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<title>
London Talk
 - 
Pablo Uchoa
</title>
<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/london/</link>
<description>Novidades, curiosidades sobre o cotidiano na capital britânica.</description>
<language>pt</language>
<copyright>Copyright 2013</copyright>
<lastBuildDate>Sat, 16 Jan 2010 12:59:12 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Haiti mobiliza britânicos e até os &quot;amantes do vinho&quot;</title>
	<description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="haiti.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/london/haiti.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-right" style="float: right; margin: 0 0 20px 20px;" /></span>A levar em conta o envolvimento do Brasil no Haiti, imagino que a terrível notícia do terremoto em Porto Príncipe tenha corrido o país como fogo em rastro de pólvora. Mas por aqui, tenho a impressão de que o efeito foi um pouco retardado.</p>

<p>À parte os EUA e as ex-colônias britâncias do Caribe, o resto das Américas são, para a maior parte dos britânicos, um destino longínquo do globo.  O Haiti, um país pobre com forte ligação com a França em vez da Grã-Bretanha, não era diferente.</p>

<p>Um fato comentado aqui na redação, nos primeiros dias após a tragédia, as matérias sobre o Haiti continuavam sendo menos lidas do que as que falavam do Sudeste Asiático ou o Oriente Médio, apesar de a BBC martelar sobre o tema 24h por dia em seu noticiário. Aliás, a imprensa em geral.</p>

<p>Mas, parecia, a ficha simplesmente não tinha caído para o cidadão comum.</p>

<p>A coisa mudou ao longo da semana, à medida que os países se mobilizavam para prestar ajuda, os repórteres começavam a mandar material de Porto Príncipe e a agonia dos haitianos à espera de auxílio deixavam claras as dificuldades intrínsecas à tarefa de salvamento.</p>

<p>No fim da semana,  o Haiti, a bem dizer, entrou no dia-a-dia de muita gente. Alguns amigos que conheço foram rápidos em doar recursos para a Cruz Vermelha, para quem até o governo britânico destinou a primeira parcela de US$ 10 milhões que foram prometidos.</p>

<p>Outras iniciativas de mobilização chegaram por vias, pelo menos para mim, inesperadas. Minha operadora de telefone, a Orange, enviou aos seus clientes uma mensagem à qual bastava responder para contribuir automaticamente com 2,5 libras (um pouco mais de R$ 7) para os esforços da Unicef no Haiti.</p>

<p>O site TripAdvisor, de viagens e turismo, repassou um email a todos os seus usuários ensinando como e para quem doar fundos. Como o britânico é uma subseção do americano, imagino que algo semelhante tenha ocorrido do outro lado do Atlântico.</p>

<p>E a mais original das mobilizações que eu vi até agora está se dando através de um site de vinhos, o Wineloverspage.com, que na verdade também é americano.<br />
 <br />
O proprietário do site organizou uma rifa na qual, para entrar, é preciso doar pelo menos US$ 30  para alguma organização humanitária diretamente envolvida na assistência às vítimas.  Segundo o site, uma iniciativa semelhante na época do furacão Katrina, que destruiu Nova Orleans, levantou mais de US$ 10 mil.</p>

<p>Os participantes da rifa concorrem a sensacionais garrafas de Bordeaux das últimas quatro décadas (uma garrafa de cada década, de 1970 aos anos 2000) mantidas pelo proprietário em sua adega. "Vamos sair um pouco do agradável mundo do vinho para incentivar os apreciadores a ajudar o Haiti", diz o email.</p>

<p>Na prática, grande parte dos amantes do vinho não apenas estão doando muito mais do que US$ 30 por cabeça - a maioria creio já ter gasto mais que isso em uma garrafa de vinho - como também adicionando suas próprias garrafas à rifa, criando prêmios secundários, terciários, etc, para atrair mais contribuições.</p>

<p>São iniciativas pequenas, mas de coração, ou pelo menos me parecem. Ainda mais significativa porque quem acompanhava a lenta melhora em alguns indicadores do Haiti após tantos anos de conflitos políticos não pôde deixar de se comover. Por que logo o Haiti? E por que algo tão devastador?</p>

