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BBC BRASIL Londonices
 - 
Maria Luisa Cavalcanti
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Observações e curiosidades sobre a cidade-sede dos jogos olímpicos de 2012.</description>
<language>pt</language>
<copyright>Copyright 2013</copyright>
<lastBuildDate>Tue, 29 Jun 2010 16:10:17 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Existe vida pós-Soccer City?</title>
	<description><![CDATA[<p>Com o encerramento das oitavas de final, nesta terça-feira, Pretória, Bloemfontein e Rustenburg se juntam a Polokwane e Nelspruit no time das cidades onde a Copa do Mundo já acabou.</p>

<p>Em seus sites oficiais ou na imprensa local, as autoridades elogiam o sucesso do Mundial, a animação das torcidas, o espetáculo do futebol.</p>

<p>Mas praticamente não há resposta para a pergunta que agora todos se fazem: o que vai acontecer com os estádios?</p>

<p>A África do Sul construiu cinco novas arenas e reformou outras cinco para esta Copa do Mundo. Um estádio como o Mbombela, em Nelspruit - um dos mais originais, com suas colunas em forma de girafas e arquibancadas pintadas de zebra - saiu do chão por cerca de US$ 172 milhões.</p>

<p>Mas Nelspruit, que tem pouco mais de 350 mil habitantes e uma economia muito impulsionada pelo fato de ser a porta de entrada para o famoso Parque Nacional Krueger, não tem sequer um time na Premier Soccer League sul-africana.</p>

<p>Em Polokwane, o Peter Mokaba, com capacidade para 40 mil pessoas, foi erguido bem em frente a outra arena, já suficientemente requisitada pelos inúmeros fãs do rugby da região.</p>

<p>Uma profusão de estádios também parece ser um problema que a cidade de Durban terá de enfrentar, mesmo tendo, provavelmente, a mais impressionante de todas as arenas desta Copa, com sua fachada "transparente" e um arco por onde passa um teleférico. O Moses Mabhinda, no entanto, não impressionou o principal time de rugby local, o Natal Sharks, que se recusa a mudar de endereço.</p>

<p>Nem uma pesquisa no Google local pelas palavras "estádios" e "legado" traz uma explicação sobre o que realmente vai acontecer com esses espaços. A busca resulta, no entanto, em vários artigos e estudos de especialistas criticando o alto custo de se colocar as dez arenas funcionando em um dos países com maior índice de desigualdade social do mundo.</p>

<p>Ao ver desses analistas, a Cidade do Cabo, que é o destino mais procurado por turistas estrangeiros na África, tem ambições razoavelmente palpáveis para o seu Green Point. O estádio que hoje pode abrigar até 65 mil torcedores terá sua capacidade reduzida em cerca de 15 mil assentos, graças a uma nova técnica "modular" de arquitetura - aliás, a mesma aplicada no Estádio Olímpico sendo erguido em Londres para 2012.</p>

<p>Em entrevista à BBC Brasil, o prefeito Dan Plato não escondeu seu desejo de tentar realizar uma Olimpíada na Cidade do Cabo, possivelmente já em 2020. O Green Point foi comprado pela mesma empresa que administra o Stade de France, em Paris, e deve receber shows e outros grandes eventos esportivos, nesta que é a segunda maior cidade da África do Sul e o principal destino de turistas estrangeiros em toda o continente. O mesmo tipo de uso deve ter o Soccer City, em Johanesburgo.</p>

<p>A polêmica em torno dos estádios também está pegando fogo no Brasil, após a decisão da Fifa e do Comitê Organizador da Copa 2014 de tirar o Morumbi do torneio. Críticos incluem o ex-jogador Sócrates, que disse à BBC Brasil que sem uma política de inclusão e educação para o esporte, usando os estádios após o Mundial, algumas arenas ficarão "obsoletas".</p>

<p>A história, no entanto, prova que a maioria dos grandes eventos esportivos não aproveita bem posteriormente estas estruturas. Foi assim em Atenas, após os Jogos de 2004, no Japão e na Coreia do Sul, com a Copa 2002, e na Pequim pós-2008.</p>

