apesar disso, esta não é a primeira vez que entram na minha casa. Quando nos mudamos prá lá, há cerca de dois anos e meio, logo na primeira ou segunda semana, entraram pela janela da cozinha, já que havia andaime do lado de fora. Também não tiveram sorte e saíram sem levar nada. Ontem à noite, quando cheguei em casa, o casal do apartamento de cima, muito gentil, me chamou para tomar um copo de vinho prá que todos nos acalmássemos, é claro, e conversássemos sobre a nossa desgraça compartilhada. Fiquei sabendo que eles haviam se mudado apenas na semana passada. Daí, atinei. Acho que a explicação deve ser que um morador já falecido, revoltado com a chegada de novos inquilinos, deve estar mancomunando com o além prá tirar o nosso sossego.</p>]]></description>
         <dc:creator>Márcia Freitas 
Márcia Freitas
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	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/2007/03/roubo_a_inglesa_1.shtml</link>
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	<pubDate>Tue, 27 Mar 2007 14:22:21 +0000</pubDate>
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