<p>Sensação bem resumida pela revista <i>Economist</i>, que não é nem um pouco dada a dramaticidades: "Se há um país nas Américas que não pode se permitir sofrer um desastre natural, é o pobre e politicamente frágil Haiti", escreveu a revista.</p>

<p>"No entanto, o terremoto que atingiu Porto Príncipe pouco antes das 5h da tarde do dia 12 de janeiro foi um golpe ainda mais cruel."</p>]]></description>
         <dc:creator>Pablo Uchoa 
Pablo Uchoa
</dc:creator>
	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/london/2010/01/o_haiti_e_a_mobilizacao_dos_br.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Sat, 16 Jan 2010 12:59:12 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Obama, a saúde britânica e a vida de todos nós</title>
	<description><![CDATA[<p>Quem diria, a Grã-Bretanha mergulhou de cabeça na discussão sobre o sistema de saúde público que o presidente americano, Barack Obama, quer implantar nos EUA.</p>

<p>Lá, debate-se se o país deve universalizar o sistema público e gratuito ou continuar com o atual, onde na prática quem não tem seguro-saúde se dá mal.</p>

<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="obama.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/obama.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-right" style="float: right; margin: 0 0 20px 20px;" /></span></p>

<p>Aqui, os jornais e a BBC não param de repercutir a declaração de um deputado do Partido Conservador britânico, Daniel Hannan, que durante um debate sobre o tema nos EUA criticou o sistema britânico, o NHS, para mostrar um exemplo que o governo americano <u>não</u> devia seguir.</p>

<p>Desde então, o NHS virou uma espécie de bode expiatório dos críticos de Obama. <i>Spots</i> publicitários contra a proposta de reforma retratam o NHS como um sistema de saúde sobrecarregado, combalido, incapaz de atender à demanda por serviços.</p>

<p>Uma reportagem da BBC mostrou uma jovem americana dizendo: "Não queremos um sistema de saúde como o britânico. Todo mundo diz que é horrível. Você já viu os dentes de um britânico?"</p>]]><![CDATA[<p>A questão é espinhosa, e tem tantos lados que um mísero post de blog, como este, mal dá conta do recado.</p>

<p>Primeiro, há as questões eleitorais:o estrago político que a polêmica pode causar à imagem do "super-Obama" nos EUA e que a impopular declaração do deputado conservador britânico pode causar ao seu partido, que disputará eleições no ano que vem.</p>

<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="hospital_spl226b.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/hospital_spl226b.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span></p>

<p>Segundo, há o problema da eficiência das políticas de saúde de um país - qualquer país - tendo em vista as prioridades nacionais.</p>

<p>Ninguém aqui duvida de que o NHS está, sim, sobrecarregado. Pacientes que não requerem urgência são mandados para casa sem a menor cerimônia.</p>

<p>Por outro lado, quem usa ou usou o NHS para casos mais sérios - uma doença grave, o acompanhamento de uma gravidez, um tratamento longo -, mal ou bem tem suas necessidades atendidas pelo sistema.</p>

<p>Mais importante: de graça, enquanto nos EUA uma semana de internação pode chegar a centenas de milhares de dólares. O que levou um americano que vive na Grã-Bretanha a observar, no jornal <em>The Guardian </em>do último sábado (15/8) que, por aqui, <a href="http://www.guardian.co.uk/commentisfree/cifamerica/2009/aug/14/nhs-healthcare-america-britain">"ninguém tem medo de ficar doente"</a> - nem de ir à bancarrota por causa disso.</p>

<p>Seria apenas uma questão de política e números, se não tivesse efeitos na vida de muita gente - efeitos que na semana passada bateram à minha porta, quando minha namorada, uma ex-funcionária de saúde mental do NHS, recebeu a notícia de que um de seus antigos pacientes havia morrido.</p>