<p>Um bom exemplo de gerenciamento foi dado pela Alemanha, que viu o número de torcedores de sua Bundesliga crescer por causa dos novos estádios.</p>]]></description>
         <dc:creator>Maria Luisa Cavalcanti 
Maria Luisa Cavalcanti
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	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/esporte/2010/06/existe_vida_possoccer_city.shtml</link>
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	<category>esporte</category>
	<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 16:10:17 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>Torcida de Brasil e Chile teve de ingleses frustrados a sul-africanos encantados</title>
	<description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="familiamalu226.jpg" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/esporte/familiamalu226.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-right" style="float: right; margin: 0 0 20px 20px;" /></span>A supremacia verde e amarela nas arquibancadas do estádio Ellis Park, em Johanesburgo, nesta segunda-feira, camuflou um grupo especial de torcedores - os sul-africanos que compareceram em massa para simplesmente assistir a uma boa partida de futebol.</p>

<p>E, aproveitando que as cores da camisa do Bafana Bafana são as mesmas do Brasil, eles não tiveram dificuldade em escolher para quem torcer.</p>

<p>"Estamos seguindo o Brasil até o fim", disse à BBC Brasil Himal Bhavir, que foi ao jogo acompanhado da mulher e do filho de 8 anos. </p>

<p>"Fomos a Durban ver o jogo contra Portugal, mas voltamos de lá decepcionados com o 0 a 0. Hoje foi maravilhoso", disse.</p>

<p>Em poucos segundos, ele fez uma análise da atuação da seleção na partida e avaliou as chances do Brasil contra a Holanda, pelas quartas de final. "Vai ser um jogo difícil, mas os brasileiros vão ganhar de 2 a 0".</p>

<p>Já Ismail Suleman, que foi ao estádio com o filho e o neto, aposta em uma final contra a Espanha. "Os brasileiros têm o melhor time", afirmou.</p>

<p>Mesmo os fãs assumidos do rugby também fizeram questão de garantir um ingresso para o Ellis Park, tradicional reduto do esporte, um dos mais populares da África do Sul. Segundo a organização, mais de 54 mil pessoas assitiram à partida. </p>

<p>"Vim pela festa, pela animação", disse Matthew Jonah, que estava acompanhado da mãe. "Morando aqui e tendo a Copa do Mundo na nossa casa, não há como perder."</p>

<p>Além de sul-africanos, brasileiros e chilenos, muitos torcedores de outras seleções aproveitaram que estavam em Johanesburgo para ver a partida.</p>

<p>Na mesma fileira de assentos, ingleses e alemães, que no domingo tiveram o duelo de seus times pelas oitavas de final, se confraternizavam com alguns copos de cerveja, toques de vuvuzela e a torcida para o Brasil.</p>

<p>"Já viemos até aqui, agora estamos aproveitando o futebol ao máximo", disseram dois ingleses, ainda se recuperando da eliminação.</p>

<p>Alguns argentinos, aproveitando que seu time só volta a jogar no próximo sábado, também foram prestigiar o futebol sul-americano.</p>

<p>Do outro lado do estádio, um venezuelano pendurou em uma tribuna uma bandeira de seu país, que nunca participou de uma Copa do Mundo. No tecido, os dizeres esperançosos: "Brasil 2014".</p>]]></description>
         <dc:creator>Maria Luisa Cavalcanti 
Maria Luisa Cavalcanti
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	<category></category>
	<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 00:35:56 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>O bem que faz não sofrer pressões</title>
	<description><![CDATA[<p>Desde que a bola começou a rolar aqui na África do Sul, as principais desculpas que vínhamos ouvindo para as supresas e "zebras" eram a Jabulani, a altitude e as vuvuzelas.</p>

<p>Foi ainda na primeira rodada, durante o jogo Inglaterra x EUA que meu colega Emmanuel Coste, do serviço em francês para a África da BBC, fez um comentário que, para mim, justifica vários dos resultados e das classificações que estamos vendo neste final de primeira fase.</p>

<p>Naquele jogo, a Inglaterra vencia por 1 x 0 quando os EUA empataram com um frango inacreditável do goleiro Green. E os ingleses se desestabilizaram dali para diante. O Emmanuel, um boleiro assumido, cobrindo sua terceira Copa do Mundo, disse: "Os Estados Unidos jogam com garra, eles lutam em campo e não desistem. Afinal, não têm nada a perder".</p>

<p>Pois aí acho que está a chave do mistério: muitos dos times que chegaram à Copa sem ter de lutar por sua reputação acabaram por se classificar para as oitavas.</p>