<p>Ela havia deixado o NHS contrariada por uma reestruturação que estão afetou os serviços. Principalmente, como é de praxe nesses casos, os serviços aos mais vulneráveis.</p>

<p>Aos 60 anos, seu ex-paciente era negro e pobre, vivia sozinho e sofria de uma série de problemas de saúde mental e física, como esquizofrenia, pressão alta e doenças do coração.</p>

<p>Demorou muito pouco, um par de meses, entre esse vulnerável senhor deixar de ser atendido pelo serviço comunitário do NHS, passando a compor a grande massa sem rosto de pacientes atendidos por uma unidade maior, e morrer.</p>

<p>Quando a polícia finalmente arrombou a porta de sua casa, motivada talvez pela reclamação de algum vizinho sobre o cheiro vindo do apartamento, é possível que fizesse semanas que seu corpo se decompusesse no sofá da sala.</p>

<p>Longe de mim responsabilizar a mudança nos serviços pela morte deste homem que, com tantos problemas de saúde, talvez estivesse mesmo fadado a morrer naquele dia. Isso é objeto de uma investigação que está sendo conduzida pelo legista.</p>

<p>Mas é impossível não relacionar a prestação de um serviço de saúde gratuito, de qualidade, a pessoas vulneráveis e sua qualidade de vida.</p>

<p>E é assustador pensar no poder que líderes e burocratas - dos EUA, da Grã-Bretanha ou do Brasil - têm sobre algo tão importante quando decidem quem deve ser prioridade e quem não deve ser quando o assunto é saúde.</p>]]></description>
         <dc:creator>Pablo Uchoa 
Pablo Uchoa
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	<category></category>
	<pubDate>Mon, 17 Aug 2009 10:44:55 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Música estranha pra gente esquisita</title>
	<description><![CDATA[<p>Oliver Mtukudzi, uma estrela zimbabuana da grandeza de um Gilberto Gil (foto aí embaixo), me deu um aperto de mão esses dias.</p>

<p>Tudo bem, concedo, talvez a maioria dos brasileiros aqui na Inglaterra prefira Mick Jagger ou Paul McCartney - mas suspeito que por onde circulo não passam exatamente as cobiçadas estrelas do pop.</p>

<p>Se bem que é mais ou menos isso que virou o grupo Tinariwen, banda do Mali que caiu nas graças do mundo ocidental misturando guitarras de rock e blues com hipnóticas melodias tuareg. Tornou-se uma espécie de fenômeno de vendas e de público.</p>

<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="080826_mtukudzi3_203.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/080826_mtukudzi3_203.jpg" width="203" height="152" class="mt-image-right" style="float: right; margin: 0 0 20px 20px;" /></span></p>

<p>Pois outro dia, após um show do grupo que deixou a platéia esvaída, passei uma boa hora conversando e até trocando email com os seus integrantes, junto com uma amiga que desde então não pára de falar em planos de viagem para o país.</p>

<p>Groupies da world music? Que seja. Não é todo dia que se assiste, a dois metros de distância, a uma apresentação do camaronês Manu Dibango, autor de <em>Soul Makossa</em>, a canção que inspirou Michael Jackson em seus bons tempos (o leitor recordará do final de <i>Wanna Be Starting Somethin'</i>, "mama-ko, mama-sa, ma-ka-ma-kos-sa"...).</p>

<p>Vivendo em Londres, é impossível torcer o nariz para a facilidade de se abrir a Time Out qualquer dia e escolher o show de um artista de qualquer - literalmente qualquer - estilo ou origem. Do flamenco <em>fusion </em>de um Ojos de Brujo às canções melódicas como as nossas da cabo-verdiana Mayra Andrade, passando por uma apresentação de músicos de Bollywood ou de tradicionais <em>mariachis </em>mexicanos.</p>

<p>É verdade que mesmo no Brasil há algumas oportunidades. Em São Paulo já consegui assistir, de última hora, a uma apresentação do argelino Rachid Taha, que lota platéias em Paris e tocou para relativamente poucas pessoas na choperia do Sesc Pompéia.</p>

<p>Na internet, os interessados podem acompanhar em português aos programas da rádio web <a href="http://www.musicadomundo.com.br/" target="_blank">Música do Mundo</a>, transmitida de Porto Alegre.</p>

<p>Já uma amiga de Belo Horizonte certa vez reclamou do público escasso que acudiu a ver os cubanos do Buena Vista com seu mais novo talento, o virtuoso pianista Roberto Fonseca, que faz jus ao saudoso Rubén González.</p>

<p>Roberto Fonseca, aliás, que vi pela primeira vez em apresentação solo no Jazz Café, uma de minhas casas favoritas de show em Londres, onde se pode até sentar no palco, de cerca de três metros por quatro.</p>

<p>Aqui na Inglaterra, o Buena Vista da Etiópia, Éthiopiques, teve direito a palco e transmissão ao vivo pela TV no festival de Glastonbury.</p>

<p>Vitrine melhor, impossível. Mais que isso, só aproveitando a facilidade - também incrível, mais que em qualquer outro país da Europa, que eu saiba - de chegar ao aeroporto, comprar uma passagem pra onde apontar a veneta e sair <i>in loco</i> caçando música por aí.</p>

<p>Interessado em baixar em um festival em Zanzibar ou na ilha do Sal, dançar ao som de Femi Kuti em Lagos ou da Orquestra Baobab em Dacar, se acabar em um ensaio de escola de samba no Rio de Janeiro?</p>

<p>Mas aí já são assuntos pra dez outros blogs.</p>

<p>Aliás, alguém mencionou por aí que isso aqui é uma ilha?</p>]]></description>
         <dc:creator>Pablo Uchoa 
Pablo Uchoa
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	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/london/2008/08/musica_estranha_pra_gente_esqu.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Tue, 26 Aug 2008 16:32:56 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>O meu, o seu, o nosso carro em Londres</title>
	<description><![CDATA[<p>Entrei num desses esquemas que chamam por aí de "propriedade compartilhada" de um carro.</p>

<p>"Propriedade compartilhada" é modo de dizer - na verdade, o esquema é uma maneira fácil e descomplicada de poder usar um carro quando quiser, sem a chatice e o custo de ir a uma locadora e pagar o preço de uma diária completa.</p>

<p>A subprefeitura de Hackney, que anuncia o <a href="http://www.streetcar.co.uk" target="_blank">serviço </a>- privado - em seu website diz que cada carro usado nesse esquema tira seis outros de circulação, porque os usuários acabam evitando comprar seu próprio veículo.</p>

<p>Alivia-se assim um dos principais problemas das grandes cidades, algumas que, como São Paulo, por exemplo, correm o risco de "parar" dentro de alguns anos, se se confirmarem as previsões mais pessimistas.</p>

<p>Resolvi inaugurar o serviço alugando uma van para fazer uma mudança de casa. A reserva pode ser feita via internet ou por telefone até 30 minutos antes da hora marcada.</p>

<p>Os carros ficam parados na rua em vagas próprias - só nas proximidades da minha casa há uma dúzia a minutos de caminhada. Após o registro e a verificação de documentos, cada usuário recebe pelo correio um cartão magnético que lhe permite entrar no carro, introduzir uma senha e dar a partida.</p>

<p>Gostaria de ter tido algum imprevisto que rendesse uma história picante ao leitor, mas confesso que o procedimento foi simplesmente tranqüilo. Fazia um dia ensolarado em Londres, dos poucos que temos a cada ano, e terminei a mudança um par de horas antes do previsto.</p>

<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="streetcar2.JPG" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/streetcar2.JPG" width="244" height="163" class="mt-image-right" style="float: right; margin: 0 0 20px 20px;" /></span></p>

<p>Aproveitei a van para passear no Southbank e tomar um sorvete fazendo cena ao lado dos conversíveis que emparelhavam no semáforo. Devolvi o carro e poucos minutos depois apareceu um simpático casal que utilizou o automóvel depois de mim. Voltei a usar um carro de passeio poucos dias depois.</p>