<p>A eliminação da Itália e da Dinamarca, nesta quinta-feira, dando lugar a países como a Eslováquia e o Japão, a permanência da Coreia do Sul e o brilho dos latino-americanos que há muito não impressionavam - Uruguai, México, Chile e Paraguai - são exemplos de como a falta de pressão pode ser saudável.</p>

<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="italia226370.gif" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/esporte/italia226370.gif" width="226" height="370" class="mt-image-none" style="" /></span></p>

<p>Claro que cada uma dessas equipes veio para ganhar e acredita nisso, assim como seus torcedores. Mas elas não chegaram aqui com as mesmas expectativas e cobranças que o Brasil, a Itália, a Alemanha, a Argentina, a Espanha e a França. Basta ver a repercussão global que teve a "queda da Bastilha".</p>

<p>Agora, no entanto, estamos na boca do mata-mata. E, após surpreenderem o mundo com seus bons resultados, essas seleções começam a sentir a pressão e, sim, terão muito a perder. Será que ter garra será suficiente para elas? Ou nessa hora prevalece quem tem experiência neste tipo de situação, ou seja, aqueles que já foram campeões do mundo e estão acostumados a lidar com a tensão? </p>]]></description>
         <dc:creator>Maria Luisa Cavalcanti 
Maria Luisa Cavalcanti
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	<category>esporte</category>
	<pubDate>Thu, 24 Jun 2010 22:44:35 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>Campanhas de prevenção à Aids &apos;passam longe&apos; da Copa</title>
	<description><![CDATA[<p>Como uma brasileira acostumada às campanhas de prevenção ao HIV do Ministério da Saúde, principalmente na época do Carnaval, imaginava encontrar algo semelhante aqui na África do Sul durante a Copa do Mundo.</p>

<p>Afinal, este é o país com o maior número de pessoas contaminadas pelo vírus da Aids no mundo - 5,7 milhões, segundo a Organização Mundial de Saúde -, e as autoridades esperam a entrada de até 500 mil turistas estrangeiros até o fim do torneio.</p>

<p>Depois de quase 20 dias por aqui, tendo visitado quatro cidades diferentes, o máximo que vi foi um display no terminal doméstico do aeroporto da Cidade do Cabo e um anúncio que a rede estatal de televisão SABC transmite no intervalo de alguns jogos - ambos feitos pela mesma ONG, a Brothers for Life, com uma mensagem incentivando homens a usar preservativos.</p>

<p>A ausência de uma campanha mais visível para a Copa do Mundo não significa que o governo sul-africano não tenha uma preocupação com o problema. Recentemente, as autoridades lançaram a Campanha de Exames e Aconselhamento para Vítimas do HIV. Seu principal foco é o apelo para que os cidadãos façam exames para saber se são ou não portadores do vírus, já que o diagnóstico e o tratamento precoces ajudam a lidar melhor com a doença e evitar seu alastramento.</p>

<p>Mas as ONGs sul-africanas têm reclamado que o Mundial poderia estar sendo melhor utilizado para aumentar a conscientização. Uma das queixas dessas organizações foi contra uma possível proibição da sua atuação em estádios e áreas de telões, os chamados Fan Fests.</p>

<p>Diante das críticas, a Fifa divulgou um comunicado dizendo que autorizaria a distribuição de milhões de camisinhas e material informativo pelas autoridades de saúde nos Fan Fests, além de exibir anúncios sobre prevenção e tratamento da Aids nos telões, entre um jogo e outro.</p>

<p>Esses locais, no entanto, passam boa parte do dia vazios, e, para as ONGs, a solução da Fifa não pareceu ser suficiente.</p>

<p>"O entretenimento é uma das melhores plataformas para criar conscientização. Mas essas mensagens de incentivo ao sexo seguro deveriam também ser exibidas nos estádios", disse à BBC Brasil Nokhwezi Hoboyi, da ONG Treatment Action Campaign (TAC), cujo trabalho já foi elogiado pela Unaids (Agência da ONU para a Aids). "No show de abertura da Copa, que reuniu 60 mil pessoas, não houve nenhuma mensagem sobre a Aids."</p>

<p>As críticas também se direcionam à falta de uma coordenação maior entre todos os setores da sociedade sul-africana com interesse em lutar contra a doença.</p>

<p>"O governo, a Fifa, as entidades civis, as igrejas, os líderes comunitários - todo mundo tem um papel no combate à Aids e deveria ter se sentado à mesma mesa para decidir como atuar durante o Mundial", explicou o reverendo Nelis du Toit, diretor do Christian Aids Bureau of South Africa (CABSA).</p>

<p>Será essa uma lição para o Brasil em 2014?<br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Maria Luisa Cavalcanti 
Maria Luisa Cavalcanti
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	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/esporte/2010/06/campanhas_de_prevencao_a_aids.shtml</link>
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	<category></category>
	<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 21:24:18 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>O mal necessário</title>
	<description><![CDATA[<p>Ainda é cedo para dizer quem serão as grandes estrelas desta Copa do Mundo - os mais filmados, os mais fotografados, os mais adorados, os mais elogiados, os mais polêmicos.</p>

<p>Mas se juntarmos todas essas qualidades em um só indivíduo, eu já tenho o meu palpite: a vuvuzela.</p>

<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="vuvuzela226370.gif" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/esporte/vuvuzela226370.gif" width="226" height="370" class="mt-image-none" style="" /></span></p>

<p>Aqui na África do Sul, não há como escapar dela. No aeroporto, no hotel, nos restaurantes, nos sinais de trânsito, há sempre alguém com uma na boca.</p>

<p>Para fazer os vídeos que você vê aqui na BBC Brasil, cada vez que eu monto meu tripé e minha câmera sempre aparece alguém com uma vuvuzela para ser filmado ou simplesmente para fazer barulho no meio de uma entrevista.</p>

<p>E dá-lhe barulho. Jogadores, jornalistas, torcedores e até espectadores que nem estão na África do Sul já começaram a reclamar. Na Grã-Bretanha, a BBC recebeu mais de 500 queixas de telespectadores e ouvintes sobre a presença das vuvuzelas durante as transmissões e chegou a considerar a hipótese de filtrar o som do instrumento.</p>

<p>Uma rápida pesquisa no Google aponta para sites e blogs como o Vuvuzelafiltering.com (http://vuvuzelafiltering.com/), onde engenheiros de som ensinam como equalizar uma TV digital para eliminar o zumbido de fundo. </p>

<p>Especulou-se que a Fifa estaria pensando em proibir a entrada das vuvuzelas nos estádios, depois que algumas seleções comentaram sua dificuldade de se comunicar em campo. Mas a entidade desmentiu a notícia.</p>

<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="vuvuzela370226.gif" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/esporte/vuvuzela370226.gif" width="370" height="226" class="mt-image-none" style="" /></span></p>

<p>Nos estádios, quem não traz uma vuvuzela fica sem voz, literal e metaforicamente. Os gritos de torcida, as músicas, os aplausos e as vaias se escondem sob o uníssono "si bemol" da corneta. Será que é por isso que tem havido tantos empates?</p>

<p>No jogo Costa do Marfim x Portugal, que terminou em 0 x 0 em Port Elizabeth, foi visível a (má) diferença que as vuvuzelas fazem. Sendo este o segundo jogo de Portugal a que eu assisto no estádio (o primeiro foi um amistoso contra o Brasil em 2007, em Londres), sei o quanto os portugueses prezam seu "Portugal, olé". </p>

<p>Mas ontem, no Nelson Mandela Bay, não valia a pena nem tentar. A maioria dos torcedores permanceceu sentada, sem vontade de incentivar Cristiano Ronaldo, Deco e seus demais ídolos.</p>

<p>Uma pequena torcida da Costa do Marfim trouxe tambores típicos e organizaram uma bela batucada ritmada, até com um "mestre de bateria". Praticamente passaram despercebidos.</p>

<p>Os sul-africanos, no entanto, defendem ferrenhamente sua tradição. Muitos torcedores locais, simples admiradores do futebol, vão aos estádios para ver o espetáculo e não para torcer para ninguém em especial. Mas com a vuvuzela na mão. Proibir o instrumento a esta altura seria uma afronta à cultura futebolística local, argumentam. E a Fifa não deve querer irritar os anfitriões.</p>