<p>Não sei se esse tipo de esquema adiantaria em um lugar como São Paulo, onde a infra-estrutura de transporte fica muito aquém da demanda, para dizer o mínimo, e o crescimento econômico já permite que consumidores dirijam 6 milhões de carros pela cidade. Os índices de congestionamento medidos pelas autoridades de trânsito batem recorde após recorde.</p>

<p>Em Londres, onde o sistema de transporte, por mais reclamação que suscite, é abrangente e variado, e onde ir de carro para o trabalho é dispendioso e pouco prático, o mais comum é que o veículo seja utilizado assim, em pílulas, para uma finalidade ou um programa pontual.</p>

<p>Não sei se sou exemplo para a estatística da prefeitura de Hackney segundo a qual um carro "compartilhado" tira outros, próprios, de circulação - provavelmente, em outra circunstância, eu continuasse simplesmente não dirigindo.</p>

<p>Seja como for, para um apaixonado pelo volante como me considero, ainda divertindo-me com dirigir na mão oposta e com passar a marcha com a mão esquerda, o esquema pelo menos é uma maneira de matar as saudades da estrada. De consciência limpa porque estou colaborando com a sustentabilidade da circulação viária na cidade, e aproveitando que por ora o título de vilãs do aquecimento global são as emissões de carbono dos aviões.</p>]]></description>
         <dc:creator>Pablo Uchoa 
Pablo Uchoa
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	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/london/2008/05/o_meu_o_seu_o_nosso_carro_em_l.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Mon, 26 May 2008 12:16:15 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>A rádio, a cidade e os passarinhos</title>
	<description><![CDATA[<p>Uma rádio que, em vez de música, toca o canto dos passarinhos está atraindo "dezenas de milhares" de ouvintes em Londres.</p>

<p>E eu, que me achava mal da cachola porque gostava de perder umas horas observando os passarinhos na cinzenta São Paulo.</p>

<p>Lá, na paulicéia, algum banco de praça no verde Alto de Pinheiros, ou na minha querida Vila Madalena, servia de descanso para os olhos metidos no corre-corre da hora do almoço. (Quem se interessar, leia esta <a href="http://umabrancasombrapalida.blogspot.com/2008/01/cidade-e-os-passarinhos.html" target="_blank">crônica</a>).</p>

<p>Aqui, descobri a rádio Birdsong por acaso, quando escaneava sinais com meu recém-comprado aparelhinho de rádio digital, que substituiu o de pilhas, antigo companheiro, que ficou por aí em algum canto deste planeta. </p>

<p>Diz o <i>Daily Telegraph</i> que a Birdsong nasceu há apenas dois meses, substituindo a antiga rádio OneWord. A trilha sonora consiste de gravações feitas em 1992 no jardim do presidente do grupo Digital One, Quentin Howard, em Wiltshire, relata o jornal.</p>

<p>Entre os sons que costumavam preencher a freqüência da rádio Classic FM há 16 anos, um ouvinte chegou a identificar 12 tipos de cantos de passarinhos.</p>

<p>Neste país em que observar passarinhos é um hobby sério, com direito a inúmeros programas de televisão, alguém chegou a comparar a trilha sonora da rádio Birdsong a outro clássico da rádio britânica – o não menos hipnótico boletim do tempo para navegadores, o Shipping Forecast da BBC.</p>

<p>Adepto ocasional do hipnotismo do Shipping Forecast para dormir, não resisti e sintonizei a Birdsong em pleno congestionamento certo dia. Fechei os olhos e deixei-me imaginar em uma rede rodeada de palmeiras, onde o zum-zum do exterior virasse apenas o pano de fundo de umas merecidas férias.</p>

<p>Confesso, às seis horas da tarde, era melhor que o walkman do sujeito ao lado ligado no último volume.</p>

<p>Imaginei que na mesma hora talvez estivessem fazendo o mesmo "dezenas de milhares" de pessoas que o <i>Telegraph</i> definiu como "urbanóides sedentos por um gostinho do interior", nesta Londres onde não haverá um palmo de terra inaproveitado.</p>