<p>Me pergunto o que ela fará daqui para a frente, uma vez que o instrumento já está nas ruas do mundo, do Rio a Seul. Vai proibir a vuvuzela nos jogos nacionais, nas Ligas de Campeões e Libertadores da vida, nos amistosos internacionais, na Copa de 2014? Está aí uma dor de cabeça que, para a entidade que manda no futebol, não vai passar com uma simples aspirina.</p>]]></description>
         <dc:creator>Maria Luisa Cavalcanti 
Maria Luisa Cavalcanti
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	<link>https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/esporte/2010/06/o_mal_necessario.shtml</link>
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	<category>esporte</category>
	<pubDate>Wed, 16 Jun 2010 10:39:45 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>Fazendo as pazes com o futebol</title>
	<description><![CDATA[<p>"Querida Maria Luisa, que graça a sua carta". Assim começa a mensagem que recebi de um dos meus ídolos, Sócrates, em agosto de 1982. A "carta" a que ele se referia eu tinha escrito semanas antes, logo depois de o Brasil perder por 3 x 2 da Itália naquele fatídico jogo disputado no estádio Sarriá, em Barcelona.</p>

<p>A Copa de 82 foi a minha "primeira". A primeira em que eu, com 10 anos, entendi o que era uma Copa. Montei o álbum das figurinhas que vinham no chiclete Ping-Pong, comprei o compacto do <em>Sangue, Suíngue e Cintura</em>, a música-hino do Moraes Moreira, joguei botão à exaustão com o meu irmão antecipando o momento em que o Brasil seria tetracampeão.</p>

<p>A escalação de Telê - ao menos partes dela - eu lembro de cabeça até hoje (sem recorrer ao Google, juro). Lembro que o goleiro era o Waldir Peres. Da zaga lembro do Leandro e do Júnior. Daí para a frente tinha o Toninho Cerezo, o Paulo Isidoro, Sócrates, Zico, Éder e Falcão. Os dois que faltam não devem ter me impressionado suficientemente.</p>

<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="CartaSocrates1982226283.gif" src="https://nontonwae.pages.dev/blogs/portuguese/esporte/CartaSocrates1982226283.gif" width="226" height="283" class="mt-image-left" style="float: left; margin: 0 20px 20px 0;" /></span></p>

<p>E o Brasil ganhou de virada da União Soviética, após o famoso "frango" do Waldir Peres, goleou a Escócia, e ganhou da Argentina. </p>

<p>A cada gol, a Globo colocava a assinatura do jogador que marcava. E foi assim que eu reconheci imediatamente a letra no envelope do Sócrates endereçado a mim.</p>

<p>Escrevi para ele porque estava desolada. Simplesmente não conseguia entender por que o Brasil não foi campeão, como todo mundo me prometeu. E por que a nova chance só viria dali a quatro anos - que chato que é Copa do Mundo, só de quatro em quatro anos, eu pensava.</p>

<p>E, bom, só fui ver o Brasil ser campeão em 1994. Mas até lá, me desculpem, eu já estava de mal com o futebol. A derrota para a França de Platini em 86 foi uma tortura. Todo o Mundial de 90 foi um horror e mesmo em 94 não dava para adorar os jogadores como eu idolatrei os de 82.</p>

<p>Em 2002, comecei a me reanimar com a Copa. O Scolari, o nome que eu mais admiro no futebol atual, conduziu o Brasil em um torneio bonito. Foi uma conquista verdadeira (e não na base de o adversário perder pênalti em uma final que termina em 0 x 0, como em 94). </p>

<p>Na Copa da Alemanha, em 2006, por conta do marido e dos amigos estrangeiros, acabei torcendo e vibrando com várias seleções, de França a Argentina, passando por Portugal, Espanha e Austrália. </p>

<p>Passei a entender que o meu trauma com 1982 não devia me impedir de curtir esta que é uma das maiores festas do planeta.</p>

<p>A deixa para eu finalmente fazer as pazes com o futebol foi a notícia de que eu viria para a África do Sul cobrir a Copa pela BBC Brasil. Minha missão aqui vai ser acompanhar como este país vai receber o torneio, encontrar as histórias curiosas, trazer a você um pouco do sabor deste Mundial que promete ser tão diferente.</p>

<p>E mal posso esperar para ver a bola rolar. Ver o Brasil no seu "Grupo da Morte", ver se a Coreia do Norte vai mesmo surpreender o mundo, se existe vida na França pós-Zidane, se Messi vai honrar a expectativa de ser o maior marcador desse Mundial, se a Espanha vai repetir o sucesso da última Eurocopa, e, claro, se os africanos - pelos pés de Drogba, Eto'o ou os Bafana Bafana - vão chegar até a final.</p>]]></description>
         <dc:creator>Maria Luisa Cavalcanti 
Maria Luisa Cavalcanti
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	<category>esporte</category>
	<pubDate>Tue, 08 Jun 2010 10:47:08 +0000</pubDate>
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