<p>Infelizmente, como o solo, o ar de Londres também não pode se dar ao luxo de ficar à margem desta potente máquina capitalista. Como a rádio Birdsong não é comercialmente viável – qual o sentido de colocar anúncios numa rádio deste tipo? –, mais dia, menos dia sairá do ar, alertou Quentin Howard.</p>

<p>Talvez se repitam as mesmas reclamações de ouvintes que protestaram quando os cantos de passarinhos saíram do ar da rádio Classic FM em 2005. Ou quem sabe estes ouvintes se conformem com que viver na metrópole tem lá o seu preço.</p>

<p>No fundo, nada para um urbanóide vicia mais que cidade, Londres, São Paulo, Caracas, Mumbai ou Tóquio, passarinhos à parte.</p>]]></description>
         <dc:creator>Pablo Uchoa 
Pablo Uchoa
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	<category>london</category>
	<pubDate>Tue, 11 Mar 2008 12:40:36 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Assassinato na rua Farleigh</title>
	<description><![CDATA[<p>Um assassinato deixou minha rua em polvorosa. O leitor me perdoe a expressão, por assim dizer, cheia de serpentinas, mas o termo é esse mesmo, em polvorosa, porque pouca coisa encanta mais os pobres mortais do que a morte.</p>

<p>Ou talvez tenha sido efeito da cobertura da imprensa, sempre a imprensa, que no dia da fatalidade montou acampamento na esquina da Farleigh Road, onde moro, com a Stoke Newington High Street, onde os dois rapazes foram encontrados.</p>

<p>Repórteres com seus microfones saltavam sobre os moradores que passavam por ali, e que tinham de identificar-se com a polícia antes de entrar na rua. Vi a notícia ao vivo pelo telejornal e espetei a cabeça para fora da janela, para constatar que, sim, o circo estava montado.</p>

<p><img alt="farleigh.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/farleigh.jpg" width="203" height="152" /></p>

<p>Naquela tarde, um policial à paisana, aliás bastante simpático, bem diferente dos durões dos filmes de Hollywood, bateu à minha porta assuntando para saber se alguém estava em casa na hora do ocorrido. Sábado à noite, amigo, é difícil encontrar alguém nesta casa, respondi, um pouco contrariado, queria ajudar o detetive sorridente.</p>

<p>O risca-faca (literalmente) foi o ápice de uma briga coletiva (dizem que envolveu até cem pessoas) desatada durante uma festa de aniversário, em um centro comunitário a alguns quarteirões dali.</p>

<p>Creio que ainda investigam se os rapazes foram esfaqueados no local e correram para a Farleigh Road, ou se foram perseguidos até a Farleigh Road e esfaqueados no local onde agora repousam flores, junto ao murinho de tijolos vermelhos dos edifícios.</p>

<p>Um adolescente de 16 anos e outro de 15 foram enviados ao hospital, mas um deles não resistiu ao sangramento. A foto do rapaz, David, já circula nos jornais. A imprensa contabiliza que, com a vítima, já são 26  adolescentes mortos em Londres neste ano. A grande maioria, vítima da guerra de gangues que se alastram pela cidade.</p>

<p>O filho de minha vizinha, que encontrou os rapazes pedindo ajuda caídos na calçada, está em choque, diz a mãe.</p>

<p>Stoke Newington é um bairro meio transado, meio ‘raízes’, localizado entre os cafés afrancesados da Church Street e os bares de jazz e música <i>black</i> que encostam no bairro de Dalston. O crime aconteceu  a  poucas quadras de uma moderna delegacia. <br />
 <br />
Uma nota de protesto pregada nas árvores da vizinhança alfineta: “Onde está a polícia? Nesta parte da cidade, só vejo um policial a pé na fila do churrasquinho grego”.<br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Pablo Uchoa 
Pablo Uchoa
</dc:creator>
	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/london/2007/12/assassinato_na_rua_farleigh.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Tue, 18 Dec 2007 13:22:09 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Aquela nuvem que passa...</title>
	<description><![CDATA[<p>Faça chuva ou faça sol, não há recurso mais batido que falar do tempo para preencher a típica falta de assunto de elevador, de táxi, ponto de ônibus. Uma baita injustiça, considerando que ninguém que faça parte deste mundo e desta existência está imune às mudanças naturais das estações do ano.</p>

<p>Involuntariamente, ao publicar sua previsão do tempo para o dia 20 de novembro, o diário <i>The Daily Telegraph</i> corrigiu esta injustiça, a de fazer do tempo assunto de 'conversinha' (<i>small talk</i>). A imagem é, na opinião deste humilde mortal, cearense ainda por cima, o retrato imbatível da face exterior e interior desta época do ano, a síntese da alma de uma estação, na prosaica forma de um infográfico de jornal:</p>

<p></p>

<p><img alt="weatherforecast.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/weatherforecast.jpg" width="400" height="521" /><br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Pablo Uchoa 
Pablo Uchoa
</dc:creator>
	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/london/2007/11/post_10.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Wed, 21 Nov 2007 11:52:13 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>O rumo incerto do minicab</title>
	<description><![CDATA[<p>Sabe lá que caminhos você vai percorrer quando entra em um minicab aqui em Londres.</p>

<p>Essa modalidade de táxi é talvez a mais utilizada por pobres mortais que vivemos na capital britânica e nem sempre podemos pagar o valor cobrado por um táxi preto, este que é, por sua vez, quase uma instituição londrina.</p>

<p><img alt="taxis203.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/taxis203.jpg" width="203" height="152" /></p>

<p>Ser motorista de ‘black cab’ requer muito estudo, e os testes são rigorosíssimos. Os examinadores exigem que candidatos conheçam itinerários tortuosos nesta cidade onde a palavra “ordem” não descreve propriamente o traçado das ruas.</p>

<p>Sem tantos requerimentos, dirigir minicabs ficou uma baba com esses sistemas GPS, de navegação por satélite, que hoje em dia estão por toda parte.</p>

<p>O problema é que, automático, o sistema nem sempre sugere o caminho mais curto.</p>

<p>As duas retas que compõem o itinerário de minha casa, em Stoke Newington, até o prédio da BBC já viraram inúmeros círculos, quadrados, zigue-zagues.</p>

<p>Às 5h40 da manhã (esse é o horário em que um infeliz sai de casa quando está escalado para o primeiro turno da redação), já levei quarenta minutos para chegar até aqui – normalmente levaria quinze. Precisaria desse mesmo tempo para percorrer o mesmo trecho fazendo </i>cooper</i>.</p>

<p>Mas grande parte dos condutores de minicabs com quem cruzei são imigrantes, muitos, refugiados tentando refazer sua vida na Inglaterra. Expatriado, sou solidário.</p>

<p>Um deles havia sido dono de uma oficina mecânica na África, e tinha o sonho de um dia abrir uma por aqui para  converter em flexíveis motores movidos a um só combustível. Queria saber dos planos do presidente Lula para seu continente. </p>

<p>Em duas ocasiões diferentes, ajudei dois motoristas de primeira viagem a chegar até o metrô de Holborn. Um deles me disse, orgulhoso, que encomendara seu cobiçado GPS e o receberia no dia seguinte.</p>

<p>Sentado no banco de trás, tive a impressão de que seus olhos brilharam. Como se ele se desse conta do capítulo duro que se encerrava em sua vida, e do novo, mais esperançoso, que se iniciava.</p>

<p>Naquele dia, não sei quantos minutos levamos para chegar. Certamente mais do que o necessário. Mas afinal, diante da longa jornada dele, o que eram dez ou vinte minutos a mais na minha?</p>]]></description>
         <dc:creator>Pablo Uchoa 
Pablo Uchoa
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	<category>london</category>
	<pubDate>Fri, 19 Oct 2007 13:22:16 +0000</pubDate>
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